Salmo 2
DEUS E O SEU UNGIDO (110)
Podendo ter alguma articulação com o Sl 1, e talvez com algumas das colecções seguintes que integram o Livro dos Salmos, o Sl 2 pertence ao conjunto dos "salmos reais" e tem bastantes semelhanças com o Sl 110. Canta o domínio universal de Deus e acolhe as conotações messiânicas que a tradição lhe foi dando (Act 4,25; 13,33; Heb 1,5; 5,5). Tem o aspecto de uma fórmula de entronização real, com expressões que, para um simples rei de Israel, poderiam ser excessivas, dada a modéstia de um tal reino. Mas tais fórmulas traduzem a importância da função real no Médio Oriente Antigo.
1 *Porque se amotinam as naçõese os povos fazem planos insensatos?
2 *Revoltam-se os reis da terra
e os príncipes conspiram juntos
contra o SENHOR e contra o seu ungido:
3 "Quebremos as algemas
e atiremos para longe de nós o seu jugo!"
4 Aquele que habita nos céus sorri;
o Senhor escarnece deles.
5 Depois, atemoriza-os com a sua ira
e com a sua cólera confunde-os:
6 "Fui Eu que consagrei o meu rei
sobre o meu monte santo de Sião!"
7 *Vou anunciar o decreto do SENHOR.
Ele disse-me: "Tu és meu filho,
Eu hoje te gerei.
8 Pede-me e Eu te darei povos como herança
e os confins da terra por domínio.
9 *Hás-de governá-los com ceptro de ferro
e destruí-los como um vaso de barro."
10 E agora, prestai atenção, ó reis!
Deixai-vos instruir, juízes da terra!
11 Servi o SENHOR com temor,
prestai-lhe homenagem com tremor,
12 para que não se irrite e não pereçais no caminho,
pois a sua ira irrompe num instante.
Felizes os que nele confiam!
Notas
- 2, 1
- O início de uma rebelião contra o poder do rei, aqui celebrado, acontece quando várias entidades dele dependentes juntam as suas forças contra ele. Em vez de fazem planos insensatos, é possível traduzir "e os povos contam as tropas". Neste caso, não haveria juízo sobre a iniciativa; haveria só a sua descrição (Act 4,25-27).
- 2
- Este versículo acentua que a rebelião é contra o rei e contra Deus simultaneamente (18,51; 20,7; 28,8; 84,10; 89,39; 132,10; Ap 19,19).
- 7-8
- A filiação divina adoptiva era uma metáfora da realeza no Médio Oriente Antigo (2 Sm 7,8-15; Mt 3,17; 17,5; Act 13,33; Heb 1,5; 5,5; 2 Pe 1,17).
- 9
- Ceptro de ferro. Ver 68,22; 110,5; Ap 2,27; 12,5; 19,15.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.