Salmo 104
(103) HINO AO CRIADOR DO UNIVERSO (Sir 43)
Hino e meditação. Descreve o cuidado e a atenção com que Deus governa este universo em que decorre a vida humana, dia a dia. Partilha alguns dos temas da criação que se prolonga no nascer e morrer de cada dia. Este tema da vida quotidiana integrada na fé em Deus é uma categoria básica da experiência humana que se espelha nas culturas do Médio Oriente Antigo. Por isso, este salmo tem textos análogos aos das literaturas da época. Um hino muito semelhante é o que o faraó Amenófis IV do Egipto dedicou ao Sol, Aton.
1 *Bendiz, ó minha alma, o SENHOR!SENHOR, meu Deus, como Tu és grande!
Estás revestido de esplendor e majestade!
2 *Estás envolto num manto de luz
e estendeste os céus como um véu.
3 *Fixaste sobre as águas a tua morada,
fazes das nuvens o teu carro,
caminhas sobre as asas do vento.
4 Fazes dos ventos teus mensageiros,
e dos relâmpagos, teus ministros.
5 *Fundaste a terra sobre bases sólidas,
ela mantém-se inabalável para sempre.
6 Tu a cobriste com o manto do abismo
e as águas cobriram as montanhas;
7 *mas, à tua ameaça, elas fugiram,
ao fragor do teu trovão, estremeceram.
8 Ergueram-se as montanhas, cavaram-se os vales
nos lugares que lhes determinaste.
9 *Puseste limites às águas, para não os ultrapassarem,
e nunca mais voltarem a cobrir a terra.
10 Transformas as fontes em rios,
que serpenteiam entre as montanhas.
11 Eles dão de beber a todos os animais selvagens,
neles matam a sede os veados dos montes.
12 Os pássaros do céu vêm morar nas suas margens;
ali chilreiam entre a folhagem.
13 *Das tuas altas moradas regas as montanhas;
com a bênção da chuva sacias a terra.
14 Fazes germinar a erva para o gado
e as plantas úteis para o homem,
para que da terra possa tirar o seu alimento:
15 o vinho, que alegra o coração do homem,
o azeite, que lhe faz brilhar o rosto,
e o pão, que lhe robustece as forças.
16 Matam a sua sede as árvores do SENHOR,
os cedros do Líbano que Ele plantou.
17 Nelas fazem ninho as aves do céu;
a cegonha constrói a sua casa nos ciprestes.
18 Os altos montes são abrigo para as cabras,
e os rochedos, para os animais roedores.
19 *A Lua cumpre as várias estações
e o Sol conhece o seu ocaso.
20 Tu estendes as trevas e faz-se noite,
nela vagueiam todos os animais da selva.
21 *Rugem os leões em busca da presa,
pedindo a Deus o seu alimento.
22 Mas, ao nascer do Sol, logo se retiram,
para se recolherem nos seus covis.
23 Então o homem sai para o trabalho
e moureja até anoitecer.
24 *SENHOR, como são grandes as tuas obras!
Todas elas são fruto da tua sabedoria!
A terra está cheia das tuas criaturas!
25 *Lá está o mar, grande e vasto,
onde se agitam inúmeros seres,
animais grandes e pequenos.
26 Nele passam os navios e ainda o Leviatan,
monstro que Tu criaste, para ali brincar.
27 Todos esperam de ti
que lhes dês comida a seu tempo.
28 Dás-lhes o alimento, que eles recolhem,
abres a tua mão e saciam-se do que é bom.
29 *Se deles escondes o rosto, ficam perturbados;
se lhes tiras o alento, morrem
e voltam ao pó donde saíram.
30 Se lhes envias o teu espírito, voltam à vida.
E assim renovas a face da terra.
31 Glória ao SENHOR por toda a eternidade!
Que o SENHOR se alegre em suas obras!
32 Ele olha para a terra e ela estremece,
toca nos montes e eles fumegam.
33 Cantarei ao SENHOR, enquanto viver;
louvarei o meu Deus, enquanto existir.
34 Que o meu cântico lhe seja agradável,
pois no SENHOR encontro a minha alegria.
35 *Desapareçam da terra os pecadores!
Os ímpios deixem de existir!
Bendiz, ó minha alma, o SENHOR!
Aleluia!
Notas
- 104, 1
- Ver 103,1; Deus é grande: 95,3; 2 Sm 7,22; revestido de esplendor: 93,1; 111,3; Jb 40,10.
- 2
- Estendeste os céus como um véu ou tenda: Gn 1,6; Jb 9,8; Is 40,22; 42,5; 44,24; 45,12; Jr 10,12; Zc 12,1.
- 3
- Na mentalidade semita, o firmamento suporta as águas superiores, fonte da chuva, e ali se encontra a morada de Deus (29,10). As nuvens são o carro de Deus. Ver 68,5 nota; Heb 1,7.
- 5
- As bases da terra: 24,2; 93,1; 119,90; Jb 38,4; Pr 8,29.
- 7
- Ver 18,14.16; 106,9; Is 50,2; Na 1,4.
- 9
- Os limites do mar: Gn 9,11; Jb 38,11; Pr 8,29; Jr 5,22.
- 13-15
- Aprovisionamento dos humanos: 4,8; 65,10; 147,9; Gn 1,29-30; 18,5; Jz 9,13; Jb 28,5; Is 55,10; Jr 14,22; Mt 6,11; Act 14,17.
- 19
- O Sol e a Lua: 19,5-6; Gn 1,14-18; Sir 43,2-8.
- 21-22
- Os animais esperam comida: 145,15; Jb 38,39-41.
- 24
- Grandes obras de Deus: 40,6; Gn 1,31; Jb 5,9; 28,23-28; Pr 3,19-20; Jr 10,12.
- 25-26
- Maravilhas do mar: 69,35; 107,23-30; Gn 1,20; Sir 43,25. Leviatan (em Ugarit, Lotan) é um monstro mitológico do mar com sete cabeças (caos primitivo); na literatura de Canaã e na Bíblia assume várias formas: serpente tortuosa e fugitiva (Jb 26,12-13); dragão do mar (Is 27,1); crocodilo (Jb 40,25-41,26) e pode evocar o Egipto, como inimigo de Israel (Ez 32,2-8). Em Ap 12,3 aparece como Dragão, simbolizando todos os inimigos dos cristãos. Ver 74,14; Jb 3,8; 40,25-26; Is 27,1 nota.
- 29-30
- O alento/espírito de Deus dá vida: 23,6; Gn 2,7; Jb 33,4; Ez 37,10; Act 17,25.
- 35
- A fórmula Aleluia - que significa "Louvai o Senhor" - aparece a concluir vários Salmos: 105; 106; 113; 115; 116; 117; 135; 146-150. Aparece no início dos Sl 146-150 e torna-se uma espécie de refrão litúrgico. No NT aparece apenas em Ap 19,1.3.4.6.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.