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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos 28

Paulo em Malta

1 *Depois de salvos, é que soubemos que a ilha se chamava Malta. 2 Os nativos trataram-nos com invulgar humanidade, pois acenderam uma grande fogueira, junto à qual nos recolheram a todos, por causa da chuva que estava a cair e por causa do frio.
3 Paulo juntou um braçado de lenha seca e, ao lançá-la à fogueira, o calor fez saltar uma víbora que se lhe enroscou na mão. 4 Quando os nativos viram a serpente pendurada na mão dele, disseram uns aos outros: «Com certeza, esse homem é assassino, pois conseguiu salvar-se do mar, mas a justiça divina não o deixa viver.» 5 Mas ele, sacudindo o réptil para o fogo, não sofreu dano algum, 6 enquanto eles esperavam que viesse a inchar ou a cair repentinamente morto. Depois de terem aguardado muito tempo e verem que nada de anormal lhe acontecia, mudaram de opinião e começaram a dizer que ele era um deus.
7 *Nas proximidades daquele sítio, havia umas terras pertencentes ao Primeiro da ilha, que se chamava Públio, o qual nos recebeu e, durante três dias, nos hospedou da forma mais cordial. 8 Ora, o pai de Públio estava retido no leito com febre e disenteria. Paulo foi vê-lo e, depois de orar, impôs-lhe as mãos e curou-o. 9 *Em consequência disso, os outros enfermos da ilha vieram também procurá-lo e foram curados. 10 Eles, por sua vez, cumularam-nos de honras e, na altura da partida, proveram-nos do que era necessário.

De Malta a Roma

11 *Volvidos três meses, tomámos um barco de Alexandria com o emblema dos Dióscoros, que tinha passado o Inverno na ilha. 12 Aportámos a Siracusa, onde ficámos três dias 13 *e, de lá, contornando a costa, chegámos a Régio. No dia imediato, levantou-se o vento sul e, em dois dias, alcançámos Putéolos, 14 onde encontrámos irmãos, que nos convidaram a passar sete dias com eles. E assim é que fomos para Roma.
15 *Os irmãos desta cidade, prevenidos da nossa chegada, vieram ao nosso encontro até Foro de Ápio e Três Tabernas. Paulo, ao vê-los, deu graças a Deus e cobrou ânimo.

Paulo e os judeus de Roma

16 *Quando entrámos em Roma, Paulo foi autorizado a ficar em alojamento próprio com o soldado que o guardava. 17 Três dias depois, convocou os principais dos judeus e, quando estavam todos reunidos, disse-lhes:
«Irmãos, embora nada tenha feito contra o povo ou contra os costumes paternos, fui preso em Jerusalém e entregue às mãos dos romanos.
18 Estes, depois de me terem interrogado, queriam libertar-me, por não haver em mim crime algum digno de morte. 19 Mas, como os judeus se opuseram, fui constrangido a apelar para César, sem querer, de modo algum, acusar o meu povo. 20 Foi por este motivo que pedi para vos ver e falar, pois é por causa da esperança de Israel que trago estas cadeias.»
21 Eles responderam-lhe: «Nós não recebemos da Judeia carta alguma a teu respeito, e não chegou aqui nenhum irmão que contasse ou dissesse mal de ti. 22 Desejamos, porém, ouvir da tua boca o que pensas, pois, quanto à seita a que pertences, sabemos todos que, por toda a parte, encontra oposição.» 23 *Marcaram, então, o dia e vieram ter com ele, em maior número, ao seu alojamento. Desde a manhã até à tarde, Paulo não cessou de lhes dar testemunho do Reino de Deus e procurou convencê-los do que diz respeito a Jesus, invocando a lei de Moisés e os Profetas. 24 Alguns deixaram-se persuadir com as suas palavras; outros, porém, mantiveram-se incrédulos. 25 *Estando em desacordo uns com os outros, começaram a separar-se. Paulo apenas disse estas palavras: «Com razão falou o Espírito Santo a vossos pais, pela boca do profeta Isaías, dizendo:
26 Vai ter com esse povo e diz-lhe:
Ouvireis com os vossos ouvidos,
mas não compreendereis;
vereis com os vossos olhos,
mas não percebereis.

27 Sim, o coração deste povo tornou-se endurecido.
Taparam os ouvidos
e fecharam os olhos,
não fossem ver com os olhos,
e ouvir com os ouvidos,
entender com o coração,
converterem-se, e Eu curá-los!

28 *Ficai, agora, sabendo: esta salvação de Deus foi enviada aos pagãos que a hão-de escutar.»
29 *Depois de ele ter dito estas palavras, os judeus retiraram-se, travando entre eles animada discussão.

Epílogo

30 *Paulo permaneceu dois anos inteiros no alojamento que alugara, onde recebia todos os que iam procurá-lo, 31 *anunciando o Reino de Deus e ensinando o que diz respeito ao Senhor Jesus Cristo, com o maior desassombro e sem impedimento.

Notas

28, 1-2
Os nativos (gr. "bárbaros"): assim chamavam os gregos àqueles que não falavam a sua língua. Em Malta, os nativos falavam (ainda falam) um dialecto púnico. Nós: aqui e no v.7 é o grupo dos cristãos.
7
O Primeiro da ilha, título oficial do primeiro magistrado de Malta no período romano. Os Actos sublinham sempre os gestos de hospitalidade: v.13-14 nota; 10,48; 16,11-15 nota.
9
A afirmação genérica do versículo é semelhante à dos sumários da primeira parte dos Actos (2,42-47 nota) e encontra-se noutras passagens (5,15-16; 8,7; 9,31; 19,11-12; 12,24; 19,20). O carisma taumatúrgico de Paulo é sinal e prolongamento do ministério de Cristo: Lc 4,40; 5,15; 7,21.22-23 nota.
11
Volvidos três meses, isto é, em Fevereiro/Março (27,9). Os Dióscoros, Castor e Polux, deuses protectores marítimos, eram objecto de culto habitual no Egipto, de onde provinha o barco. Tratava-se de figura esculpida ou pintada na proa da embarcação.
13-14
Putéolos, na baía de Nápoles, distanciava 350 km de Régio. Ignora-se a origem da comunidade de Putéolos, como sucede com outras dos Actos, mas a hospitalidade dos irmãos é um dado comum: 20,6; 21,4. Roma: antecipação da informação do v.16. Pela Via Campana e depois pela Via Ápia, a viagem até Roma, distante cerca de 200 km, podia ser feita em cinco dias.
15
Já havia irmãos em Roma no ano 50, alguns anos antes da chegada de Paulo (18,2 nota), mas nada se sabe sobre a sua origem (v.14). Foro de Ápio: a cerca de 65 km de Roma. Três Tabernas: distante 49 km. O ânimo que Paulo cobra parece dar razão à suposição sobre as notícias que ele tinha daquela igreja.
16
Lucas fala discretamente sobre as autoridades romanas. O Apóstolo parece beneficiar de um regime de favor que lhe consentia ter domicílio próprio e deslocar-se por onde quisesse sob a vigilância de um soldado (v.30; 24,23).
23
Lucas resume o testemunho de Paulo sobre o Reino de Deus (1,3 nota; 20,25; 28,31 nota) e sobre o cumprimento das Escrituras (Lei e Profetas) no mistério cristão (17,2-3 nota.11; Lc 18,31 nota; 24,27.44 notas).
25-27
Perante o paradoxo da recusa do Evangelho por esse povo, isto é, pelos judeus, o autor cita Is 6,9-10, vendo que tal acontecimento, já aí anunciado, se integra no plano de Deus (Mt 13,13-15 nota; Mc 4,12 nota; Lc 8,9-10 nota). Segundo a versão dos Setenta, o texto, no fim, abre à esperança na salvação do povo, recordando a promessa divina: Eu vou curá-los.
28
A afirmação da passagem do Evangelho para os pagãos é a última do livro dos Actos (13,46 nota; 18,6), mas é solene e programática da missão eclesial. É o endurecimento de Israel, definitivo ou não, que abre a salvação de Deus aos gentios, os quais saberão acolhê-la, ao contrário deste povo (v.27).
29
Versículo próprio do "texto ocidental".
30
Paulo passou dois anos em liberdade vigiada (v.16.23). Ao autor dos Actos interessa sobretudo salientar que a pregação do Reino de Deus chegou a Roma, capital do mundo pagão, por meio daquele que recebera como missão a evangelização desse mundo (1,8 nota; 22,21-22 nota). Todos os que iam procurá-lo, com certeza gentios e judeus, abertos à palavra de Paulo; esta totalidade é mais conforme à perspectiva dos Actos (1,8 nota; 11,18; 15,7-11 nota). Durante esse período de tempo, Paulo terá redigido (ou dirigido) algumas das chamadas "Cartas do cativeiro" (Colossenses, Efésios e Filémon).
31
Anunciando o Reino de Deus: ver 1,3 nota; 19,8; 20,25; 28,23 nota. Com desassombro (parressia) refere-se à atitude de Paulo. Sem impedimento: diz respeito à imparcialidade da justiça romana (18,15 nota). Não obstante as perseguições e dificuldades narradas ao longo do livro, a Palavra de Deus não é algemada por nada nem ninguém (2 Tm 2,9) e, aberta ao futuro, essa é também a sua condição até aos confins da terra.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.