Saltar para o conteúdo
25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos 15

Controvérsia sobre a Lei de Moisés

1 *Alguns que tinham descido da Judeia ensinavam aos irmãos: «Se não vos circuncidardes, de harmonia com o uso herdado de Moisés, não podereis ser salvos.» 2 *Depois de muita confusão e de uma controvérsia bastante viva de Paulo e Barnabé contra eles, foi resolvido que Paulo, Barnabé e mais alguns outros subissem a Jerusalém para consultarem, sobre esta questão, os Apóstolos e os Anciãos. 3 *Então, depois de despedidos pela igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, relatando a conversão dos pagãos, o que causava imensa alegria a todos os irmãos.
4 Chegados a Jerusalém, foram recebidos pela igreja, pelos Apóstolos e Anciãos e contaram tudo o que Deus fizera com eles. 5 *Levantaram-se alguns do partido dos fariseus, que tinham abraçado a fé, dizendo que era preciso circuncidar os pagãos e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. 6 *Os Apóstolos e os Anciãos reuniram-se para examinarem a questão.

Discurso de Pedro

7 *Depois de longa discussão, Pedro ergueu-se e disse-lhes:
«Irmãos, sabeis que Deus me escolheu, desde os primeiros dias, para que os pagãos ouvissem da minha boca a palavra do Evangelho e abraçassem a fé.
8 E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, concedendo-lhes o Espírito Santo como a nós. 9 *Não fez qualquer distinção entre eles e nós, visto ter purificado os seus corações pela fé. 10 Porque tentais agora a Deus, querendo impor aos discípulos um jugo que nem os nossos pais nem nós tivemos força para levar? 11 *Além disso, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos que seremos salvos, exactamente como eles.»
12 *Toda a assembleia ficou em silêncio e se pôs a ouvir Barnabé e Paulo a descrever os milagres e prodígios que Deus realizara entre os pagãos, por intermédio deles.

Discurso de Tiago

13 *Quando acabaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse:
«Irmãos, escutai-me.
14 *Simão contou como Deus, desde o princípio, se dignou intervir para tirar de entre os pagãos um povo que fosse consagrado ao seu nome. 15 E com isto concordaram as palavras dos profetas, conforme está escrito:
16 *Depois disto, hei-de voltar
a reconstruir a tenda de David, que estava caída;
reconstruirei as suas ruínas
e erguê-la-ei de novo,

17 a fim de que o resto dos homens procure o Senhor,
bem como todos os povos
que foram consagrados ao meu nome
- diz o Senhor, que dá a conhecer

18 estas coisas desde a eternidade.
19 *Por isso, sou de opinião que não se devem importunar os pagãos convertidos a Deus. 20 Que se lhes diga apenas para se absterem de tudo quanto foi conspurcado pelos ídolos, da imoralidade, das carnes sufocadas e do sangue. 21 *Desde os tempos antigos, Moisés tem em cada cidade os seus pregadores e é lido todos os sábados nas sinagogas.»

Carta apostólica

22 *Então, os Apóstolos e os Anciãos, de acordo com toda a Igreja, resolveram escolher alguns de entre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé. Foram Judas, chamado Barsabas, e Silas, homens respeitados entre os irmãos. 23 *E mandaram a seguinte carta por intermédio deles:
«Os Apóstolos e os Anciãos, vossos irmãos, aos irmãos de origem pagã residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia, saudações!
24 Tendo conhecimento de que, sem autorização da nossa parte, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, 25 resolvemos, de comum acordo, escolher delegados e enviar-vo-los com os nossos queridos Barnabé e Paulo, 26 homens estes que expuseram as suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Enviamos, pois, Judas e Silas, que vos transmitirão verbalmente as mesmas coisas. 28 *O Espírito Santo e nós próprios resolvemos não vos impor outras obrigações além destas, que são indispensáveis: 29 abster-vos de carnes imoladas a ídolos, do sangue, de carnes sufocadas e da imoralidade. Procedereis bem, abstendo-vos destas coisas. Adeus.»
30 Eles, então, depois de se despedirem, desceram a Antioquia e, reunindo a assembleia, entregaram a carta. 31 Depois de a lerem, todos ficaram satisfeitos com o encorajamento que lhes trazia. 32 Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram e fortaleceram os irmãos com um longo discurso.
33 Ao fim de algum tempo, receberam dos irmãos a paz da despedida, regressando para junto dos que os tinham enviado. 34 Silas, porém, resolveu ficar ali, e Judas partiu sozinho para Jerusalém.

2.ª Viagem Missionária: 15,35-18,22

Desacordo entre Paulo e Barnabé

35 Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e anunciando, com muitos outros, a Boa-Nova da palavra do Senhor.
36 Passados alguns dias, Paulo disse a Barnabé: «Voltemos a visitar os irmãos por todas as cidades em que anunciámos a palavra do Senhor, para ver como estão.»
37 Barnabé queria também levar João, chamado Marcos. 38 Mas Paulo não era de parecer que se levasse por companheiro quem deles se tinha afastado na Panfília e não os tinha acompanhado no trabalho. 39 Seguiu-se uma discussão tão violenta que se separaram um do outro e Barnabé tomou Marcos consigo, embarcando para Chipre.
40 *Por seu turno, Paulo escolheu Silas por companheiro e partiu, recomendado pelos irmãos à graça do Senhor. 41 Atravessou a Síria e a Cilícia, fortalecendo as igrejas.

Notas

15, 1
Começa aqui uma narração importante no plano dos Actos (v.1-35). Nela se mostra como a porta da fé aberta aos pagãos (14,27) corria o risco de se fechar de novo, no confronto com as exigências dos circuncisos ou cristãos judaizantes. A grave crise começa (v.1-4) e termina em Antioquia (v.30-35), mas o ponto mais alto da discussão tem lugar em Jerusalém (v.5-29), onde as duas correntes se confrontam. Aí se situam os discursos de Pedro (v.7-11) e de Tiago (v.13-21), e uma carta é enviada às comunidades (v.23-29). Diferente é a atitude de Pedro: em Jerusalém representa os defensores da liberdade do Evangelho a respeito dos não circuncidados (v.7-11); em Antioquia, aparece comprometido com os processos dos judaizantes, sendo acusado por Paulo (Gl 2,11-14). Além da participação de judeo-cristãos e étnico-cristãos em refeições comuns (11,3 nota), levantava-se a questão fundamental do acesso à salvação, sem ter de observar as práticas da Lei mosaica. Se a salvação não era possível sem a circuncisão e sem a Lei (v.5.10), então, qual era o lugar reservado à fé, a Cristo (v.9)? Sobre o uso e a crítica desta lei de Moisés, ver 6,14; 21,21; Gn 17,10-14 nota; 34,14-24 nota; Lv 12,3.
2
A questão de exigir ou não a circuncisão punha em causa a prática missionária já corrente (11,22-24; 13-14) e, por consequência, o futuro da Igreja. Daí a intransigência de Paulo sobre os princípios doutrinais (v.1 nota).
3-4
As posições de Paulo e Barnabé são aprovadas pelos irmãos de outras regiões (v.4.12; 14,27). A partir do v.4, sublinha-se o apoio da Igreja à solução que será encontrada para o conflito de Antioquia. Segundo os v.4-29, tratar-se-ia de uma terceira viagem de Paulo a Jerusalém (9,26-30; 12,25), enquanto Gl 2,1-10 (nota) fala de uma segunda viagem.
5
Ver v.1 nota; 11,2-3; Gl 2,4-5.
6
A reunião parece limitada aos Apóstolos e aos Anciãos (Gl 2,2.6), mas depois fala-se da participação de toda a comunidade (v.12.22.23). Em duas passagens, são referidos só os Anciãos (11,30; 21,18).
7-11
O discurso de Pedro explica as implicações da conversão de Cornélio sob o aspecto doutrinal e prático (10,1 nota; 11,5-18): tanto circuncisos como incircuncisos recebem o dom do Espírito (v.8); o perdão dos pecados (v.9) e a salvação do ser humano (v.11) são obras de Deus pela fé e pela graça do Senhor Jesus (v.9.12). Subordinar a salvação à circuncisão seria tentar a Deus (v.10).
9
Ver 10,15.34-35.43-47; 11,9.
11
Ver Rm 11,32; Gl 2,15-21; 3,10-12.22-26.
12
Milagres e prodígios eram o sinal de que Deus não exigia dos pagãos senão a fé (2,22 nota; 13,38-39.48; 14,1).
13-21
Tiago apoia a intervenção de Pedro (v.15-18), mas as suas conclusões terão mais em consideração as exigências dos judaizantes (v.19-21; 21,21-25; Gl 2,11-14 nota). Tiago, o "irmão do Senhor", chefe do grupo hebreu dos cristãos de Jerusalém, governou esta igreja após a partida de Pedro (v.13; 21,18; 1 Cor 15,7). Na sua primeira visita a Jerusalém, Paulo encontra-se com Tiago (Gl 1,19). É-lhe atribuída a carta que leva o seu nome. Sobre os irmãos de Jesus, ver Mt 12,46 nota; Mc 6,3 nota; Lc 8,19 nota; Jo 7,3-10 nota.
14
Um povo consagrado ao seu nome, isto é, que pertence ao Senhor como próprio. Doravante, o Povo de Deus é constituído por convertidos provenientes da circuncisão e da gentilidade (18,10; Ef 2,11-16 nota; 1 Pe 2,10).
16-18
Ver Am 9,11-12 grego.
19-20
Tiago, conciliador, pede aos judeus convertidos que renunciem a exigir a circuncisão dos pagãos (v.10.28; Gn 17,10-14 nota; Rm 2,25-29 nota; Gl 6,13-14 nota), e a estes pede a aceitação de quatro prescrições legais dos judeus (v.20): a primeira diz respeito às carnes imoladas aos ídolos ou idolotitos (1 Cor 8-10; 8,1.7.9-11 notas; Ap 2,20); a segunda visa a imoralidade ou as uniões ilegítimas à face da Lei (Lv 18,6-18; Sb 14,12-14 nota; Mt 5,31-32 nota); a terceira proíbe as carnes sufocadas ou de animais não sangrados (Lv 17,10-16.10-11 nota) e a quarta proíbe o homicídio (Gn 9,5-6).
21
Tiago recorda o uso antigo da leitura semanal de Moisés, isto é, do Pentateuco (13,15.27).
22
Judas é desconhecido. Silas, ou Silvano, tornar-se-á um colaborador de Paulo (v.40; 2 Cor 1,19; 1 Ts 1,1 nota; 2 Ts 1,1) e de Pedro (1 Pe 5,12 nota).
23-29
Depois do endereço, a Carta apostólica contém uma exposição dos motivos (v.24) e as decisões tomadas: envio de representantes (v.25-27) e exigências impostas (v.28-29). Com excepção de Antioquia, ignora-se a origem das igrejas da Síria e da Cilícia. Às igrejas da Panfília, Pisídia e Licaónia é Paulo quem comunica as decisões da assembleia de Jerusalém (16,1-4), mas não alude às mesmas nas suas Cartas (1 Cor 8-10; Gl 2,1-10 nota).
28
O Espírito Santo é o inspirador da decisão tomada (13,1-4). Nós próprios refere-se aos Apóstolos e, provavelmente, também aos Anciãos e aos irmãos, ou seja, a toda a assembleia (v.23).
35-36
Começa aqui uma nova secção: a 2.ª VIAGEM MISSIONÁRIA. O primeiro cenário é o de uma missão estritamente paulina (Gl 2,7-9): em Jerusalém foi assegurada a liberdade da Palavra do Evangelho; de lá, Paulo parte para Antioquia e de Antioquia (v.35.40) para outras viagens. Paulo regressará a Jerusalém no fim da terceira viagem apostólica (21,15-26).
40
Depois de terem visitado as comunidades da primeira viagem (v.41-16,5), Paulo e os companheiros seguem para a Macedónia (16,6-17,15), depois para Atenas (17,16-34) e, finalmente, para Corinto (18,1-17). Esta caminhada do Evangelho na direcção do Ocidente é querida por Deus (16,6-10) e vai pôr os evangelizadores em confronto com as autoridades romanas (16,16-40; 18,12-17) e com a cultura grega (14,26; 17,16-34).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.