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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos 17

Em Tessalónica. Dificuldades com os judeus

1 Passando por Anfípole e Apolónia, chegaram a Tessalónica, onde os judeus tinham uma sinagoga. 2 *Segundo o seu costume, Paulo foi lá procurá-los e, durante três sábados, discutiu com eles acerca das Escrituras, 3 explicando-as e provando que o Messias tinha de sofrer e de ressuscitar dos mortos. «E o Messias - dizia ele - é este Jesus que vos anuncio.» 4 *Alguns deles ficaram convencidos e reuniram-se a Paulo e Silas, bem como grande número de crentes gregos e muitas mulheres de categoria social.
5 Mas os judeus, cheios de inveja, aliciaram alguns indivíduos da escória do povo, provocaram ajuntamentos e espalharam a agitação pela cidade. Assaltaram a casa de Jasão, à procura de Paulo e Silas, para os levarem à assembleia do povo. 6 Não os tendo encontrado, arrastaram Jasão e alguns dos irmãos à presença dos politarcas, gritando: «Aqui estão os homens que alvoroçaram o mundo inteiro, 7 *e Jasão recebeu-os em sua casa. Todos eles estão em oposição aos éditos de César, pois afirmam que há outro rei, Jesus.»
8 Impressionaram de tal maneira o povo e os politarcas com os seus clamores, 9 que estes só depois de exigirem uma caução de Jasão e dos outros, os libertaram.

Em Bereia

10 Os irmãos fizeram com que Paulo e Silas partissem imediatamente, de noite, para Bereia. Ao chegarem, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. 11 Estes tinham sentimentos mais nobres do que os de Tessalónica, e acolheram a palavra com maior interesse. Examinavam diariamente as Escrituras para verificarem se tudo era, de facto, assim. 12 Muitos deles abraçaram a fé, bem como, de entre os gregos, senhoras das mais distintas e não poucos homens.
13 Mas, quando os judeus de Tessalónica souberam que Paulo também anunciava a palavra de Deus em Bereia, foram lá provocar a agitação e a discórdia entre o povo. 14 Os irmãos convenceram Paulo a partir em direcção ao mar. Quanto a Silas e a Timóteo, ficaram lá. 15 Os que acompanhavam Paulo levaram-no a Atenas e regressaram, incumbidos de transmitir a Silas e a Timóteo a ordem de irem reunir-se a Paulo o mais rapidamente possível.

Paulo em Atenas

16 Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o espírito fremia-lhe de indignação, ao ver a cidade repleta de ídolos. 17 *Discutia na sinagoga com os judeus e prosélitos e, na praça pública, todos os dias, com os que lá apareciam.
18 *Até alguns filósofos epicuristas e estóicos trocavam impressões com ele. Uns diziam: «Que quererá dizer este papagaio?» Outros: «Parece que é um pregoeiro de deuses estrangeiros.» Isto, porque Paulo anunciava a Boa-Nova de Jesus e a ressurreição. 19 *Levaram-no com eles ao Areópago e disseram-lhe: «Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? 20 O que nos dizes é muito estranho e gostaríamos de saber o que isso quer dizer.» 21 Na verdade, tanto os atenienses como os estrangeiros residentes em Atenas não passavam o tempo noutra coisa, senão a dizer ou a escutar as últimas novidades.

Discurso no Areópago

22 *De pé, no meio do Areópago, Paulo disse, então:
«Atenienses, vejo que sois, em tudo, os mais religiosos dos homens.
23 *Percorrendo a vossa cidade e examinando os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta inscrição: 'Ao Deus desconhecido.' Pois bem! Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio.
24 O Deus que criou o mundo e tudo quanto nele se encontra, Ele, que é o Senhor do Céu e da Terra, não habita em santuários construídos pela mão do homem, 25 nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa, Ele, que a todos dá a vida, a respiração e tudo mais. 26 Fez, a partir de um só homem, todo o género humano, para habitar em toda a face da Terra; e fixou a sequência dos tempos e os limites para a sua habitação, 27 a fim de que os homens procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo, mesmo tacteando, embora não se encontre longe de cada um de nós.
28 *É nele, realmente, que vivemos,
nos movemos e existimos,
como também o disseram alguns dos vossos poetas:
'Pois nós somos também da sua estirpe.'
29 Se nós somos da raça de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem. 30 *Sem ter em conta estes tempos de ignorância, Deus faz saber, agora, a todos os homens e em toda a parte, que todos têm de se arrepender, 31 *pois fixou um dia em que julgará o universo com justiça, por intermédio de um Homem, que designou, oferecendo a todos um motivo de crédito, com o facto de o ter ressuscitado de entre os mortos.»
32 Ao ouvirem falar da ressurreição dos mortos, uns começaram a troçar, enquanto outros disseram: «Ouvir-te-emos falar sobre isso ainda outra vez.» 33 Foi assim que Paulo saiu do meio deles. 34 *Alguns dos homens, no entanto, concordaram com ele e abraçaram a fé, entre os quais Dionísio, o areopagita, e também uma mulher de nome Dâmaris e outros com eles.

Notas

17, 2-3
A pregação aos judeus parte das Escrituras, para mostrar como Jesus era o Messias anunciado pelos profetas (v.3; 2,14.36; 3,18.20; 5,42; 9,20.22; 18,5.28; 24,24; 26,23; Mt 16,21 nota; Mc 8,31 nota; Lc 9,21 nota).
4
Os Actos insistem com frequência na conversão de muitas mulheres de categoria social. Estas ocupam um lugar de relevo na sociedade e na implantação do Evangelho (v.12; 13,50; Rm 16,1-2.3-16 notas). Entre os convertidos de Tessalónica contam-se Aristarco e Segundo (19,29 nota; 20,4; Cl 4,10).
7
Os judeus de Tessalónica apresentam o cristianismo como um movimento de sedição, com um rei (basileus), rival da autoridade imperial (Lc 23,2 nota). O título preferido pelos cristãos para Jesus era o de Messias ou Senhor (2,36 nota), menos ambíguo para judeus e gentios.
17
Praça pública ("agorá", grego), lugar das discussões e do convívio dos cidadãos (v.19). Ver 2 Sm 15,2 nota; Sl 9,15 nota; Am 5,10 nota.
18
O epicurismo e o estoicismo eram então as correntes filosóficas mais cultivadas.
19
O Areópago é uma colina a oeste da Acrópole, em Atenas. Aí se reunia o grande Conselho da cidade-estado de Atenas, antes de o fazer na praça pública (v.17). Este encontro de Atenas mostra como o Evangelho é testemunhado perante as autoridades (4,8-12; 5,27-33).
22-34
O discurso de Paulo no Areópago é característico da sua pregação aos pagãos. Depois de um exórdio em que se refere ao Deus desconhecido, venerado pelos atenienses (v.22-23), Paulo sugere que esse é o Deus Criador e Providente por ele anunciado, que não pode ser equiparado a objectos materiais (v.24-29; 14,15-17 nota) e apresenta-lhes um resumo do Evangelho (v.30-31). Para ajudar os seus ouvintes a sair da ignorância (v.30), Paulo esforça-se por encontrar no paganismo analogias com a sua mensagem (v.23).
23
A fórmula ao Deus desconhecido era usada pelos gentios no plural. Adaptando-a à sua mensagem, Paulo prepara os ouvintes para a proclamação do Deus único e de Jesus Cristo, desculpando-se da acusação de pregar mais uma divindade estrangeira. A ignorância dos pagãos, em sentido bíblico, consiste em não conhecerem Deus (1 Sm 2,12 nota; Os 6,6 nota; Am 3,1-2 nota; Jo 4,10-15 nota; 1 Cor 15,34; Gl 4,8; Ef 4,17-19.18 nota; 1 Ts 4,5; 2 Ts 1,8).
28
A primeira frase é inspirada no poeta Epiménides (séc. VI a.C.). Nós somos da sua estirpe é da obra "Fenómenos" do poeta Aratos (séc. III a.C.), originário da Cilícia, aproximando o seu conteúdo da ideia bíblica de imagem de Deus (Gn 1,26-28 nota; Sb 2,22 nota; Sir 17,1-8.1 nota; 2 Cor 4,3-6 nota; Cl 1,15 nota). Também o estóico Cleanto (séc. III a.C.), no "Hino a Zeus", se exprime do mesmo modo.
30
A ignorância dos judeus vem do desconhecimento das profecias (3,17; 13,27); a dos pagãos, de não terem descoberto a Deus através da criação, caindo na idolatria (Sb 13,6-9 nota; Is 40,18-20).
31
A ressurreição de Jesus é afirmada como uma garantia da missão de juiz universal que lhe foi confiada por Deus (10,42 nota; Rm 14,1-12 nota).
34
Dionísio, o areopagita, personifica o intelectual convertido (v.4 nota; 13,12). Por isso, foram-lhe atribuídos, falsamente, escritos célebres (Pseudo-Dionísio, séc. V).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.