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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos 5

Fraude de Ananias e Safira

1 Um certo homem, chamado Ananias, com sua mulher, Safira, vendeu uma propriedade; 2 *mas desviou parte do preço, de acordo com a mulher e, trazendo o restante, depositou-o aos pés dos Apóstolos. 3 *Então Pedro perguntou-lhe: «Ananias, porque é que Satanás invadiu o teu coração, a ponto de te levar a mentir ao Espírito Santo e subtraíres uma parte do preço do terreno? 4 Não podias tu conservá-lo sem o vender? E, depois de o teres vendido, não podias dispor livremente do valor em teu poder? Como pudeste conceber semelhante plano no teu coração? Não foi aos homens que tu mentiste, mas a Deus.»
5 Ao ouvir tais palavras, Ananias caiu e expirou, e um grande terror se apoderou de todos os assistentes. 6 Os mais novos aproximaram-se para amortalhar o corpo e levaram-no a enterrar.
7 Cerca de três horas depois, entrou sua mulher, ignorando o que se passara. 8 Pedro perguntou-lhe: «Foi por tanto que vendestes o terreno?» Ela respondeu: «Sim, foi por esse preço.» 9 Pedro insistiu: «Porque combinaste pôr à prova o Espírito do Senhor? Aí estão à porta os pés daqueles que sepultaram o teu marido, e te hão-de levar a ti.» 10 No mesmo instante, caiu aos pés do Apóstolo e expirou. Os jovens, entrando, encontraram-na morta e, levando-a, sepultaram-na ao lado do marido. 11 *Então, um grande temor se apoderou de toda a Igreja e de todos quantos ouviram contar estes acontecimentos.

Milagres dos Apóstolos

12 *Entretanto, pela intervenção dos Apóstolos, faziam-se muitos milagres e prodígios no meio do povo. Reuniam-se todos no Pórtico de Salomão 13 e, dos restantes, ninguém se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo não cessava de os enaltecer.
14 Sempre em maior número, juntavam-se, em massa, homens e mulheres, acreditando no Senhor, 15 *a tal ponto que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e catres, a fim de que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. 16 A multidão vinha também das cidades próximas de Jerusalém, transportando enfermos e atormentados por espíritos malignos, e todos eram curados.

Prisão e libertação dos Apóstolos

17 Surgiu, então, o Sumo Sacerdote com todos os seus sequazes, isto é, o partido dos saduceus; encheram-se de inveja 18 e deitaram as mãos aos Apóstolos, metendo-os na prisão pública. 19 *Mas, durante a noite, o Anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, depois de os ter conduzido para fora, disse-lhes: 20 *«Ide para o templo e anunciai ao povo a Palavra da Vida.» 21 *Obedientes a essas ordens, entraram no templo de manhã cedo e começaram a ensinar.
Entretanto, chegou o Sumo Sacerdote com os seus sequazes; convocaram o Sinédrio e todo o Senado dos filhos de Israel e mandaram buscar os Apóstolos à cadeia.
22 Os guardas foram lá, mas não os encontraram na prisão e voltaram, declarando: 23 «Encontrámos a cadeia fechada com toda a segurança e os guardas de sentinela à porta, mas, depois de a abrirmos, não encontrámos ninguém no interior.» 24 Esta notícia pôs os sumos sacerdotes e o comandante do templo numa grande perplexidade acerca dos Apóstolos, e perguntavam a si próprios o que poderia significar tudo aquilo. 25 Veio, então, alguém comunicar-lhes: «Os homens que metestes na prisão estão agora no templo a ensinar o povo.» 26 O comandante do templo dirigiu-se imediatamente para lá com os guardas e trouxe os Apóstolos, mas não à força, pois receavam ser apedrejados pelo povo.
27 Trouxeram-nos, pois, e levaram-nos à presença do Sinédrio. O Sumo Sacerdote, interrogando-os, 28 *disse: «Proibimo-vos formalmente de ensinardes nesse nome, mas vós enchestes Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem.»
29 *Mas Pedro e os Apóstolos responderam: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. 30 O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem matastes, suspendendo-o num madeiro. 31 Foi a Ele que Deus elevou, com a sua direita, como Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. 32 E nós somos testemunhas destas coisas, juntamente com o Espírito Santo, que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem.»

Intervenção de Gamaliel

33 Enraivecidos com tal linguagem, pensaram a sério em matá-los. 34 *Ergueu-se, então, um homem no Sinédrio, um fariseu chamado Gamaliel, doutor da Lei, respeitado por todo o povo. Mandou sair os acusados por alguns momentos 35 e, tomando a palavra, disse:
«Homens de Israel, tende cuidado com o que ides fazer a esses homens!
36 *Nos últimos tempos, apareceu Teudas, que se dizia alguém e ao qual seguiram cerca de quatrocentos homens. Ele foi liquidado e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a nada. 37 *Depois dele, apareceu também Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo atrás dele. Morreu, igualmente, e todos os seus adeptos foram dispersos. 38 E, agora, digo-vos: não vos metais com esses homens, deixai-os. Se o seu empreendimento é dos homens, esta obra acabará por si própria; 39 mas, se vem de Deus, não conseguireis destruí-los, sem correrdes o risco de entrardes em guerra contra Deus.»
Concordaram, então, com as suas palavras.
40 Trouxeram novamente os Apóstolos e, depois de os mandarem açoitar, proibiram-lhes de falar no nome de Jesus e libertaram-nos. 41 *Quanto a eles, saíram da sala do Sinédrio cheios de alegria, por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus. 42 *E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa-Nova de Jesus, o Messias.

Notas

5, 2
Este episódio tem analogia com o pecado de Acan: nos dois casos há o extermínio dos culpados e uma lição para os outros (Js 7,1).
3
A falta dos esposos está em mentir ao Espírito Santo (v.9). O pôr os bens em comum era um gesto livre (4,32-35 nota), mas, simulando uma atitude de desprendimento em favor da comunidade, Ananias e Safira atentavam contra a verdade e contra o Espírito do Senhor, que reage soberanamente, manifestando assim a sua efectiva presença na comunidade (v.32). Sobre pecar contra o Espírito, ver Mt 12,31 nota; Mc 3,29 nota; Lc 12,10 nota.
11
O termo Igreja, ou comunidade dos fiéis, designa o grupo dos que acreditam em Jesus (9,31; 11,26; 20,28). O autor utiliza o termo "igreja", só depois de ter caracterizado o grupo dos primeiros discípulos como uma comunidade nascida da fé no Ressuscitado e no Espírito Santo. O termo ekklesia designava, no mundo grego, a assembleia deliberativa dos cidadãos; no mundo bíblico, indicava a reunião do povo israelita (7,38) e passou a designar a comunidade cristã (Mt 16,18 nota; Mc 3,16 nota).
12-16
Terceiro sumário, cujo tema é a actividade taumatúrgica dos Apóstolos (2,43; 4,33), fazendo-se eco da oração de 4,30. Os v.12b e 14 recordam o tema do primeiro sumário e quebram a sequência lógica dos v.12a.15.16. Ver 2,42-47 nota.
15
Ver 19,11-12.
19
O Anjo do Senhor. A expressão designa no AT o "enviado" de Deus, ou o mesmo Deus, que intervém em favor do seu povo (8,26 nota; 23,8 nota; Gn 22,16 nota; Jz 2,1 nota; 2 Sm 14,17 nota; Sl 8,6-7 nota; Dn 13,59 nota; Zc 1,11 nota; Mt 1,20 nota; Gl 3,19-21 nota; Heb 2,2 nota).
20
As palavras de Vida é uma expressão que sintetiza a pregação apostólica (3,15; 11,18; 13,26.46.48).
21
Senado é o mesmo que Sinédrio. No NT aparece só aqui, e trata-se de uma explicação para os não-judeus. Sobre o Sinédrio, ver Mt 5,22 nota; Mc 15,1 nota; Lc 22,66 nota.
28
O sangue desse homem, modo de indicar a responsabilidade pela morte de alguém (18,6; Mt 27,25 nota).
29-32
Estes versículos são um sumário da pregação apostólica, indicando os seus elementos essenciais (2,14 nota; 10,39).
34
Gamaliel - mestre de Paulo em Jerusalém (22,3 nota) - era um fariseu de tendência liberal na interpretação da Lei.
36
Teudas, segundo o historiador judeu Flávio Josefo, prometia aos seus partidários atravessar o Jordão a pé enxuto, como Josué, dizendo-se profeta.
37
Judas o Galileu comandou uma revolta dos judeus por motivo do recenseamento romano na época do nascimento de Jesus (Lc 2,1-2 nota). Esta revolta foi o ponto de partida do movimento zelota, que duraria muito tempo ainda.
41
O Nome equivalia a designar Deus (2,38 nota).
42
A Boa-Nova de Jesus: a Palavra pregada pelos discípulos (8,4.25.40; 14,7.15.21; 15,7; 20,24).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.