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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos 7

Discurso de Estêvão

1 *Depois, o Sumo Sacerdote perguntou-lhe: «Isso é verdade?» 2 Ele respondeu:
«Irmãos e pais, escutai! O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando ele estava na Mesopotâmia, antes de se ter estabelecido em Haran,
3 *e disse-lhe: 'Deixa a tua terra e a tua parentela e vai para a terra que te hei-de mostrar.' 4 *Abandonou, então, o país dos caldeus, e foi estabelecer-se em Haran. Daí, após a morte do pai, Deus fê-lo emigrar para esta terra que habitais agora. 5 *Não lhe deu aí propriedade alguma, nem mesmo um palmo de terra, mas prometeu-lhe a posse dela, a ele e, depois, à sua descendência, embora não tivesse sequer um filho. 6 *E Deus afirmou-lhe que a sua descendência habitaria em terra estranha, que a reduziriam à escravidão e que seria maltratada, durante quatrocentos anos. 7 *'Mas o povo de quem forem escravos, hei-de Eu julgá-lo, disse Deus. Depois disso, hão-de sair e prestar-me culto neste lugar.' 8 *Em seguida, deu-lhe a aliança da circuncisão. Foi assim que Abraão gerou Isaac e o circuncidou, ao oitavo dia. E Isaac fez o mesmo a Jacob, e Jacob aos doze patriarcas.
9 *Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no, a fim de ser levado para o Egipto. Mas Deus estava com ele: 10 *livrou-o de todas as provas e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egipto, que o nomeou governador desse país e de toda a sua casa. 11 *Veio depois a fome sobre todo o Egipto e sobre Canaã. A angústia era grande e os nossos pais não encontravam nada para comer.
12 *Ouvindo dizer que no Egipto havia trigo, Jacob mandou lá os nossos pais, uma primeira vez. 13 *À segunda vez, José deu-se a conhecer a seus irmãos e sua origem foi revelada ao Faraó. 14 *José mandou então buscar seu pai Jacob e toda a sua parentela, composta de setenta e cinco pessoas. 15 *Jacob desceu ao Egipto e lá morreu, assim como os nossos pais. 16 *Os seus corpos foram trasladados para Siquém e depositados no sepulcro que Abraão adquirira, por uma importância em prata, aos filhos de Emor, em Siquém.
17 Enquanto se aproximava o tempo em que deveria realizar-se a promessa feita por Deus a Abraão, o povo cresceu e multiplicou-se no Egipto, 18 *até que subiu ao trono do Egipto um novo rei, que não tinha conhecimento de José. 19 Usando de astúcia para com a nossa raça, esse rei perseguiu os nossos pais, até ao ponto de os fazer expor os recém-nascidos, para os privar da vida.
20 *Nessa altura nasceu Moisés, que era agradável aos olhos de Deus. Foi criado durante três meses em casa de seu pai. 21 Depois, tendo sido exposto, a filha do Faraó recolheu-o e criou-o como seu próprio filho. 22 *Moisés foi iniciado em toda a ciência dos egípcios, e era poderoso em palavras e obras.
23 *Quando completou os quarenta anos, veio-lhe ao espírito a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel. 24 *Ao ver um deles maltratado, tomou a sua defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio. 25 *Pensava que os seus irmãos compreenderiam ser Deus quem, por sua mão, lhes trazia a liberdade, mas não o compreenderam. 26 *No dia seguinte, apareceu a dois deles que lutavam, e pretendeu reconciliá-los, dizendo: 'Sendo irmãos, porque vos agredis um ao outro?' 27 Então, aquele que agredia o companheiro repeliu-o, dizendo: 'Quem te nomeou nosso chefe e nosso juiz. 28 Queres matar-me como ontem mataste o egípcio?' 29 *A essas palavras, Moisés fugiu e foi residir, como estrangeiro, para a terra de Madian, onde teve dois filhos.
30 *Ao fim de quarenta anos, apareceu-lhe um Anjo no deserto do monte Sinai, na chama de uma sarça ardente. 31 Perante essa aparição, Moisés ficou estupefacto e, aproximando-se para observar melhor, fez-se ouvir a voz do Senhor: 32 'Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob.' A tremer, Moisés não ousava erguer os olhos. 33 Então, o Senhor disse-lhe: 'Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa. 34 Eu vi a angústia do meu povo no Egipto, ouvi os seus gemidos e desci para o libertar. E, agora, vem cá, pois vou mandar-te ao Egipto.'
35 *Este Moisés, que eles renegaram, dizendo: 'Quem te nomeou chefe e juiz', é este que foi enviado por Deus como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça. 36 *Foi ele que os fez sair do Egipto, realizando prodígios e milagres na terra do Egipto, no Mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos. 37 *Foi ele, Moisés, quem disse aos filhos de Israel: 'Deus fará surgir um profeta como eu, entre os vossos irmãos.' 38 *Foi ele que, durante a assembleia no deserto, esteve entre o Anjo, que lhe falava no monte Sinai, e os nossos pais; foi ele que recebeu as palavras de vida, para no-las transmitir.
39 *Foi a ele que os nossos pais se recusaram a obedecer, antes o repeliram, voltando em seus corações ao Egipto 40 *e dizendo a Aarão: 'Faz-nos deuses que marchem à nossa frente, pois desse Moisés que nos fez sair do Egipto, não sabemos o que foi feito dele.' 41 *E, nesses dias, construíram um bezerro, ofereceram um sacrifício ao ídolo e festejaram alegremente a obra das suas próprias mãos. 42 *Deus, então, afastou-se deles e entregou-os ao culto do exército celeste, como está escrito no Livro dos Profetas:
'Oferecestes-me, porventura, vítimas e sacrifícios
durante quarenta anos, no deserto, ó Casa de Israel?

43 Vós transportastes a tenda de Moloc
e a estrela do deus Refan,
imagens que fizestes para as adorar!
Por isso, exilar-vos-ei para além
da Babilónia.'
44 *Os nossos pais tinham no deserto a tenda do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que a construísse de harmonia com o modelo por ele visto. 45 *Foi precisamente essa tenda que os nossos pais receberam e introduziram, sob o comando de Josué, no território conquistado aos povos que Deus expulsou na sua frente, e assim se manteve até aos dias de David. 46 *Este achou graça diante de Deus e pediu para edificar uma habitação ao Deus de Jacob. 47 *Foi, porém, Salomão quem lhe construiu uma casa. 48 *Mas o Altíssimo não habita em casas erguidas pela mão do homem, como diz o profeta:
49 *'O Céu é o meu trono
e a Terra, estrado dos meus pés.
Que casa me haveis de construir, diz o Senhor,
e qual será o lugar do meu repouso?

50 Não foi a minha mão que fez todas as coisas?'
51 *Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, sempre vos opondes ao Espírito Santo; como foram os vossos pais, assim sois vós também. 52 *Qual foi o profeta que os vossos pais não tenham perseguido? Mataram os que predisseram a vinda do Justo, a quem traístes e assassinastes, 53 *vós, que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos, mas não a guardastes!»

Martírio de Estêvão

54 Ao ouvirem tais palavras, encheram-se intimamente de raiva e rangeram os dentes contra Estêvão. 55 Mas este, cheio do Espírito Santo e de olhos fixos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé, à direita de Deus. 56 *«Olhai, disse ele, eu vejo o Céu aberto e o Filho do Homem de pé, à direita de Deus.» 57 Eles, então, soltaram um grande grito e taparam os ouvidos; depois, à uma, atiraram-se a ele 58 *e, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo.
As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo.
59 *E, enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito.» 60 Depois, posto de joelhos, bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado.» Dito isto, adormeceu.

Notas

7, 1
O discurso de Estêvão é o mais longo e um dos mais significativos dos Actos. Apresenta-se como uma retrospectiva da História de Israel. As palavras de Estêvão tornam-se uma censura contra Israel (v.52-53), por este povo ter resistido ao Espírito Santo (v.51), e contra o templo, por ter sido injustamente sobrevalorizado (v.48).
3
Ver Gn 11,31-12,1.
4
Ver Gn 12,1.5.
5
Ver Gn 12,7; 13,15; 15,18.
6
Ver Gn 15,13 nota.
7
Estêvão diz neste lugar, em vez de "nesta montanha", referindo-se a Jerusalém e ao templo (6,13.14; 21,28).
8
Ver Gn 17,10-14; 21,4.
9
Ver Gn 37,11.28.
10
Ver Gn 39,2.3.21.23; 41,38-40.
11
Ver Gn 41,54; 42,5.
12
Ver Gn 42,1-2.
13
Ver Gn 45,3-4.16.
14
Ver Gn 45,9-11.18-19; 46,26-27 nota.
15
Ver Gn 46,5-6; 49,33.
16
Segundo outra tradução, Emor era pai de Siquém. O versículo confunde a gruta de Macpela comprada por Abraão (Gn 23,2-20) com o campo adquirido por Jacob em Siquém (Gn 33,18-19), o mesmo sucedendo com a sepultura de Jacob em Macpela (Gn 50,7-13) com a de José em Siquém (Js 24,32). Isto deve-se talvez a uma tradição oral samaritana.
18
Ver Ex 1,7-8.10-11.22.
20
Ver Ex 2,2-10.
22
Moisés teria sido iniciado na sabedoria do Egipto; esta comportava para os contemporâneos de Estêvão a magia e as ciências ocultas (Ex 7,11.12.22). Poderoso em palavras e obras, expressão análoga à dos discípulos de Emaús acerca de Jesus (Lc 24,19).
23
A tradição judaica dividia a história de Moisés em períodos de quarenta anos (v.30; Ex 2,11 nota; 7,7; Dt 34,7).
24
Ver Ex 2,11-12.
25
Moisés é apresentado como uma prefiguração de Jesus (v.22): é o grande profeta (v.37; 3,22); portador de salvação (v.25); chefe e libertador (v.35); realiza sinais e prodígios (v.36); situa-se entre Deus e o povo (v.38); confronta-se com a oposição de Israel (v.27). Ver Dt 18,15.18-19.
26-28
Moisés foi rejeitado (v.35.39), como o será também Jesus (3,13.14; Lc 12,14). Ver Ex 2,13-14.
29
Ver Ex 2,15.
30-34
O texto segue de perto a manifestação de Deus a Moisés no Horeb (Ex 3,1-10.1 nota; Dt 1,2 nota).
35
Ver Ex 2,14.
36
Como prefiguração de Jesus, Moisés também opera sinais e prodígios (v.22.25 notas; 2,22 nota; Ex 7,3; 14,21).
37
Ver 3,22 nota; Dt 18,15-18.
38
O papel de intermediário de Moisés evoca a mediação de Jesus (v.25.53; Gl 3,19-21 nota; Heb 2,2 nota). Palavras de vida, formulação que sublinha o respeito de Estêvão pela Lei, inserindo-se na mesma linha da pregação apostólica (5,20; 13,26; Lc 10,26-28); daí o exagero dos seus acusadores (6,11.13.14). A assembleia (ekklesia) refere-se à convocação do povo no deserto (5,11 nota; Ex 12,16; 19,1-15; 20,1-17).
39
Ver Ex 16,3; Nm 14,3; Ez 20,8-14.
40
Ver Ex 32,1.23.
41
Ver Ex 32,4-6.
42-43
O culto do exército celeste refere-se aos astros, de que também fala a citação seguinte (v.43). O texto de Am 5,25-27 (grego) fala da idolatria em Israel (Dt 4,19; 17,3; 1 Rs 12,25-30.31-33 notas; Is 57,3 nota; Jr 8,2; 19,13; Hab 2,18-19 nota; Sf 1,4-6 nota). O texto prepara o discurso um pouco modificado por Estêvão, centrado no lugar santo (v.44-50).
44
Ver Ex 25,9.40; 27,21.
45
Ver Js 3,14-17; 23,9; 24,18.
46
Ver 2 Sm 7,12-16; Sl 132,1-5.
47
Ver 1 Rs 6,1.14; 8,19-20.
48
A reserva de Estêvão contra o culto do templo por parte dos judeus encontra-se na mesma linha dos profetas e da pregação de Paulo contra os templos pagãos (17,24) e contra os ídolos (17,29; 19,26).
49-50
Ver Is 66,1-2.
51
A incircuncisão de coração consistia em não escutar o Espírito Santo que falava por Moisés e pelos profetas (v.52) e, agora, pelos pregadores do Evangelho (v.55; Ex 6,12 nota; 33,3.5; Lv 26,41; Dt 10,16 nota; Is 6,4-5 nota; Jr 4,4 nota; 6,10; 9,25; 31,33-34 nota; Sf 3,9-10 nota; Rm 2,25-29 nota).
52
Ver 2 Cr 36,16; Mt 23,34-35 nota.
53
Ver 5,19 nota; Dt 34,6 nota; Gl 3,19-21 nota; Heb 2,2 nota; Jd 9 nota.
56
O Filho do Homem: única menção deste título, fora dos Evangelhos e feita por alguém que não é o próprio Jesus; é clara a alusão às palavras do Senhor durante o seu processo (Lc 22,69-70 nota). Sobre a expressão, ver Ez 2,1 nota; Dn 7,13 nota; Mt 8,19-24 nota; Mc 2,10 nota.
58
Primeira referência a Saulo. Paulo recordará duas vezes a sua participação no martírio de Estêvão (22,20; 26,10; Dt 17,6-7), facto que o deve ter marcado e impelido à conversão (14,19).
59-60
As palavras de Estêvão são dirigidas a Jesus e recordam as que Ele pronunciou na cruz (Lc 23,34.46 notas). O primeiro mártir é apresentado como um discípulo fiel do Senhor.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.