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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Romanos

Romanos 1

INTRODUÇÃO<br>(1,1-17)

Apresentação e saudação

1 *Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado a ser Apóstolo, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus, 2 que Ele de antemão prometera por meio dos seus profetas, nas santas Escrituras, 3 *acerca do seu Filho, nascido da descendência de David segundo a carne, 4 constituído Filho de Deus em poder, segundo o Espírito santificador pela ressurreição de entre os mortos, Jesus Cristo Senhor nosso; 5 por Ele recebemos a graça de sermos Apóstolos, a fim de, em honra do seu nome, levarmos à obediência da fé todos os gentios, 6 entre os quais estais também vós, chamados a ser de Cristo Jesus; 7 a todos os amados de Deus que estão em Roma, chamados a ser santos: graça e paz a vós, da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo!

Oração pelos cristãos de Roma

8 *Antes de mais, dou graças ao meu Deus por todos vós, por meio de Jesus Cristo, pois a vossa fé é proclamada em todo o mundo. 9 Pois Deus - a quem presto culto no meu espírito, anunciando o Evangelho do seu Filho - me é testemunha de como constantemente me lembro de vós, 10 pedindo sempre nas minhas orações que tenha, finalmente, ocasião de ir ter convosco; assim Deus o queira.
11 É que eu anseio por vos ver, para vos comunicar algum dom espiritual e assim vos fortalecer, 12 ou antes, para, estando convosco, ser reconfortado pela fé que nos é comum, a vós e a mim.
13 Não quero que ignoreis, irmãos, que muitas vezes me propus ir ter convosco - do que tenho sido impedido até agora - a fim de também entre vós obter algum fruto, do mesmo modo que entre os restantes gentios. 14 *Tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes eu sou devedor. 15 Daí o propósito que tenho de também vos anunciar o Evangelho, a vós que estais em Roma.

O Evangelho, tema da Carta

16 *Eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é poder de Deus para a salvação de todo o crente, primeiro o judeu e depois o grego. 17 *Pois nele a justiça de Deus revela-se através da fé, para a fé, conforme está escrito: O justo viverá da fé.

I. O EVANGELHO QUE NOS DÁ A SALVAÇÃO<br>(1,18-11,36)

Pecado dos pagãos

18 De facto, a ira de Deus, vinda do céu, revela-se contra toda a impiedade e injustiça dos homens que, com a injustiça, reprimem a verdade. 19 Porquanto, o que de Deus se pode conhecer está à vista deles, já que Deus lho manifestou. 20 Com efeito, o que é invisível nele - o seu eterno poder e divindade - tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras.
Por isso, não se podem desculpar.
21 Pois, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram nem lhe deram graças, como a Deus é devido. Pelo contrário: tornaram-se vazios nos seus pensamentos e obscureceu-se o seu coração insensato. 22 Afirmando-se como sábios, tornaram-se loucos 23 e trocaram a glória do Deus incorruptível por figuras representativas do homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis.
24 Por isso é que Deus, de acordo com os apetites dos seus corações, os entregou à impureza, de tal modo que os seus próprios corpos se degradaram. 25 Foram esses que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que veneraram as criaturas e lhes prestaram culto, em vez de o fazerem ao Criador, que é bendito pelos séculos! Ámen.
26 Foi por isso que Deus os entregou a paixões degradantes. Assim, as suas mulheres trocaram as relações naturais por outras que são contra a natureza. 27 E o mesmo acontece com os homens: deixando as relações naturais com a mulher, inflamaram-se em desejos de uns pelos outros, praticando, homens com homens, o que é vergonhoso, e recebendo em si mesmos a paga devida ao seu desregramento.
28 E como não julgaram por bem manter o conhecimento de Deus, entregou-os Deus a uma inteligência sem discernimento. E é assim que fazem o que não devem: 29 estão repletos de toda a espécie de injustiça, perversidade, ambição, maldade; cheios de inveja, homicídios, discórdia, falsidade, malícia; são difamadores, 30 maldizentes, inimigos de Deus, insolentes, orgulhosos, arrogantes, engenhosos para o mal, rebeldes para com os pais, 31 estúpidos, desleais, inclementes, impiedosos.
32 Esses, muito embora conheçam o veredicto de Deus de que são dignos de morte os que tais coisas praticam não só as fazem, como até aprovam os que as praticam.

Notas

1, 1-7
A Carta começa, como era hábito na época, com a indicação do remetente, Paulo (v.1), e dos destinatários (v.7) e com uma saudação (v.7). Tudo isto é relacionado com o Evangelho, resumido nos v.2-4 (Mc 1,1 nota.14-15). Assim, foi pela salvação de Deus em Cristo, presente no Evangelho, que Paulo foi chamado ao apostolado (v.1.5; 15,14-21 nota; Jz 6,15 nota; Is 6,4 nota; 49,1; Jr 1,4-19 nota; Ez 2,3.8-10 nota; Act 22,21-22 nota; 1 Cor 9,1-4 nota; 15,6-10 nota; 2 Cor 4,3-6 nota; Gl 1,15-17; Fl 3,7-11) e os romanos chamados a serem cristãos, a participar da santidade de Deus (v.6-7; 1 Cor 1,2 nota; 2 Cor 1,1; Ef 1,1; Fl 1,1; Cl 1,2). É do Evangelho que vêm a graça e a paz (v.7; 1 Cor 1,3; 2 Cor 1,2; Gl 1,3; Ef 1,2; Fl 1,2; Flm 3).
3-4
Nascido da descendência de David segundo a carne, constituído Filho de Deus segundo o Espírito era, provavelmente, uma confissão de fé anterior a Paulo, em que se reconhece Jesus como Messias (Filho de David: 1 Sm 2,1-10 nota; 2 Sm 7,1 nota; Is 11,10-16 nota; Zc 3,8 nota; Mt 1,1-16 nota; 22,41-45 nota; Lc 1,78 nota; 2 Tm 2,8 nota): crucificado, assumiu a debilidade da nossa condição humana até ao extremo da morte (Fl 2,6.7.8 notas); ressuscitado, por acção do Espírito Santo, participa plenamente do poder de Deus (Act 2,34-36 nota; 3,13 nota; Fl 2,9-11).
8-17
Unido a Deus, pela acção de graças (v.8) e a prece (v.9-10), Paulo entra em relação com os cristãos de Roma (1 Cor 1,4-9.4 nota; Fl 1,3-11 nota; 1 Ts 1,2-10.2 nota).
14
Grego ou bárbaro refere-se à língua e cultura helenístico-romana. A distinção judeu e grego (v.16) é de ordem religiosa.
16-17
A partir de agora, o Evangelho que o Apóstolo anuncia inclui: a) A manifestação da salvação ou justiça de Deus. Justiça é o que está de acordo com a vida ou a ordem necessária à vida. Como toda a vida depende de Deus, o ser humano só pode ser justo quando está em comunhão ou aliança com Deus e, nele, em comunhão com os outros (Ex 20,2-17; Dt 5,6-21; Pr 1,3 nota; Sb 1,1 nota; Mt 3,15 nota; 6,1 nota; Lc 6,21 nota). A maior manifestação da justiça de Deus deu-se na morte e ressurreição do seu Filho: no amor de quem dá a vida por nós e nos permite entrar em união com Ele, para sermos justos (3,21-31 nota; 1 Cor 1,29-30 nota; 2 Cor 5,18-21 nota). b) A fé, e não a Lei, como meio de salvação (3,27 nota; Act 21,21 nota; Gl 2,16-17 nota; 3,1-26.10-14 nota; Fl 3,9; Tg 2,14-26 nota). É que, sem o Espírito que nos liberta do pecado, não estamos em condições de cumprir a Lei (7,1-6 nota.17). Ora, o Espírito de Deus só o podemos receber quando nos deixamos conquistar pelo seu amor, manifestado na morte de Cristo por nós e revelado no Evangelho (3,21-4,25). Assim é que a justiça de Deus nos vem da fé. c) A universalidade da salvação. Se Cristo morreu por todos, é por isso que o Evangelho é anunciado a todos: aos judeus, que para isso foram preparados na História da Salvação anterior a Cristo (9,1-5 nota), e aos gregos, em que estão incluídos todos os gentios. Sobre a universalidade da salvação, ver 1 Rs 8,23-53 nota; Sir 18,13 nota; Is 19,16-25 nota; Dn 3,4 nota; Jn 4,1.11 notas; Zc 14,20-21 nota; Mt 5,45-48 nota; 8,11-12 nota; Mc 4,30-32 nota; Lc 2,14 nota; 7,2 nota; Jo 21,1-14 nota; Act 2,4 nota; 8,1-4 nota.
17
O que é justo... Sb 3,1-3.6 notas; Hab 2,2-4 nota; Gl 3,10-14 nota; Heb 10,38. A fé é a fonte da vida. Paulo vê a fé na salvação de Deus em Cristo como um meio para receber a justiça de Deus: o que é justo pela fé (e não pelas obras da Lei) esse viverá.
18-32
Sem Cristo, a única fonte da salvação (v.16-18), toda a humanidade está perdida: pagãos (v.18-32) e judeus (2,1-3,20). O drama dos pagãos é descrito à maneira de um processo jurídico, e dele faz parte: a) A sentença dada por Deus (v.18), a condenação do pecado (a ira divina: Sl 90,11; Sb 19,1-2 nota; Is 66,5-6.14-16), cometido contra Ele (impiedade) e contra as pessoas (injustiça), que impede de se conhecer a verdade sobre Deus. b) O fundamento do julgamento divino (v.19-23): a culpa das pessoas. Em vez de reconhecerem o Criador, fizeram-se, pela idolatria, escravos das criaturas (Ex 34,15 nota; Dt 4,15-18; Jz 2,17 nota; Sl 106,20; Sb 13,1-9; 14,12-14 nota.22-31; Is 1,21 nota; Jr 2,11.20 nota; Ez 16,15-19 nota; Os 1,2-9 nota; Am 4,4-5 nota; Mc 8,38 nota; Jo 8,41 nota; Act 17,22-31 nota; Ef 4,17-19). c) As consequências morais do pecado, a três níveis: redução do corpo humano a mero objecto de prazer (v.24-25; 1 Cor 6,15-20 nota); homossexualidade feminina e masculina (v.26-27; Lv 18,18 nota.22; 1 Cor 6,9-10 nota); todos os vícios que destroem as relações humanas (v.28-31; Sb 14,12-14 nota.22-26; Mt 5,31-32 nota; Act 15,19-20 nota; 1 Cor 5,9-12 nota; 6,9-10 nota; 2 Cor 12,19-21 nota; Gl 5,16-17 nota.9-21; Cl 3,5-8 nota; 2 Tm 3,2-5 nota). d) A concluir (v.32), a gravidade do pecado cometido tem como castigo a morte (6,23).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.