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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Mateus

São Mateus 6

A esmola

1 *«Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu.
2 *Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. 3 Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, 4 a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.»

A oração

5 «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6 Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
7 *Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. 8 Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lho pedirdes.»

O Pai-Nosso (Lc 11,2-4)

9 *«Rezai, pois, assim:
'Pai nosso, que estás no Céu,
santificado seja o teu nome,
10 *venha o teu Reino;
faça-se a tua vontade,
como no Céu, assim também na terra.
11 *Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia;
12 *perdoa as nossas ofensas,
como nós perdoámos a quem nos tem ofendido;
13 *e não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do Mal.'
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. 15 Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas.»

O jejum

16 *«E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18 para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.»

O tesouro no céu (Lc 11,34-36; 12,33-35)

19 Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. 20 Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
22 *A lâmpada do corpo são os olhos; se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo andará iluminado. 23 Se, porém, os teus olhos estiverem doentes, todo o teu corpo andará em trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas! 24 *Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»

Confiança na Providência (Lc 12,22-31)

25 «Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? 26 Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas?
27 Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
28 Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! 29 Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. 30 *Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?
31 Não vos preocupeis, dizendo: 'Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?' 32 Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. 33 Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. 34 Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.»

Notas

6, 1
A expressão boas obras traduz a palavra justiça, e esta designa a fidelidade na observância das três práticas fundamentais da religião judaica: a esmola, a oração e o jejum. Jesus condena a vã ostentação na prática dessas obras, não o bom exemplo (3,15 nota; 5,16; 23,5). Sobre a justiça, ver Pr 1,3 nota; 11,1 nota; Sb 1,1 nota; Lc 6,21 nota.
2
O termo hipócrita designa a pessoa cujos actos não correspondem ao seu pensamento (v.2.5.16; 15,7; 22,18; 23,13); mas, conforme o contexto, pode assumir um sentido mais forte ainda: ímpio, perverso. Jesus recomenda a verdade e unidade interior da pessoa na manifestação da piedade.
7
O texto refere-se às repetições de palavras e fórmulas mágicas com que os pagãos julgavam poder pressionar a divindade (1 Rs 18,27-28), e a que os judeus não ficaram estranhos (Sir 7,14; Is 1,15). O erro de tal oração consistia, não em ser longa, mas em pretender demover Deus com essa atitude.
9
A oração do discípulo - o Pai-Nosso - é transmitida por Mt e por Lc sob formas diferentes. A versão de Lucas é mais breve, sendo constituída por cinco petições em vez das sete de Mt. Não se sabe qual das duas formas é a mais antiga; mas ambas adaptam a oração ensinada pelo Senhor ao meio particular da comunidade respectiva. Tal oração tem pontos de contacto com as orações judaicas, mas também apresenta elementos originais: a simplicidade, a confiança filial com que Deus Pai é invocado e a coerência intrínseca com o ensinamento de Jesus. A formulação das petições no plural indica o carácter comunitário do "Pai-Nosso". Pai nosso, que estás no Céu é expressão de sabor semita, que não pretende localizar o Pai (Mc 14,36 nota); afirma que Deus, Senhor do próprio Céu, está simultaneamente próximo de nós. Um outro modo de traduzir a riqueza da expressão seria "Pai celeste, nosso Pai" e que estaria de acordo com as fórmulas de Mt sobre "meu Pai, que está no Céu" (7,21; 10,32.33; 12,50; 16,17; 18,10.19) e "vosso Pai, que está no Céu" (v.1.9; 5,16.45; 7,11; 18,14). Ver 3,2 nota. Santificado seja o teu Nome, expressão frequente na Bíblia e no judaísmo. Não quer dizer que se possa acrescentar alguma coisa à santidade de Deus; mas deseja-se que se manifeste aquilo a que Deus tem direito: glória, obediência, justiça, santidade. Segundo os rabinos, o nome de Deus era santificado, reconhecendo-se a sua autoridade mediante a obediência aos seus mandamentos (Lv 22,32; Dt 32,51); para os profetas, mais atentos ao espírito da Lei, a santificação do nome de Deus consistia na manifestação de Deus como Juiz e Salvador (Is 5,16; Ez 20,41; 36,23).
10
Venha o teu Reino. Esse Reino não é separável da pessoa de Jesus; e ansiar por ele faz parte da consciência do discípulo (3,2 nota). Faça-se a tua vontade. A fórmula indica uma acção própria de Deus, mas que envolve a pessoa humana. O reino do Céu assenta na adesão das pessoas à vontade de Deus: desde já, pelo cumprimento dos seus mandamentos (v.33; 5,17-20; 7,21.24-27); e, no fim dos tempos, mediante o acordo da vontade humana com a divina (Jr 31,31-33; Ez 36,27). Como na oração de Jesus em Getsémani (26,42), esta petição não traduz resignação, mas um apelo a que Deus torne palpável a realização da sua soberana vontade como no Céu, assim também na terra.
11
O nosso pão de cada dia. Está de acordo com o convite de Jesus aos discípulos (v.25-34) de pedirem cada dia o alimento, na certeza de que Deus providenciará, como o fez com o maná do deserto (Ex 16,14.31 notas; Sb 16,20-21 nota).
12
Perdoa as nossas ofensas exprime o reconhecimento da condição de pecador por parte do ser humano, que necessita da graça e do perdão de Deus. E, como os deveres para com Deus não são separáveis dos deveres para com o próximo, aquele perdão é posto em ligação profunda com o perdão concedido pelo discípulo aos irmãos (v.14-15; 5,7; 18,23-35). O perdão fraterno não constitui um direito ao perdão divino, mas é testemunho da sinceridade do pedido e da oração.
13
A tentação é vista, não como prova a que Deus submete os justos do AT, mas como prova em que o poder de Satanás procura perder o discípulo (4,1-11; 26,41; Lc 22,40). Na mesma petição, o sentido impessoal de mal não traduz o drama da luta humana com Satanás. Numerosos manuscritos acrescentam uma fórmula litúrgica antiga: "Porque vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre".
16
O jejum, cultual ou facultativo, era uma prática frequente dos judeus piedosos. Jesus não atribui grande importância ao jejum como tal, mas sim à perda do seu sentido primitivo, ou seja, à disponibilidade total diante de Deus, do qual tudo se espera (4,2; Ex 34,28; Act 13,2-3; 27,9-44 nota).
22-23
A contraposição entre olhos sãos e doentes serve para pôr em relevo a integridade da pessoa do discípulo: fixo somente em Deus e na sua Lei, o seu olhar ilumina toda a existência. A falta de luz espiritual é uma cegueira pior do que a falta de visão física.
24
Jesus não condena o uso dos bens terrestres, mas a idolatria dos mesmos (Lc 16,13).
25
As palavras de Jesus não são um convite à preguiça, mas sim à confiança filial no Pai do Céu, a qual deve exprimir-se e alimentar-se na oração (v.11; 7,7-11).
30
Homens de pouca fé, expressão cara a Mt (8,26 nota; 14,31; 16,8; 17,20-21), proveniente da mais antiga tradição. Na boca de Jesus, salienta o perigo da incredulidade para os discípulos que se deixam dominar pelos cuidados ou pelo medo.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.