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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

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São Mateus

São Mateus 15

Puro e impuro: Jesus e as tradições judaicas (Mc 7,1-23; Lc 11,37-41)

1 Aproximaram-se, então, de Jesus alguns fariseus e doutores da Lei, vindos de Jerusalém e disseram-lhe: 2 *«Porque transgridem os teus discípulos a tradição dos antigos? Pois não lavam as mãos antes das refeições.» 3 Replicou-lhes: «E vós, porque transgredis o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? 4 *Deus, com efeito, disse: Honra teu pai e tua mãe. E ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido de morte. 5 *Mas vós dizeis: 'Seja quem for que diga a seu pai ou a sua mãe: Os meus bens, de que poderias beneficiar, são oferta sagrada', 6 esse já não está obrigado a socorrer o pai ou a mãe. E assim, em nome da vossa tradição, anulastes a palavra de Deus. 7 *Hipócritas! Muito bem profetizou Isaías a vosso respeito, ao dizer:
8 *Este povo honra-me com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim.

9 É vão o culto que me presta,
ensinando doutrinas
que são preceitos humanos.»


10 *Jesus chamou, depois, a multidão para junto de si e disse-lhes: «Escutai e tratai de compreender! 11 *Não é aquilo que entra pela boca que torna o homem impuro; o que sai da boca é que torna o homem impuro.» 12 *Os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Sabes que os fariseus ficaram escandalizados, por te ouvirem falar assim?»
13 Ele respondeu: «Toda a planta que não tenha sido plantada por meu Pai celeste será arrancada. 14 Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão nalguma cova.»
15 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Explica-nos esta parábola.» 16 Jesus respondeu-lhes: «Também vós não sois ainda capazes de compreender? 17 Não sabeis que tudo aquilo que entra pela boca passa para o ventre e é expelido em lugar próprio? 18 Mas o que sai da boca provém do coração; e é isso que torna o homem impuro. 19 *Do coração procedem as más intenções, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias. 20 É isto que torna o homem impuro. Mas comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro.»

A fé de uma cananeia (Mc 7,24-30)

21 Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22 *Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» 23 Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.» 24 Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»
25 Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26 Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27 Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» 28 Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

Curas junto do lago (Mc 7,31-37)

29 Partindo dali, Jesus foi para junto do mar da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se. 30 Vieram ter com Ele numerosas multidões, transportando coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés. Ele curou-os, 31 *de modo que as multidões ficaram maravilhadas ao ver os mudos a falar, os aleijados escorreitos, os coxos a andar e os cegos com vista. E davam glória ao Deus de Israel.

Jesus alimenta quatro mil pessoas (14,13-21; Mc 6,34-44; 8,1-9; Lc 9,10-17; Jo 6,1-14)

32 Jesus, chamando os discípulos, disse-lhes: «Tenho compaixão desta gente, porque há já três dias que está comigo e não tem que comer. Não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam pelo caminho.» 33 Os discípulos disseram-lhe: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» 34 Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Responderam: «Sete, e alguns peixinhos.»
35 Ordenou à multidão que se sentasse. 36 Tomou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os e dava-os aos discípulos, e estes, à multidão. 37 *Todos comeram e ficaram saciados; e, com os bocados que sobejaram, encheram sete cestos. 38 Ora, os que comeram eram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças.
39 *Depois de ter despedido a multidão, Jesus subiu para o barco e veio para a região de Magadan.

Notas

15, 2
A tradição dos antigos. Trata-se do conjunto de comentários da Lei transmitidos oralmente nas escolas rabínicas e que mais tarde foram fixados na Michná e no Talmude (Mc 7,3 nota). Mc 7,8 chama-lhes tradições dos homens (v.3.6; Mc 7,9.13). De entre elas, os fariseus do tempo de Jesus atribuíam grande importância à purificação das mãos antes e depois das refeições, gesto com origem provavelmente no culto israelita (v.11 nota; Ex 30,18-21; Dt 21,6).
4
Ver 19,19; Ex 20,12; 21,17; Dt 5,16.
5
Oferta sagrada. Lit., Qorban; significa oferta a Deus (Ez 20,28). A prática de subtrair aos familiares bens para oferecer a Deus era objecto de crítica, já antes de Jesus, porque punha em causa o sentimento da solidariedade familiar, muito vivo entre os judeus (Ex 20,12; Lv 20,9 nota; Dt 5,16; Mc 7,10-11 nota; Ef 6,2).
7
Hipócritas: ver 6,2 nota.
8-9
Ver Is 29,13.
10
Escutai. Ver 13,51-52 nota.
11
A questão do puro e impuro aprofunda a instrução sobre as abluções (v.1-9). Era tema de importância capital no judaísmo palestinense do tempo de Jesus (Gn 7,2 nota; Lv 11,1 nota; Os 9,4 nota; Am 7,17 nota; Mc 7,3 nota.14-23). Enquanto as precauções rituais dos judeus se destinavam a proteger as pessoas de impurezas provenientes do exterior, Jesus afirma que o mal está naquilo que as pessoas pensam, dizem (v.18) ou fazem (v.19). Ver 5,8 nota; Mc 7,15 nota.
12-14
Escandalizados. Estes versículos são próprios de Mt, encontrando eco em Lc 6,39. Jesus censura os fariseus por eles não quererem ver e as suas obras não serem sinal de que pertencem à "plantação" do Pai. Este tema foi desenvolvido no AT com as imagens da vinha (5,29-30 nota; Is 5,1-7.1 nota; Ez 19,10-14 nota; Os 10,1).
19
As listas ou catálogos de vícios e de virtudes, frequentes no mundo judaico e fora dele, encontram eco no NT em diversas passagens (Mc 7,21-22; Rm 1,29-30; 1 Cor 6,9-10 nota; Gl 5,19-23; Cl 3,5-8 nota; 1 Pe 4,3).
21
Tiro e Sídon, expressão com valor teológico, para dizer que as nações pagãs também vão ter parte na missão de Jesus (11,21 nota).
22-24
Cananeia. Mt pressupõe que se trata de uma pagã que teria ouvido falar de Jesus, propondo a exemplaridade da sua fé, em contraste com as estéreis discussões dos fariseus. A resposta de Jesus faz eco da instrução dada aos discípulos (10,6). De facto, numa primeira etapa, veio anunciar o Evangelho aos judeus, para que os discípulos o levassem a todos os povos, após a sua morte e ressurreição (8,5-13; 28,16-20; Mc 16,15; Lc 24,47; Act 1,8).
31
Ver 11,4-5.
32-39
Esta segunda narração da multiplicação dos pães é menos decalcada na instituição da Eucaristia e dá relevo à compaixão de Jesus e à fome da multidão. Situada na margem oriental do lago e referindo-se ao número de sete cestos, a narração deve ter tido origem em ambiente cristão não-judaico.
37
O número sete sublinha simbolicamente a perfeição do milagre e poderia evocar a instituição dos sete diáconos, escolhidos para servir às mesas (Act 6,2-6.5 nota). Sobre o número sete, ver Ex 23,10-11 nota; Dn 4,13 nota.
39
Magadan é uma localidade desconhecida, como Dalmanuta (Mc 8,10).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.