São Mateus 26
III. PAIXÃO E RESSURREIÇÃO<br>(26-28; ver Mc 14-16; Lc 22-24; Jo 18-20)
Conspiração dos judeus (Mc 14,1-2; Lc 22,1-2; Jo 11,45-53)
1 *Tendo acabado todos estes discursos, Jesus disse aos discípulos: 2 «Como sabeis, a Páscoa é daqui a dois dias, e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.»3 *Então, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no palácio do Sumo Sacerdote, que se chamava Caifás, 4 e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. 5 Diziam, porém: «Que não seja durante a festa, para não haver alvoroço entre o povo.»
Unção de Betânia (Mc 14,3-9; Lc 7,36-50; Jo 12,1-11)
6 *Jesus encontrava-se em Betânia, em casa de Simão, o leproso. 7 Enquanto estava à mesa, aproximou-se dele uma mulher, que trazia um frasco de alabastro com um perfume de alto preço e derramou-lho sobre a cabeça. 8 Ao verem isto, os discípulos ficaram indignados e disseram: «Para quê este desperdício? 9 Podia vender-se por bom preço e dar-se o dinheiro aos pobres.»10 Jesus apercebeu-se de tudo e disse: «Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa acção para comigo. 11 Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis. 12 *Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura. 13 Em verdade vos digo: Em qualquer parte do mundo onde este Evangelho for anunciado, há-de também narrar-se, em sua memória, o que ela acaba de fazer.»
Traição de Judas (Mc 14,10-11; Lc 22,3-6; Jo 6,70-71)
14 Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 *e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata.16 E, a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
Ceia Pascal (26,17-35)
Preparação da Ceia Pascal (Mc 14,12-16; Lc 22,7-13)
17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 18 *Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.'» 19 Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.Anúncio da traição de Judas (Mc 14,17-21; Lc 22,21-23; Jo 13,2. 21-32)
20 Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. 21 Enquanto comiam, disse: «Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.»22 Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» 23 *Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. 24 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!» 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» - respondeu Jesus.
Instituição da Eucaristia (Mc 14, 22-25; Lc 22,14-20; Jo 6,51-59; 1 Cor 11,23-27)
26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.»27 *Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. 28 *Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados. 29 *Eu vos digo: Não beberei mais deste produto da videira, até ao dia em que beber o vinho novo convosco no Reino de meu Pai.»
Anúncio das negações de Pedro (Mc 14,26-31; Lc 22,31-34; Jo 13,36-38)
30 Depois de cantarem os salmos, saíram para o Monte das Oliveiras. 31 *Jesus disse-lhes, então: «Nesta mesma noite, todos ficareis perturbados por minha causa, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho serão dispersas. 32 Mas, depois da minha ressurreição, hei-de preceder-vos na Galileia.»33 Tomando a palavra, Pedro respondeu-lhe: «Ainda que todos fiquem perturbados por tua causa, eu nunca me perturbarei!» 34 *Jesus retorquiu-lhe: «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes de o galo cantar, vais negar-me três vezes.» 35 Pedro disse-lhe: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei!» E todos os discípulos afirmaram o mesmo.
Oração de Jesus em Getsémani (Mc 14,32-42; Lc 22,39-46; Jo 18,1-2)
36 Entretanto, Jesus com os seus discípulos chegou a um lugar chamado Getsémani e disse-lhes: «Sentai-vos aqui, enquanto Eu vou além orar.» 37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 *Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.»39 *E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.»
40 Voltando para junto dos discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo! 41 Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» 42 *Afastou-se, pela segunda vez, e foi orar, dizendo: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» 43 Depois voltou e encontrou-os novamente a dormir, pois os seus olhos estavam pesados.
44 Deixou-os e foi orar de novo pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Reunindo-se finalmente aos discípulos, disse-lhes: «Continuai a dormir e a descansar! Já se aproxima a hora, e o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 46 Levantai-vos, vamos! Já se aproxima aquele que me vai entregar.»
O Processo de Jesus (26,47-27,66)
Prisão de Jesus (Mc 14,43-50; Lc 22,47-53; Jo 18,3-11)
47 Ainda Ele falava, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele muita gente, com espadas e varapaus, enviada pelos sumos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48 O traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo: prendei-o.»49 Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: «Salve, Mestre!» E beijou-o. 50 Jesus respondeu-lhe: «Amigo, a que vieste?» Então, avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-no. 51 Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe uma orelha. 52 Jesus disse-lhe: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada. 53 *Julgas que não posso recorrer a meu Pai? Ele imediatamente me enviaria mais de doze legiões de anjos! 54 Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve acontecer?»
55 *Voltando-se, depois, para a multidão, disse: «Viestes prender-me com espadas e varapaus, como se eu fosse um ladrão! Todos os dias estava sentado no templo a ensinar, e não me prendestes. 56 *Mas tudo isto aconteceu, para que se cumprissem as Escrituras dos profetas.» Então, todos os discípulos o abandonaram e fugiram.
Jesus no tribunal judaico (Mc 14,53-65; Lc 22,54-71; Jo 18,12-14. 19-24)
57 Os que tinham prendido Jesus conduziram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde os doutores da Lei e os anciãos do povo se tinham reunido. 58 Pedro seguiu-o de longe até ao palácio do Sumo Sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se entre os servos, para ver o desfecho de tudo aquilo. 59 Os sumos sacerdotes e todo o Conselho procuravam um depoimento falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte. 60 Mas não o encontraram, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Apresentaram-se finalmente duas, 61 *que declararam: «Este homem disse: 'Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias.'»62 O Sumo Sacerdote ergueu-se, então, e disse-lhe: «Não respondes nada? Que dizes aos que depõem contra ti?» 63 *Mas Jesus continuava calado. O Sumo Sacerdote disse-lhe: «Intimo-te, pelo Deus vivo, que nos digas se és o Messias, o Filho de Deus.» 64 *Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste. E Eu digo-vos: Vereis um dia o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.»
65 Então, o Sumo Sacerdote rasgou as vestes, dizendo: «Blasfemou! Que necessidade temos, ainda, de testemunhas? Acabais de ouvir a blasfémia. 66 Que vos parece?» Eles responderam: «É réu de morte.» 67 *Depois cuspiam-lhe no rosto e batiam-lhe. Outros esbofeteavam-no, dizendo: 68 «Profetiza, Messias: quem foi que te bateu?»
Três negações de Pedro (Mc 14,66-72; Lc 22,54-62; Jo 18,15-18.25-27)
69 Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: «Tu também estavas com Jesus, o Galileu.» 70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: «Não sei o que dizes.» 71 *Dirigindo-se para a porta, outra criada viu-o e disse aos que ali estavam: «Este também estava com Jesus, o Nazareno.» 72 Ele negou de novo com juramento: «Não conheço esse homem.» 73 Um momento depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: «Com certeza tu és dos seus, pois até a tua maneira de falar te denuncia.» 74 Começou, então, a dizer imprecações e a jurar: «Não conheço esse homem!»No mesmo instante, o galo cantou. 75 *E Pedro lembrou-se das palavras de Jesus: «Antes de o galo cantar, me negarás três vezes.» E, saindo para fora, chorou amargamente.
Notas
- 26, 1-2
- Com fórmula semelhante, Mt encerra os vários discursos (palavras) de Jesus, agrupados pelo evangelista segundo uma ordem e objectivo prático (7,28). A partir deste momento, Jesus deixa de se esconder perante as ameaças (12,15; 14,13) e enfrenta directamente o seu destino, ao qual dá um sentido, ligando-o à festa da Páscoa. A narração da Paixão começa com palavras de Jesus em que os verbos estão no presente, e não no futuro, como sucedia nos primeiros anúncios da Paixão (17,22-23; 20,18). O verbo "entregar" na forma passiva serve para falar da Paixão, sugerindo que Jesus é entregue aos homens pelo Pai. Esta formulação arcaica (Rm 4,25; 1 Cor 11,23) será completada com outra que sublinha a entrega livre do próprio Filho para nos salvar (Gl 2,20; Ef 5,2).
- 3
- Esta reunião do Conselho dos judeus corresponde ao que João coloca mais de uma semana antes da Páscoa (Jo 11,47-53); mais importante do que a sucessão cronológica é, para o evangelista, a dimensão teológica da decisão tomada em tal reunião (Sl 31,14). Como João (Jo 11,49-53 nota; 18,14), Mt põe em relevo a intervenção de Caifás, genro de Anás, Sumo Sacerdote e presidente do Conselho, do ano 18 a 36 d.C.. Sobre o Conselho, ver 5,22 nota.
- 6-7
- Como Mc (Mc 14,3-9 nota), Mt insere aqui a cena da unção em casa de Simão, que João coloca seis dias antes da Páscoa (Jo 12,1-8). Tal inserção permite a Mt justificar a traição de Judas (v.16) e apresentar Jesus como senhor da situação (v.12-13). Quanto a Simão (v.6), deve tratar-se de um antigo leproso que, depois da cura, assim era apelidado (Mc 14,3-4).
- 12-13
- A unção da mulher era uma obra boa que não poderia ser feita mais tarde; pela ligação estabelecida com a sua morte e sepultura, a unção é interpretada por Jesus como símbolo e profecia do mistério pascal (Lc 7,44.50 notas). Pobres… Ver Dt 15,11; Mc 14,7.
- 15
- Trinta moedas de prata correspondem à soma estipulada como preço de um escravo (Ex 21,32 nota; Zc 11,12-13 nota; Mc 14,11 nota). Segundo Zc 11,12, o bom pastor é entregue por um salário irrisório.
- 17
- O primeiro dos sete dias em que os judeus comiam pão sem fermento (ázimos) era, segundo os Sinópticos, o dia 15 do mês de Nisan. A festa da Páscoa durava uma semana e incluía também a imolação do cordeiro (Ex 12,8.11.15.27 notas; Lv 23,5-8 nota; 2 Cr 35,1-19 nota). Para além das divergências entre os Sinópticos e o quarto Evangelho, as narrações da Última Ceia de Jesus testemunham que ela teve lugar no ambiente da Páscoa judaica, sendo provável que os evangelistas tenham projectado a fé pascal sobre aquela importante festa. Daqui, as várias possibilidades dessa celebração: 1) Jesus celebra a Ceia segundo o rito pascal judaico (Sinópticos), mas isso é contrariado pelo Evangelho de João; 2) Jesus celebra a Páscoa segundo um calendário não oficial, coincidindo a sua morte com a imolação dos cordeiros no templo; 3) Jesus institui a Eucaristia no decorrer de uma refeição de despedida e, à luz da fé pascal, é esse acto que substitui o antigo rito judaico. Ver 14,19 nota; Mc 14,1 nota.22-26 nota; Lc 22,20 nota; Jo 13,1 nota; 1 Cor 11,23-25 nota.
- 18
- O meu tempo está próximo. Trata-se de um tempo determinado (8,29-34 nota), o tempo da morte e da glorificação de Jesus, que João exprime com o termo hora (Jo 2,4 nota; 7,30; 13,1).
- 23
- Meter a mão no prato significa viver em comunhão com alguém; daí a gravidade da traição, já denunciada pelo Sl 41,10. Ver Mc 14,18; Lc 22,21; Jo 13,18.
- 26
- A narração da instituição da Eucaristia, inserida na da Paixão, mostra como Jesus compreendeu a sua morte: Ele teve plena consciência de derramar o seu sangue para a remissão dos pecados. Mt pressupõe que os discípulos devem fazer isso mesmo em memória de Jesus, como é dito explicitamente por Lc (22,19) e Paulo (1 Cor 11,24). Para a fé da comunidade, não se trata apenas de recordar ou de renovar a Ceia do Senhor, mas de actualizar o gesto sacrificial de Jesus na cruz e anticipar o banquete escatológico. As palavras pão e vinho têm de ser postas em ligação com aquele que as pronunciou e no quadro da refeição que lhes dá sentido, pondo em evidência a dimensão pascal e sacrificial do rito: Sangue da Aliança derramado por muitos (v.28).
- 27
- Deu graças. O verbo grego (eucharistô) está na raiz da palavra Eucaristia, com que se designa a Ceia do Senhor.
- 28
- Derramando o seu sangue na cruz, Jesus conduz ao seu termo a Aliança do Sinai, selada com o sangue das vítimas animais (Ex 24,4-8.6-8 nota). Ao mesmo tempo, Jesus anuncia o cumprimento da Nova Aliança predita pelos profetas (Jr 31,31-34 nota; Ez 37,23-28 nota; Zc 8,8 nota) e se atribui a missão do "Servo de Javé" (Sl 22,7 nota; Is 42,1-4 nota; 49,6; 52,13 nota; 53,12; Zc 12,10 nota); Jesus proclama ainda o valor universal do seu sacrifício por muitos, ou seja, por toda a humanidade (5,45-48 nota; 20,25-28 nota; Mc 10,45 nota).
- 29
- Este apêndice, colocado por Lc 22,15-18 antes da tradição cultual, fala da dimensão escatológica da última Ceia de Jesus e exprime a esperança de ter parte na refeição celeste (8,11).
- 30
- A ceia pascal era encerrada com a recitação dos Salmos Hallel (Sl 113-118).
- 31-32
- Citando Zc 13,7, Jesus recorda aos discípulos que a morte do Messias será a pedra de tropeço (escândalo) para eles, que esperavam o seu triunfo sobre os inimigos (5,28-29 nota; 16,23 nota; 20,21-22). Para compensar o efeito desse anúncio, fala-lhes da sua ressurreição e da aparição futura na Galileia (v.56; 28,7; Jo 16,32).
- 34
- Ver v.69-75.
- 36
- Getsémani significa "Lagar de azeite" e situava-se no Vale do Cédron, no sopé do Monte das Oliveiras (v.30). A atenção de Mt concentra-se na dimensão cristológica da cena da agonia no horto: modelo de oração no tempo da tentação (v.41) e perfeita obediência do Messias (v.42). Não menciona pormenores referidos em Mc 14,32 nota.35.40. Ver Lc 22,39-46 nota; Jo 18,1-2 nota.
- 38
- Evocando palavras do Sl 42,6, Jesus comunica aos discípulos, que tinham sido testemunhas da transfiguração (17,1-9), um estado de tristeza mortal que lembra o Justo sofredor (Sl 31,23; 61,3; 116,3).
- 39
- Ver Heb 5,7.8.
- 42
- As palavras de Jesus não são de resignação, mas de total conformidade com a vontade do Pai (6,10 nota).
- 53
- Doze legiões de anjos, expressão típica da literatura rabínica; Jesus afirma a plena autoridade que lhe vem do Pai e a sua total submissão à vontade divina.
- 55
- Criticando a injustiça e a cegueira dos que o prendiam, Jesus distancia-se do odioso de ser tratado como um ladrão ou como um zelota e de ser crucificado como tal (27,37-38).
- 56
- Ver v.31-32 nota.
- 57-60
- Mt junta na mesma narração a comparência de Jesus pela manhã no Conselho ou Sinédrio, isto é, no supremo tribunal judaico (Lc 22,66) e o interrogatório nocturno em casa de Anás (Jo 18,12-27). Nesta reunião do Conselho procura-se uma testemunha falsa, para dar aparência de legalidade ao processo (26,65-66).
- 61
- Posso destruir o templo de Deus. A acusação contra Jesus, a propósito do templo, converte-se em Mt num modo de afirmar a dignidade única de Jesus, que se declara Senhor do templo. Jesus nunca se atribuiu o papel de destruidor do templo (24,2-3; 27,40; Jo 2,19); a oposição entre o templo de pedra e o templo não feito por mãos humanas encontra-se em Mc (Mc 14,58), não em Mt. O que Jesus anunciara fora a destruição do templo e do culto judaico, e a sua substituição por um templo novo, qual era o seu corpo ressuscitado e a comunidade eclesial (24,1 nota; Lc 21,5-6 nota; Jo 2,20 nota).
- 63
- Jesus é o Servo de Deus "que não abriu a sua boca" (8,16-17 nota; Is 42,1-4 nota; 53,7; Act 8,32-33 nota).
- 64-65
- Jesus responde de maneira indirecta, anunciando a vinda do Filho do Homem, como personagem celeste (Dn 7,13 nota), e o privilégio do filho de David que deve sentar-se à direita de Deus (22,44; Sl 110,1). Jesus atribui-se os três títulos messiânicos: Messias, Filho de Deus e Filho do Homem. Sobre o Filho do Homem, ver 8,19-24 nota. Rasgou as vestes: Gn 37,29 nota.
- 67-68
- Segundo Lc e Jo, são os servidores que ultrajam Jesus. Mt torna a cena mais odiosa, atribuindo esse papel aos membros do Conselho (Is 50,5-7).
- 71
- O Nazareno, qualificativo equivalente a galileu, proveniente de Nazaré; na intenção de Mt, talvez designe o nazireu, o santo de Deus por excelência (2,23 nota; Ex 20,25 nota; Nm 6,2 nota; Jz 13,5, nota; 1 Sm 1,11 nota; Am 2,9-11 nota; Lc 1,15 nota).
- 75
- Ver v.34.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.