São Mateus 25
Parábola das dez virgens (Lc 13,25-28)
1 *«O Reino do Céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do noivo. 2 Ora, cinco delas eram insensatas e cinco prudentes. 3 As insensatas, ao tomarem as suas candeias, não levaram azeite consigo; 4 enquanto as prudentes, com as suas candeias, levaram azeite nas almotolias.5 Como o noivo demorava, começaram a dormitar e adormeceram. 6 A meio da noite, ouviu-se um brado: 'Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!' 7 Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as candeias.
8 As insensatas disseram às prudentes: 'Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se.' 9 Mas as prudentes responderam: 'Não, talvez não chegue para nós e para vós. Ide, antes, aos vendedores e comprai-o.' 10 Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo; as que estavam prontas entraram com ele para a sala das núpcias, e fechou-se a porta.
11 Mais tarde, chegaram as outras virgens e disseram: 'Senhor, senhor, abre-nos a porta!' 12 Mas ele respondeu: 'Em verdade vos digo: Não vos conheço.'
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.»
Parábola dos talentos (Lc 19,12-27)
14 «Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu.16 Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. 17 Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. 18 Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. 20 Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.' 21 O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.'
22 Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: 'Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.' 23 O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.'
24 Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25 Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.' 26 O senhor respondeu-lhe: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. 27 Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.' 28 'Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. 29 *Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 *A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.'»
Juízo definitivo
31 *«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32 *Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos.34 O Rei dirá, então, aos da sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35 Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36 estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.'
37 Então, os justos vão responder-lhe: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38 Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39 E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?' 40 *E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: 'Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.'
41 Em seguida dirá aos da esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42 Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43 era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.' 44 Por sua vez, eles perguntarão: 'Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?' 45 Ele responderá, então: 'Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.'
46 *Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»
Notas
- 25, 1-13
- Esta parábola está centrada na demora do Senhor em chegar (v.5), como a precedente (v.48-51). A atenção incide sobre a obrigação de estar preparado (v.10; 24,44), quando o Esposo chegar; as virgens adormeceram todas, mas nem todas estavam preparadas (Mc 13,33-37; Lc 12,35-38).
- 14-28
- A parábola dos talentos está estreitamente relacionada com o ensinamento que se segue (v.31-46). A das minas, referida por Lc 19,12-27, deve ter tido como fonte um texto semelhante a este (18,24 nota).
- 29
- Jesus recorre a um provérbio (ver 13,12; Mc 4,25; Lc 8,18; 19,26) para justificar a decisão do v.28. Por um lado, mostra a ilimitada generosidade de Deus e, por outro, o rigor do seu juízo.
- 30
- Ver 8,12 nota.
- 31-46
- Esta perícopa é uma descrição profética do juízo final. Identificando-se com todos os necessitados como seus irmãos (v.40), Jesus coroa o ensinamento do cap. 24 e daqueles em que falava só dos seus discípulos (10,40; 18,5). Os actos louvados por Jesus correspondem às obras de piedade características do AT e do NT, das quais não eram separáveis as virtudes da justiça e da caridade, em relação aos irmãos mais pequeninos (v.40.45; 7,22 nota; 19,28 nota; Zc 14,5 nota).
- 32
- Ver Ez 20,37-38 nota; 34,17.
- 40
- Em 10,42, o ensinamento análogo diz respeito só aos discípulos, chamados pequeninos, enquanto aqui se refere a todos os necessitados: os meus irmãos, os mais pequeninos (18,3-5 nota; Mc 9,36-37 nota; Lc 22,24-27 nota).
- 46
- Ver Dn 12,2; Jo 5,29.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.