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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

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Música da capela Em pausa

São Mateus

São Mateus 3

II. ANÚNCIO DO REINO DO CÉU (3,1-25,46)

Pregação de João Baptista (Mc 1,2-8; Lc 3,1-6; Jo 1,19-23)

1 *Naqueles dias, apareceu João, o Baptista, a pregar no deserto da Judeia. 2 *Dizia: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.» 3 *Foi deste que falou o profeta Isaías, quando disse:
Uma voz clama no deserto:
Preparai o caminho do Senhor,
endireitai as suas veredas.

4 João trazia um traje de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 5 Iam ter com ele os de Jerusalém, os de toda a Judeia e os da região do Jordão, 6 *e eram por ele baptizados no Jordão, confessando os seus pecados.

Apelo de João à conversão (Mc 1,7-8; Lc 3,7-9.15-18; Jo 1,24-28)

7 *Vendo, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? 8 *Produzi, pois, frutos dignos de conversão 9 e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: 'Temos por pai a Abraão!' Pois, digo-vos: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. 10 O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo.
11 *Eu baptizo-vos com água, para vos mover à conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo. 12 *Tem na sua mão a pá de joeirar; limpará a sua eira e recolherá o trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível.»

Baptismo de Jesus (Mc 1,9-11; Lc 3,21-22; Jo 1,31-34)

13 Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. 14 João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?» 15 *Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.
16 *Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. 17 *E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

Notas

3, 1
Naqueles dias é expressão que introduz um novo episódio, sem indicar ligação cronológica com o anterior. A narração da vida pública de Jesus é introduzida, como em Mc e Lc, por três quadros: pregação de João (v.1-12), baptismo de Jesus (v.13-17), tentação de Jesus (4,1-11). Deserto da Judeia, região indicada de modo genérico por Mt. Ao definir o quadro da pregação do Baptista, a Mt interessava menos a exactidão topográfica do que o significado bíblico do deserto, lugar do nascimento do povo do AT (v.3) e que deveria indicar região pouco povoada (1 Mac 2,29). Sobre deserto, ver Ex 19,1-2 nota; Os 2,17 nota; Am 6,14 nota; Mc 1,12-13 nota.
2
Convertei-vos. O verbo em grego (metanoeô) encerra o convite a mudar de mentalidade e de direcção (AT), regressando sem condições ao Deus da Aliança. Mais do que um acto de arrependimento, significa um estado de conversão a Jesus. Ocorre em contextos que convidam à mudança (v.2; 4,17; 11,20.21; 12,41). Reino do Céu equivale a "Reino de Deus". Conforme o costume judaico, Mt evita pronunciar o nome divino. Em Jesus, esse Reino torna-se próximo das pessoas, que, por isso mesmo, são chamadas à conversão (4,17; 10,7; 12,28). Nesta Bíblia optámos por "Céu" em vez do plural "céus" de Mt, que designa mais o espaço cósmico da concepção semita (supremacia de Deus sobre todos os elementos) do que o estado de felicidade dos justos com Deus, segundo a concepção cristã (Lc 10,9 nota).
3-4
João era a voz profética no deserto (v.3; Is 40,3): veste-se e alimenta-se à maneira dos profetas, em particular de Elias (17,10-13; Ex 9,17 nota; 2 Rs 1,8 nota; Zc 13,4 nota; Mc 1,2-8 nota).
6
O baptismo de João era conferido uma só vez e andava ligado à conversão de vida, preparando, assim, o baptismo trazido por Jesus (v.11).
7
Fariseus e saduceus. Os dois grupos vêm associados em 16,1.6.11.12; 22,34; em 23, os fariseus vêm juntos com os doutores da lei, ou escribas. Os fariseus constituíam um grupo de observantes zelosos da Lei, muito agarrados à tradição oral e a uma casuística estéril. Os saduceus, ligados às grandes famílias sacerdotais e mais preocupados com a política, respeitavam apenas a Lei escrita, rejeitando toda a tradição. Os doutores da lei (ou "escribas") eram os intérpretes oficiais da Torá, gozando, por isso, de grande prestígio. A cólera designa a reacção de Deus santo face ao pecado (Is 30,27-33; Abd 16 nota), no quadro do juízo escatológico visto como iminente.
8
Frutos designa a conduta íntegra do ser humano, que se manifesta nas obras e é exigência da conversão, não podendo ser iludida com o apelo à ascendência de Abraão (v.9; Jo 8,33.37.39).
11
Jesus é indicado como mais poderoso do que João Baptista; é o Forte (12,29; Lc 1,69 nota); com tal qualificação, característica de Deus no AT (Jr 32,18; Dn 9,4), Jesus é posto em relação com a força que se manifesta no dom do fogo do Espírito, que purifica e renova. Descalçar as sandálias, gesto do escravo (1 Pe 1,13-2,10 nota).
12
A imagem da colheita do grão, comum ao AT e ao NT, evoca o juízo final, momento em que a boa semente será separada do que não interessa (13,30).
15
A palavra justiça designa, em Mt, a fidelidade nova, a obediência total à vontade de Deus (5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). Solidarizando-se com os pecadores, pelo baptismo, Jesus manifestava como a sua missão se distanciava do sonho judaico de um messias triunfante (4,1-11; 11,2-6; 16,13-23).
16
O lugar central de Cristo na cena baptismal é acentuado pela imagem da pomba que vem sobre Ele. A pomba simboliza o Espírito de Deus voando sobre as águas (Gn 1,2; 8,8-19 nota), evocando a nova criação iniciada na pessoa e missão de Jesus (Lc 3,21-22 nota; ver Is 63,19).
17
Ver 12,18; 17,5 Sl 2,7; Is 42,1.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.