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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Mateus

São Mateus 22

Parábola do grande banquete (Lc 14,15-24)

1 Tendo Jesus recomeçado a falar em parábolas, disse-lhes: 2 *«O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. 3 Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram comparecer. 4 De novo mandou outros servos, ordenando-lhes: 'Dizei aos convidados: O meu banquete está pronto; abateram-se os meus bois e as minhas reses gordas; tudo está preparado. Vinde às bodas.' 5 Mas eles, sem se importarem, foram um para o seu campo, outro para o seu negócio. 6 *Os restantes, apoderando-se dos servos, maltrataram-nos e mataram-nos.
7 O rei ficou irado e enviou as suas tropas, que exterminaram aqueles assassinos e incendiaram a sua cidade. 8 Disse, depois, aos servos: 'O banquete das núpcias está pronto, mas os convidados não eram dignos. 9 *Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes.' 10 Os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos aqueles que encontraram, maus e bons, e a sala do banquete encheu-se de convidados.
11 *Quando o rei entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial. 12 E disse-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?' Mas ele emudeceu. 13 O rei disse, então, aos servos: 'Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.' 14 *Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.»

O tributo a César (Mc 12,13-17; Lc 20,20-26)

15 Então, os fariseus reuniram-se para combinar como o haviam de surpreender nas suas próprias palavras. 16 *Enviaram-lhe os seus discípulos, acompanhados dos partidários de Herodes, a dizer-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não olhas à condição das pessoas. 17 *Diz-nos, portanto, o teu parecer: É lícito ou não pagar o imposto a César?»
18 Mas Jesus, conhecendo-lhes a malícia, retorquiu: «Porque me tentais, hipócritas? 19 Mostrai-me a moeda do imposto.» Eles apresentaram-lhe um denário. 20 Perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» 21 *«De César» - responderam. Disse-lhes então: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.» 22 Quando isto ouviram, ficaram maravilhados e, deixando-o, retiraram-se.

A ressurreição dos mortos (Mc 12,18-27; Lc 20,27-40)

23 Nesse mesmo dia, os saduceus, que não acreditam na ressurreição, foram ter com Ele e interrogaram-no. 24 *«Mestre, Moisés disse:
Se algum homem morrer sem filhos,
o seu irmão casará com a viúva,
para suscitar descendência ao irmão.

25 Ora, entre nós havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu sem descendência, deixando a mulher a seu irmão; 26 sucedeu o mesmo ao segundo, depois ao terceiro, e assim até ao sétimo. 27 Depois de todos eles, morreu a mulher. 28 Então, na ressurreição, de qual dos sete será ela mulher, visto que o foi de todos?»
29 *Jesus respondeu-lhes: «Estais enganados, porque desconheceis as Escrituras e o poder de Deus. 30 *Na ressurreição, nem os homens terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como anjos no Céu. 31 E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus disse: 32 *Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? Não dos mortos, mas dos vivos é que Ele é Deus!»
33 E a multidão, ouvindo-o, maravilhava-se com a sua doutrina.

O mandamento do amor (Mc 12,28-34; Lc 10,25-28; Jo 13,33-35)

34 Constando-lhes que Jesus reduzira os saduceus ao silêncio, os fariseus reuniram-se em grupo. 35 *E um deles, que era legista, perguntou-lhe para o embaraçar: 36 «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» 37 Jesus disse-lhe:
Amarás ao Senhor, teu Deus,
com todo o teu coração,
com toda a tua alma
e com toda a tua mente.

38 Este é o maior e o primeiro mandamento. 39 *O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 40 *Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»

O Messias, Filho e Senhor de David (Mc 12,35-37; Lc 20,41-44; Jo 7,41-42)

41 Estando os fariseus reunidos, Jesus interrogou-os: 42 «Que pensais vós do Messias? De quem é filho?» Responderam-lhe: «De David.» 43 Disse-lhes Ele: «Como é, então, que David, sob a influência do Espírito, lhe chama Senhor, dizendo:
44 Disse o Senhor ao meu Senhor:
'Senta-te à minha direita,
até que Eu ponha os teus inimigos por estrado de teus pés
'?
45 Ora, se David lhe chama Senhor, como é seu filho?» 46 E ninguém soube responder-lhe palavra. A partir de então, ninguém mais se atreveu a interrogá-lo.

Notas

22, 2
A parábola do banquete nupcial não tem paralelo senão em Lc 14,16-24. Apesar das diferenças entre os dois textos, existe em ambos a mesma cor polémica e abundantes traços alegóricos. Aliás, o acento da parábola não recai sobre o filho do Rei, mas sobre a recusa do convite pelos primeiros convidados. As bodas são um símbolo frequente na Bíblia para designar a feliz comunhão de Deus com o seu povo (25,1-12). O Rei era uma imagem habitual para falar de Deus (8,11-12 nota; Is 25,6 nota; Lc 14,15-24 nota).
6-7
Talvez haja uma alusão à destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70.
9-10
Saídas dos caminhos ou cruzamentos, fora da cidade; maus e bons: referência à universalidade do último convite e à totalidade das pessoas para terem parte na alegria do Reino (4,23 nota; 5,43 nota.45-48 nota; Sl 22,27 nota).
11-13
Estes versículos são próprios de Mt e não ligam bem com a primeira parte da parábola, constituindo um dado novo para realçar a importância das boas obras (5,16-20; 7,21-22). Estas são a manifestação da justiça do convidado, portador da veste nupcial. O convite divino é gratuito, mas é também exigente. Sobre o v.13, ver 8,11-12 nota.
14
Estas palavras enigmáticas enquadram-se melhor a seguir ao v.10, podendo ver-se aí uma alusão aos judeus, os primeiros convidados à salvação. Depois dos v.11-13, dirigem-se contra aqueles que abusam do convite gratuito de Deus, sendo, por isso, rejeitados do Reino (20,16).
16
Os partidários de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia e da Pereia que meteu João Baptista na prisão, eram favoráveis aos romanos e, por causa disso, contrários aos zelotas. Aparecem aqui aliados com os fariseus, que suportavam a dominação romana como um castigo divino. Ver 14,1 nota.
17
O imposto era pago pelas Províncias ao Império Romano, sinal da sujeição do povo a Roma, e que os zelotas recusavam.
21
Ver Rm 13,1-7 nota.
23
Os saduceus, seguidores da Lei escrita, sobretudo do Pentateuco, não acreditavam na ressurreição, pelo facto de os livros de Moisés não a referirem. A este respeito, os seus opositores são os fariseus (v.34; 3,7 nota).
24
A prática do levirato (do latim, levir, cunhado) destinava-se a perpetuar o nome da família e a assegurar um herdeiro ao irmão defunto. Com base em Dt 25,5-10, esse costume consistia em um irmão desposar a mulher do seu irmão defunto, deixada viúva e sem filhos (Gn 38,8 nota; Dt 25,5-10 nota; Mc 12,18-27 nota; Lc 20,28 nota).
29
À concepção grosseira dos saduceus sobre um "Cheol" sem ressurreição, Jesus opõe as Escrituras, que implicam a afirmação da ressurreição (v.32), e o poder de Deus, que a objecção ignora. Sobre o "Cheol", ver Gn 37,35 nota; 1 Sm 28,13 nota; Sl 7,6 nota; Sb 16,13 nota; Ez 26,20 nota; Am 9,1-4 nota; Heb 2,5 nota.
30
A expressão ser como anjos de Deus não significa desapreço pelo matrimónio (19,3-9), mas apenas que os ressuscitados não têm outra preocupação além de servir e louvar a Deus (18,10).
32
Citando Ex 3,6, Jesus responde à ironia dos saduceus sobre a questão da ressurreição: Deus revela-se a Moisés como "o Deus dos pais", o Deus vivo, que conduz a História dos viventes.
35-38
A questão sobre o mandamento do amor, posta por um legista (v.35-40), faz parte das narrações de Mt sobre os conflitos de Jesus com os seus adversários. Jesus atribui igual importância aos dois mandamentos, já conhecidos do AT (Lv 19,18; Dt 6,5), e concentra neles todo o conteúdo da Lei (Mc 12,29-33 nota; Lc 10,27 nota; Jo 13,34-35 nota).
39
A observância do segundo mandamento não é alternativa, mas entitativa: amar o próximo não substitui o amor a Deus, e vice-versa. A medida própria do amor do próximo participa da totalidade do amor de Deus: como a ti mesmo (Lv 19,18), isto é, amar na mesma medida o próximo.
40
Ver 7,12; Rm 13,9-10; Gl 5,14.
41-45
Depois de ter sido alvo de várias questões, neste episódio é Jesus quem interroga os fariseus. Argumentando à maneira de um rabino, Jesus mostra que a qualidade do Messias não se confunde com a filiação davídica, mas que lhe é superior. Os dois títulos messiânicos, Filho de David e Senhor, estão apoiados no Sl 110,1 (Rm 1,3); mas a pergunta de Jesus a esse respeito deixa embaraçados os seus adversários (Act 2,34-35; 1 Cor 15,25; Heb 1,13).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.