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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Mateus

São Mateus 13

As Parábolas do Reino (13,1-52)

1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. 2 Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia.

O semeador (Mc 4,2-9; Lc 8,4-8)

3 *Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear. 4 *Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 5 Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; 6 mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 7 Outras caíram entre espinhos: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 8 Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 9 *Aquele que tiver ouvidos, oiça!»

O porquê das parábolas (Mc 4,10-12; Lc 8,9-10)

10 Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 11 *Respondendo, disse-lhes:
«A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado.
12 *Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. 13 *É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. 14 Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz:
Ouvindo, ouvireis,
mas não compreendereis;
e, vendo, vereis,
mas não percebereis.

15 Porque o coração deste povo tornou-se duro,
e duros também os seus ouvidos;
fecharam os olhos,
não fossem ver com os olhos,
ouvir com os ouvidos,
compreender com o coração,
e converter-se,
para Eu os curar.

16 *Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17 Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.»

Explicação da parábola do semeador (Mc 4,13-20; Lc 8,11-15)

18 «Escutai, pois, a parábola do semeador. 19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 20 Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 22 *Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 23 E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.»

O trigo e o joio

24 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 *Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.
27 Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?' 28 'Foi algum inimigo meu que fez isto' - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?' 29 Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.'»

O grão de mostarda (Mc 4,30-32; Lc 13,18-19)

31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.»

O fermento (Lc 13,20-21)

33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.»

Função das parábolas (Mc 4,33-34)

34 Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas.
35 *Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta:
Abrirei a minha boca em parábolas
e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo.


Explicação da parábola do trigo e do joio

36 Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo, disse-lhes:
«Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; 39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, 42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»

O tesouro e a pérola

44 *«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.
45 O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.»

A rede

47 *«O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. 48 Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. 49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, 50 para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.»

Conclusão

51 *«Compreendestes tudo isto?» «Sim» - responderam eles. 52 Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.»

Jesus rejeitado em Nazaré (Mc 6,1-6; Lc 4,16-30; Jo 4,44)

53 Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali. 54 *Tendo chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? 55 *Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» 57 E estavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.» 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente.

Notas

13, 3
Mt reúne no cap. 13 as parábolas que dizem respeito ao Reino do Céu. Mais que de comparações tiradas da vida quotidiana para ilustrar um ensinamento, trata-se de narrações que têm a ver com a própria vida de Jesus. Mt distribui-as por três secções, seguindo nas pri-meiras duas o mesmo esquema (parábola - pergunta - explicação): o semeador (v.3-23); o joio (v.24-30.36-43); outras parábolas (v.31-33.44-50). Uma antiga conclusão no meio do discurso (v.34-35) precede a conclusão final (v.51-52).
4-8
A parábola do semeador visa mostrar o rendimento da semente conforme o terreno: em três casos é estéril e em terreno bom dá três graus diversos de rendimento. Jesus anuncia um acontecimento de ordem escatológica, inaugurando o tempo do encontro da semente com a terra (Zc 6,12-13). Uma interpretação insiste na confiança na colheita final, não obstante os fracassos; outra acentua o apelo a ser terra boa, de modo que a semente produza fruto (Mc 4,30-32 nota; Lc 8,4 nota).
9
A recomendação reforça a necessidade de prestar atenção àquilo que se ouve, de modo a compreender o ensinamento e a abrir-se à sua realização (v.9.43; 11,15; Dt 29,3; Sl 115,5-7; Mc 4,23; Lc 14,35).
11
A vós é dado conhecer. A tradução no presente passivo indica que o dom não significa uma qualidade possuída como um direito adquirido, mas uma relação que coloca o discípulo na dependência do Mestre. A expressão mistérios do Reino, que só aparece neste lugar dos Evangelhos mas era familiar à apocalíptica judaica, pode significar: o Reino em si, dado a conhecer aos discípulos (eles são "os de dentro": Mc 4,11); o mistério de Jesus como iniciador do Reino; ou os mistérios relacionados com o carácter oculto e contestado do Reino.
12
Àquele que tem, isto é, que já possui o conhecimento do Reino, ser-lhe-á concedida uma compreensão ainda maior. Nos que não têm essa abertura, sinal de boa vontade, até o pouco que têm não subsistirá neles. Em 25,29, a mesma fórmula refere-se ao servo fiel que pode apresentar ao seu senhor o fruto do seu trabalho (Mc 4,24-25 nota; Lc 8,16-18 nota).
13-15
A formulação de Mt, mais do que a de Mc 4,12, acentua a responsabilidade das pessoas pela sua cegueira perante o Reino. Com a citação de Is 6,9-10, Mt mostra que é necessária a capacidade de compreender o Reino de Deus. Isto é, o acesso ou a exclusão do Reino dependem do acolhimento ou recusa da pessoa e do ensinamento de Jesus. O discurso em parábolas ilustra a recusa da graça (11,16-24; 12,7.24-32). Perante o carácter absoluto do Reino, não é possível ser neutro (Mc 4,12 nota; Lc 8,9-10 nota; Jo 12,40; Act 28,25-27 nota; Rm 11,8).
16
À condenação da cegueira dos judeus, contrapõe-se a bem-aventurança dos discípulos, que vêem e ouvem os acontecimentos do Reino.
18
Enquanto Mt faz da parábola uma releitura teológica, Mc e Lc insistem na aplicação moral da mesma (Mc 4,13-20 nota; Lc 8,11-15.15 nota).
22
Os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza. Ver 6,24-34; Mc 4,19; Lc 12,16-21.
25-30
O joio, nome de erva daninha com que se designam as diversas ervas nocivas à agricultura. A explicação da parábola é dada nos v.36-43. A ceifa (v.30) simboliza o juízo final (Is 17,6; Ap 14,15-20). Sobre o Dia do Senhor, ver 7,22 nota; 25,31-46 nota.
31-32
O grão de mostarda, planta hortícula, cujo tamanho é descrito hiperbolicamente para salientar o contraste entre a pequenez do início e a plenitude do fim. Mt não o afirma, mas pressupõe a esperança de Israel num fim glorioso, aquando da vinda do Senhor (Ez 17,22-23 nota; Dn 4,7 nota.9.17-18). Ver v.33 nota; Mc 4,30-32 nota.
33
Tal como o grão de mostarda, a parábola do fermento põe em relevo o contraste entre a pequena quantidade de fermento e a massa a levedar. O dinamismo do Reino é apresentado como princípio de transformação. Ver Ex 12,15 nota; Mc 8,14-21 nota; Lc 13,18-21 nota. Três medidas, lit., "três satos", uns 30 litros (ver Suplemento MEDIDAS, p. 2116).
35
Esta motivação é diferente da dos v.10-15, em que Mt acentuava a infidelidade dos judeus (Sl 78,2).
44-46
A perícopa contém duas parábolas, que, apesar de pequenas, acentuam várias coisas: valor do tesouro e da pérola, alegria da descoberta, imperativo de vender tudo pelo único bem, que é o Reino. As ameaças que as enquadram (v.42.50) salientam o valor do Reino.
47-50
Como a parábola do joio, a da rede sublinha a coexistência de maus e bons até ao fim dos tempos dentro da comunidade cristã; ao contrário daquela, que insistia na paciência, esta sublinha o juízo de Deus sobre as exigências de pertencer ao Reino (4,19-20; Lc 5,10).
51-52
Compreender é um verbo importante em Mt (v.13-14.51; 15,10; 16,12). Indica que a palavra de Jesus é central neste Evangelho e constitui a nova maneira de agradar a Deus. O ouvinte que compreendeu o ensinamento de Jesus é comparado a um doutor da Lei que tira do tesouro da Escritura (AT e NT) a doutrina que continuamente aplica às situações da comunidade cristã.
54
Lc 4,16-24 coloca a rejeição de Jesus na sua terra, no início da narração da vida pública.
55
Irmãos. Ver 12,46 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.