Terceiro Isaías 57
A sorte dos justos
1 O inocente perece e ninguém se importa,os homens bons são levados,
e não há quem compreenda
2 que o inocente é uma vítima dos maus.
Mas há-de vir a paz
e descansarão nos seus leitos os que seguem por caminhos rectos.
Contra a idolatria
3 *Vós, porém, aproximai-vos, filhos da feitiçaria,descendência adúltera e prostituída.
4 De quem escarneceis?
A quem fazeis caretas e mostrais a língua?
Porventura não sois filhos rebeldes,
uma geração falsa?
5 *Ardeis de concupiscência debaixo dos terebintos,
debaixo de toda a árvore frondosa.
Sacrificais crianças no leito das torrentes
e nas cavernas dos rochedos.
6 As pedras polidas da torrente serão a tua herança,
elas é que serão o teu quinhão.
Foi a elas que ofereceste as tuas libações,
e elevaste as tuas oferendas.
Poderás, deste modo, aplacar-me?
7 Sobre um monte alto e elevado colocavas o teu leito,
e subias até lá para oferecer sacrifícios.
8 Detrás das ombreiras da porta punhas os teus feitiços.
Sem fazer caso de mim,
despias-te e subias para um leito confortável.
Fazias pacto com eles, apreciando o seu leito
e admirando o ídolo obsceno.
9 *Corrias para o deus Moloc com unguentos,
derramando os teus perfumes.
Enviavas os teus mensageiros a terras longínquas.
Desceste até ao abismo dos mortos.
10 Cansavas-te de tanto caminhar,
e nunca dizias: «Já basta!»
Recobravas novas forças,
e seguias sem parar.
11 Quem te metia tanto medo para me renegares,
para não te lembrares de mim,
nem me prestares atenção?
Não é verdade que estive calado por muito tempo
e que por isso tu não me temias?
12 Pois bem, vou denunciar a tua justiça
e as tuas obras.
Os teus ídolos de nada te servirão.
13 Quando pedires socorro, que a colecção dos teus ídolos te valha.
Serão todos levados pelo vento,
e um sopro os arrebatará.
Mas o que tem confiança em mim herdará o país,
e possuirá o meu monte santo.
Poema de consolação
14 Então há-de dizer-se:«Abri, abri caminho; aplanai-o.
Tirai todos os tropeços do caminho do meu povo!»
15 Porque isto diz o Alto e o Excelso,
cujo assento é eterno e cujo nome é santo:
«Eu habito num lugar alto e santo,
mas estou com as pessoas acabrunhadas e humilhadas,
para reanimar os humildes,
para reanimar o coração dos deprimidos.
16 Não quero contender eternamente,
nem me irritar para sempre;
de contrário, destruiria o sopro de vida
de todos quantos criei.
17 Irritei-me um momento por culpa sua,
castiguei-o e, na minha irritação, não o queria mais ver.
Ele afastou-se e tomou o seu caminho preferido.
18 Eu vi os seus caminhos,
mas hei-de curá-lo e guiá-lo,
prodigando-lhe reconforto.
Aos que estão em luto,
19 *porei nos seus lábios este cântico:
'Paz para os de longe e os de perto!'
O SENHOR afirma-o: «Eu o hei-de curar!»
20 Mas os maus são como o mar encapelado,
que não se pode acalmar,
cujas ondas revolvem lodo e lama.
21 Não há paz para os maus.
É o meu Deus quem o afirma.
Notas
- 57, 3
- Descendência adúltera. É uma metáfora para designar a idolatria. Ver 1 Rs 12,25-30.31-33 nota; 14,9 nota.
- 5-8
- Terebintos...árvore frondosa... pedras polidas... ídolo obsceno. Alusões veladas aos cultos fálicos da fertilidade (1,29 nota; 17,8 nota; Jr 7,18 nota; Br 6,42-43 nota; Ez 6,8-10 nota; Os 4,13 nota).
- 9
- Deus Moloc. Ver 30,33 nota; Lv 18,21 nota; 20,5; 1 Rs 11,7; Jr 7,31 nota; 32,35; Ez 16,20-22 nota.
- 19
- Comparar com Ef 2,17.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.