Primeiro Isaías 24
IV. APOCALIPSE DE ISAÍAS (24,1-27,13; ver 34-35)
Destruição da Terra (34-35; Ez 38-39)
1 *Vede como o SENHOR devasta a terra e a torna deserta,transtorna a sua face e dispersa os seus habitantes.
2 A mesma sorte terá o leigo e o sacerdote,
o escravo e o seu senhor,
a serva e a sua senhora,
o que compra como o que vende,
o prestamista e o que pede emprestado,
o credor como o devedor.
3 A terra será totalmente devastada, despojada,
porque o SENHOR assim o decretou.
4 A terra está triste e murcha,
o mundo está de luto e desfalece.
Desfalecem o céu e a terra.
5 A terra está profanada pelos seus habitantes,
porque transgrediram as leis,
violaram os mandamentos,
romperam a aliança eterna.
6 Por isso, a maldição devora a terra
e os seus habitantes expiam a pena.
Por isso, os habitantes da terra serão consumidos
e poucos ficam para serem contados.
7 O vinho novo está triste, a vinha murcha,
suspiram os que andavam alegres.
8 Cessou a alegria dos tambores,
acabou o ruído dos foliões
e calou-se o som alegre da cítara.
9 Já não bebem vinho a cantar,
e as bebidas fortes sabem a amargo.
10 A cidade, desolada, cai aos pedaços,
as entradas das casas estão fechadas.
11 Gritam nas ruas: já não há vinho!
Acabou-se a alegria,
esvaneceu-se o regozijo do país.
12 Na cidade só há escombros,
e a porta está podre e em ruínas.
13 Isto acontecerá na terra, no meio dos povos,
como no varejo da azeitona
ou como no rebusco, depois da vindima.
14 Eles levantarão a voz do lado do mar
e vitoriarão a grandeza do SENHOR:
15 «Aclamai desde o Ocidente, respondei desde o Oriente;
glorificai o SENHOR desde as ilhas do mar!
Ele é o SENHOR, o Deus de Israel!
16 Desde os confins da terra ouvimos o cântico:
'Glória ao justo!'»
Porém eu digo: «Infeliz de mim! Ai de mim!»
Os traidores atraiçoam,
os traidores agem com perfídia.
17 O terror, a cova e o laço é o que vos espera,
habitantes da terra!
18 O que fugir aos gritos de terror cairá na cova,
e o que escapar da cova será preso no laço.
Abrem-se as cataratas lá do alto
e tremem os fundamentos da terra.
19 A terra cambaleia e bamboleia.
A terra treme e espanta-se.
A terra move-se e contorce-se.
20 Ela agita-se e cambaleia como um ébrio,
e oscila como uma cabana.
Pesam sobre ela os seus pecados;
cairá para não mais se levantar.
Julgamento e reino de Deus
21 Naquele dia, o SENHOR julgará:lá no alto, julgará os exércitos do céu,
e cá em baixo, os reis da terra.
22 Serão amontoados, encarcerados na prisão,
e aí ficarão fechados.
Depois de muitos dias comparecerão no tribunal.
23 A Lua corará de vergonha, o Sol empalidecerá,
quando o SENHOR do universo
reinar glorioso no monte Sião,
em Jerusalém,
diante dos seus anciãos.
Notas
- 24, 1
- Os cap. 24-27 constituem o chamado Apocalipse de Isaías. É uma releitura de teologia bíblica de composição tardia. O cap. 24 anuncia a destruição da terra. Nos v.1-6, a palavra terra aparece sete vezes (ver também v.18-19). Em compreensão apocalíptica, tanto designa a terra de Israel como todo o universo. Depois do poema dos v.1-6, sobre a destruição da terra, encontramos uma lamentação nos v.7-13 e uma aclamação nos v.14-16a. Os v.16b-20 voltam à lamentação e os v.21-23 lançam o grito do julgamento do Senhor, em que o particular (monte Sião e Jerusalém, no v.23) se mistura com o universal (exército do céu e reis da terra, no v.21). Deste julgamento universal, salva-se um resto, que está na origem do reino escatológico (1,9 nota; 4,3 nota; v.13-16a). O justo dos v.10-12 (25,2; 26,5; 27,10) tanto é Jerusalém como a Babilónia ou como outra cidade inimiga. Moab. Ver 15,1 nota.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.