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30 Sexta-feira, 30 de outubro Outubro de 2026 Sexta-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Mateus

São Mateus 27

Jesus levado a Pilatos (Mc 15,1; Lc 23,1; Jo 18,28)

1 *De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para o matarem. 2 *E, manietando-o, levaram-no ao governador Pilatos.

Remorso de Judas

3 Então Judas, que o entregara, vendo que Ele tinha sido condenado, foi tocado pelo remorso e devolveu as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: 4 «Pequei, entregando sangue inocente.» Eles replicaram: «Que nos importa? Isso é lá contigo.» 5 *Atirando as moedas para o santuário, ele saiu e foi enforcar-se.
6 Os sumos sacerdotes, apanhando as moedas, disseram: «Não é lícito lançá-las no tesouro, pois são preço de sangue.» 7 Depois de terem deliberado, compraram com elas o «Campo do Oleiro», para servir de cemitério aos estrangeiros. 8 Por tal razão, aquele campo é chamado, até ao dia de hoje, «Campo de Sangue.» 9 *Deste modo, cumpriu-se o que fora dito pelo profeta Jeremias:
Tomaram as trinta moedas de prata,
preço em que foi avaliado
aquele que os filhos de Israel avaliaram, e

10 deram-nas pelo Campo do Oleiro,
como o Senhor havia ordenado
.»

Jesus perante o tribunal romano (Mc 15,1-15; Lc 23,2-5.13-25; Jo 18,28-40)

11 Jesus foi conduzido à presença do governador, que lhe perguntou: «Tu és o Rei dos Judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» 12 *Mas, ao ser acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos, nada respondeu.
13 Pilatos disse-lhe, então: «Não ouves tudo o que dizem contra ti?» 14 Mas Ele não respondeu coisa alguma, de modo que o governador estava muito admirado.

Jesus e Barrabás (Mc 15,6-15; Lc 23,13-25; Jo 18,39-40)

15 Ora, por ocasião da festa, o governador costumava conceder a liberdade a um prisioneiro, à escolha do povo. 16 Nessa altura havia um preso afamado, chamado Barrabás. 17 Pilatos perguntou ao povo, que se encontrava reunido: «Qual quereis que vos solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?» 18 Ele sabia que o tinham entregado por inveja.
19 Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer: «Não te intrometas no caso desse justo, porque hoje muito sofri em sonhos por causa dele.» 20 Mas os sumos sacerdotes e os anciãos persuadiram
a multidão a pedir Barrabás e exigir a morte de Jesus.
21 Tomando a palavra, o governador inquiriu: «Qual dos dois quereis que vos solte?» Eles responderam: «Barrabás!» 22 *Pilatos disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, de Jesus chamado Cristo?» Todos responderam: «Seja crucificado!» 23 Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles cada vez gritavam mais: «Seja crucificado!»
24 Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue. Isso é convosco.» 25 *E todo o povo respondeu: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!» 26 *Então, soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de o mandar flagelar, entregou-o para ser crucificado.

Coroação de espinhos (Mc 15,16-20; Jo 19,1-3)

27 Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e reuniram toda a coorte à volta dele. 28 Despiram-no e envolveram-no com um manto escarlate. 29 *Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e uma cana na mão direita. Dobrando o joelho diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve! Rei dos Judeus!» 30 E, cuspindo-lhe no rosto, agarravam na cana e batiam-lhe na cabeça. 31 Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto, vestiram-lhe as suas roupas e levaram-no para ser crucificado.

A caminho do Calvário. Crucifixão de Jesus (Mc 15,21-32; Lc 23,26-43; Jo 19,17-24)

32 À saída, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e obrigaram-no a levar a cruz de Jesus.
33 *Quando chegaram a um lugar chamado Gólgota, isto é, «Lugar do Crânio», 34 *deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas Ele, provando-o, não quis beber. 35 *Depois de o terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte. 36 Ficaram ali sentados a guardá-lo. 37 *Por cima da sua cabeça, colocaram um escrito, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos Judeus.» 38 Com Ele, foram crucificados dois salteadores: um à direita e outro à esquerda.
39 *Os que passavam injuriavam-no, meneando a cabeça e 40 dizendo: «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és Filho de Deus, desce da cruz!» 41 Os sumos sacerdotes com os doutores da Lei e os anciãos também zombavam dele, dizendo: 42 «Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é o rei de Israel, desça da cruz, e acreditaremos nele. 43 *Confiou em Deus; Ele que o livre agora, se o ama, pois disse: 'Eu sou Filho de Deus!'» 44 Até os salteadores, que estavam com Ele crucificados, o insultavam.

Morte de Jesus (Mc 15,33-41; Lc 23,44-49; Jo 19,28-30)

45 Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. 46 *Cerca das três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: Eli, Eli, lemá sabactháni?, isto é: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
47 *Alguns dos que ali se encontravam, ao ouvi-lo, disseram: «Está a chamar por Elias.» 48 *Um deles correu imediatamente, pegou numa esponja, embebeu-a em vinagre e, fixando-a numa cana, dava-lhe de beber. 49 Mas os outros disseram: «Deixa; vejamos se Elias vem salvá-lo.» 50 *E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
51 *Então, o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. A terra tremeu e as rochas fenderam-se. 52 Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos, que estavam mortos, ressuscitaram; 53 e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. 54 *O centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram apavorados e disseram: «Este era verdadeiramente o Filho de Deus!»
55 Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia e o serviram. 56 Entre elas, estavam Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Sepultura de Jesus (Mc 15,42-47; Lc 23,50-56; Jo 19,38-42)

57 Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. 58 Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos ordenou que lho entregassem.
59 José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo 60 e depositou-o num túmulo novo, que tinha mandado talhar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra contra a porta do túmulo e retirou-se. 61 Maria de Magdala e a outra Maria estavam ali sentadas, em frente do sepulcro.

O sepulcro guardado

62 *No dia seguinte, que era o dia a seguir ao da Preparação, os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram-se com Pilatos 63 *e disseram-lhe: «Senhor, lembrámo-nos de que aquele impostor disse, ainda em vida: 'Três dias depois hei-de ressuscitar.' 64 Por isso, ordena que o sepulcro seja guardado até ao terceiro dia, não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: 'Ressuscitou dos mortos.' E seria a última impostura pior do que a primeira.»
65 Pilatos respondeu-lhes: «Tendes guardas. Ide e guardai-o como entenderdes.» 66 E eles foram pôr o sepulcro em segurança, selando a pedra e confiando-o à vigilância dos guardas.

Notas

27, 1
O supremo tribunal dos judeus (Conselho ou Sinédrio) era composto pelos sumos sacerdotes e anciãos do povo. Os governadores romanos deixavam-lhe um grande espaço de liberdade, podendo este dirigir a vida religiosa e política dos judeus. Mas, embora tivesse poder de emitir sentenças capitais, a sua execução dependia da autorização do governador, que naquele tempo era Pilatos. Ver 5,22 nota; Gn 37,18.
2
Segundo os Sinópticos, Jesus é preso só após o julgamento; segundo Jo 18,12, é preso desde o Horto.
5
Ver Zc 11,13; Act 1,18-19.
9-10
O texto resulta da combinação da citação de Zc 11,12-13 com Jr 18,2-3; 19,1-2; 32,6-15, onde o evangelista vê anúncios proféticos dos factos narrados (26,15 nota; Act 1,19).
11
A questão de Pilatos entende-se melhor, se for tida em conta a acusação da multidão quanto às pretensões de Jesus (v.29.37; 2,2; Lc 23,1-2).
12
Sobre o silêncio de Jesus, ver 26,63 nota.
22
A crucifixão, desconhecida na Lei judaica, era prática habitual dos romanos (Esd 6,11 nota).
25
As palavras dos judeus, com raízes no AT (Dt 21,1-9 nota; 2 Sm 1,13-16; 3,28-29; 1 Rs 2,33 nota; Jr 51,35; Ez 33,5), significavam que eles assumiam a responsabilidade pelo sangue derramado.
26
O suplício do açoite ou flagelação, de origem romana, era praticado antes da crucifixão, para abreviar os tormentos dos condenados.
27
O pretório era a residência do Pretor, e nele se instalava o Procurador romano quando se deslocava de Cesareia a Jerusalém. A coorte era a décima parte da legião e compreendia seiscentos homens; o nome não deve ser tomado em sentido técnico, pois deve tratar-se apenas de todos os soldados que se encontravam no palácio de Pilatos.
29
Escarnecer, tema frequente no AT (Sl 22,8-9 nota; 44,14; 52,8; Is 50,6). O escárnio salienta a injustiça do opressor a respeito do justo e do pobre. Ao ser zombado como Profeta (26,68) e escarnecido como Rei, Jesus enfrenta dois aspectos do seu processo: o religioso e o político (v.11.37; 2,2; Mc 15,29 nota; Lc 23,35 nota; Jo 19,1-7 nota).
32
Cirene, colónia grega na costa norte-africana, onde havia muitos judeus (Act 2,10; 11,20).
33
O nome aramaico Gólgota alude à forma do rochedo, a qual seria semelhante à de um "crâneo" (latim, "Calvário"). Ver Mc 15,22 nota; Jo 19,17-18 nota.
34
Ao ser apresentada aos condenados uma bebida inebriante, a junção de fel tornava-a intragável. Mt põe em evidência a consciência e liberdade de Jesus (Sl 69,22).
35
Ver Sl 22,19; Jo 19,24.
37
Ver Jo 19,19-22.
39
Ver Lm 2,15; Sl 22,8; 109,25.
43
Ver Sl 22,9; Sb 2,13.18-20.
45
As trevas, que envolveram a terra desde o meio-dia até às três horas da tarde, representam o juízo de Deus, que, a partir da cruz, se estende sobre toda a terra (Ex 10,21-23 nota; Am 8,9-10).
46
Três horas da tarde, lit., "Hora nona". Eli, Eli, lemá sabactáni? (em Mc 15,34, Eloí, Eloí...). Citando as Escrituras (Sl 22,2 nota), o grito de Jesus é de dor, não de desespero. Ver Mc 15,34-35 nota e Suplemento TEMPO, p. 2117.
47
Chama por Elias. Alguns dos presentes distorcem as palavras de Jesus, fazendo-se eco da crença na vinda de Elias no fim dos tempos (v.49; 17,10 nota).
48
Alusão ao Sl 69,22. Tratava-se, talvez, de um gesto de compaixão (v.34 nota; Jo 19,29-30).
50
Jesus expirou. Ver Jo 19,28 nota.
51-53
Se por véu do templo se entende a cortina que separava o pátio do templo propriamente dito, quer dizer que a morte de Jesus permite o acesso dos pagãos à presença de Deus; se se entende a cortina que separava o lugar sagrado do Santo dos Santos, então a morte de Jesus significa o fim do sacerdócio da Antiga Aliança (Ex 26,31-37 nota; Jr 31,31-37 nota; Ez 16,59-60 nota; Mc 15,38; Lc 23,45 nota; Jo 3,29 nota; 1 Cor 11,23-25 nota; Gl 4,21-31 nota; Heb 6,19 nota; 10,20). Os elementos descritivos dos v.51-53 faziam parte das profecias tradicionais que anunciavam o dia do julgamento final (9,37 nota; 24,28 nota).
54
Filho de Deus. Ver 16,14-16 nota.
57
Arimateia, povoação de Judá, a NE de Lida (Dt 21,22-23 nota).
62-66
Preparação corresponde à nossa sexta-feira (gr. Parasceve), dia em que os judeus preparavam a celebração do sábado. Estes versículos, próprios de Mt, são eco da polémica entre judeus e cristãos por causa da hipótese do roubo do corpo do Senhor; não se trata de provar a ressurreição, mas de responder à objecção dos judeus.
63
Ver 12,40; 16,21; 17,22-23; 20,19.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.