Saltar para o conteúdo
3 Terça-feira, 3 de novembro Novembro de 2026 Terça-feira da semana XXXI

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Génesis

Génesis 1

I. HISTÓRIA DAS ORIGENS (1-11)

Criação do mundo (2,4b-25; Jb 38-39; Sl 8; 104; Jo 1,1-3)

1 *No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, 2 *a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas.
3 *Deus disse: «Faça-se a luz.» E a luz foi feita. 4 Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. 5 *Deus chamou dia à luz, e às trevas, noite. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia.
6 *Deus disse: «Haja um firmamento entre as águas, para as manter separadas umas das outras.» E assim aconteceu. 7 Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento das que estavam por cima do firmamento. 8 Deus chamou céus ao firmamento. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia.
9 *Deus disse: «Reúnam-se as águas que estão debaixo dos céus, num único lugar, a fim de aparecer a terra seca.» E assim aconteceu. 10 Deus chamou terra à parte sólida, e mar, ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom.
11 *Deus disse: «Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que dêem fruto sobre a terra, segundo as suas espécies, e contendo semente.» E assim aconteceu. 12 A terra produziu verdura, erva com semente, segundo a sua espécie, e árvores de fruto, segundo as suas espécies, com a respectiva semente. Deus viu que isto era bom. 13 Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia.
14 *Deus disse: «Haja luzeiros no firmamento dos céus, para separar o dia da noite e servirem de sinais, determinando as estações, os dias e os anos; 15 servirão também de luzeiros no firmamento dos céus, para iluminarem a Terra.» E assim aconteceu. 16 Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; fez também as estrelas. 17 Deus colocou-os no firmamento dos céus para iluminarem a Terra, 18 para presidirem ao dia e à noite, e para separarem a luz das trevas. E Deus viu que isto era bom. 19 Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia.
20 *Deus disse: «Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, e que por cima da terra voem aves, sob o firmamento dos céus.» 21 Deus criou, segundo as suas espécies, os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves aladas, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom. 22 Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas do mar e multipliquem-se as aves sobre a terra.» 23 Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia.
24 Deus disse: «Que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo as suas espécies.» E assim aconteceu. 25 Deus fez os animais ferozes, segundo as suas espécies, os animais domésticos, segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom.

O ser humano

26 *Depois, Deus disse: «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.» 27 *Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. 28 *Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.» 29 *Deus disse: «Também vos dou todas as ervas com semente que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. 30 E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a todos os seres vivos que existem e se movem sobre a terra, igualmente dou por alimento toda a erva verde que a terra produzir.» E assim aconteceu. 31 *Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia.

Notas

1, 1-11, 32
Esta é chamada História Primitiva ou das Origens. É o pórtico de entrada e o elenco das respostas da Bíblia aos grandes problemas da humanidade. Só Deus é criador e Senhor de todas as coisas. As divindades pagãs não têm qualquer valor. A humanidade, onde se cruzam continuamente homens bons e homens pecadores, vai entroncar em Abraão, o homem "abençoado" por Deus, para ser o pai de um "grande povo", o povo da Aliança (cap. 12-50). 1, 1-2, 4. Um hino ao Deus da criação, tradicionalmente atribuído ao Documento sacerdotal. Esquematizando a obra criadora numa semana, pretende realçar o culto sabático. O sábado era o dia semanal de culto no AT (Ex 20,11; Dt 5,15; Jo 5,16); para os cristãos, é o domingo, dia da Ressurreição de Cristo (Act 20,7; 1 Cor 16,2). Os hebreus e os povos vizinhos imaginavam o mundo como uma "Casa Cósmica": uma cave - a morada dos mortos (37,35; Ex 20,4; Sl 63,10; Is 14,9); o rés-do-chão - a morada da humanidade (Sl 104,5); e o andar de cima - palácio de Deus (Sl 104,3). Esta perspectiva está subjacente a todo este hino da criação.
1
Deus criou os céus e a terra. Há aqui uma explicação do mundo, primitiva e popular, feita segundo as aparências. A novidade está na revelação do monoteísmo, de um só Deus criador. Os vizinhos do povo bíblico pensavam que os astros, as forças da natureza e os animais eram deuses ou obra dos mesmos. Este texto diz-nos que são obra de Deus. Ele tudo criou com a sua palavra. Portanto, os astros não devem ser adorados, como faziam os pagãos (2,4-25; Jb 38-39; Sl 8; 104; Jo 1,1-3; Cl 1,15-17).
2
Terra informe... vazia... trevas. Os antigos perguntavam-se como começou a existir este mundo. Não tinham a possibilidade de dar respostas científicas, como hoje. Surgiram, então, as lendas, contos de lutas misteriosas entre deuses. Falava-se de águas eternas, de trevas, de dragões... O mito era a única explicação. Neste ambiente mítico, a Bíblia apresenta o mundo como obra de Javé, o Deus vivo, ainda que contemple esse mundo com o olhar não científico daquele tempo. Por cima do caos primordial, movia-se o espírito dinâmico de Deus. É Ele que gera a vida na terra (Jr 4,23-26; Lc 1,35).
3
Antes de criar os astros luminosos, Deus criou a luz. Na Bíblia, a luz está associada a tudo o que é positivo, divino; ela é um resplendor do próprio Deus (Jb 29,3; Is 60,1-3). Por isso, é a primeira criatura (Is 45,7; 60,19; Jo 1,9; 8,12; 2 Cor 4,6; Ap 22,5).
5
Surgiu a tarde... e a manhã. Os hebreus contavam os dias não da meia-noite à meia-noite, mas do pôr do sol ao pôr do sol. Por isso, nestes textos aparece, em primeiro lugar, a tarde e só depois a manhã.
6
O firmamento era concebido como uma imensa placa azul, segura e firme, entre as águas de cima e a terra. O caos primordial era imaginado como uma mistura da terra com as águas eternas. Então, Deus, depois de criar a luz (v.3-5), começa o seu trabalho. Primeiramente, coloca um firmamento entre as águas. Como a chuva cai do alto, os primitivos pensavam que por cima do firmamento existia um mar de água doce, e sobre ele, o palácio de Deus.
9
Mar...terra. Desconhecia-se que a terra era redonda e que o mar tinha limites. Pensava-se também que a terra era um disco plano e circular colocado sobre as águas do abismo (Jb 26,8-10; Is 51,10; 2 Pe 3,5).
11
Ver Sl 65,10-14; Heb 6,7.
14-19
Os astros eram concebidos como lâmpadas suspensas do firmamento, para salientar que não eram deuses, como acreditavam os pagãos, mas apenas simples luzeiros. Além de iluminar, tinham também a função de separar as estações e de marcar as festas litúrgicas (ver Is 40,26; Jr 31,35; Br 3,33-35; Mt 24,29; Mc 13,24; Lc 21,25).
20-25
A narração da criação dos animais, como a das plantas, não se opõe ao evolucionismo ou outras teorias científicas, sobre a origem dos seres. O que a Bíblia quer destacar é que são criaturas de Deus. As plantas aparecem antes do Sol e da Lua, coisa cientificamente impossível. Trata-se de uma esquematização poética, não de uma reportagem histórica.
26-28
A solenidade com que o ser humano (isto é, a humanidade) é criado manifesta que ele é o vértice da criação e a "imagem" de Deus sobre a terra. Não uma imagem de pedra ou de barro, como os deuses pagãos, mas uma imagem viva. A ideia de "semelhança" com Deus não reforça mas atenua o termo "imagem". Ser imagem e semelhança de Deus é a vocação essencial do ser humano, criado para aperfeiçoar o mundo, para fazer dele um paraíso.
26
Ver 9,6; Sir 17,1-7; 1 Cor 11,7; Ef 4,24; Cl 3,10; Tg 3,9.
27
Ver Mt 19,4; Mc 10,6.
28
Ver 8,17; 9,1-7.
29-30
Regime vegetariano. Segundo este texto, Deus concede às pessoas e animais comer unicamente ervas. Uma lenda antiga, que aqui aflora, afirmava que, no princípio, as pessoas e os animais eram herbívoros. Só depois é que se foram corrompendo, passando a comer-se uns aos outros. A Bíblia serve-se desta antiga lenda para manifestar que o ser humano se corrompeu com o pecado e para afirmar que Deus queria um paraíso de paz entre os animais e as pessoas, já que vivem juntos na terra. Mais tarde, Deus condescendeu com o ser humano, permitindo que se alimentasse também de carne; proibiu-lhe, porém, o sangue que, para os hebreus, era a vida (9,2-7; Dt 12,23). Trata-se de uma explicação religiosa e popular do facto chocante da "luta pela vida", lei sangrenta da natureza, que leva os animais a comerem-se uns aos outros, para sobreviverem. O cristianismo aperfeiçoou esta lei e aboliu as proibições do AT sobre o uso do sangue (Dt 12,16; Act 15,20-21.29).
31
Ver 1 Tm 4,4; Tg 1,17.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.