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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Génesis

Génesis 47

Audiência real

1 *José foi dar a notícia ao faraó, dizendo: «Meu pai e meus irmãos vieram do país de Canaã com o seu gado miúdo e graúdo e com tudo o que possuem, e encontram-se na província de Góchen.» 2 Depois tomou alguns dos irmãos, cinco homens, e apresentou-os ao faraó. 3 *E o faraó disse-lhes: «Qual é o vosso trabalho?» Responderam ao faraó: «Os teus servos são pastores, como o foram seus pais.» 4 Disseram ainda ao faraó: «Emigrámos para este país, porque os pastos faltam aos rebanhos dos teus servos, e a miséria é muita no país de Canaã. Permite, então, aos teus servos que habitem na província de Góchen.» 5 O faraó disse a José: «Teu pai e teus irmãos vieram para junto de ti. 6 O país do Egipto está à tua disposição; instala teu pai e teus irmãos na sua melhor província. Que habitem na terra de Góchen e, se vires que entre eles há pessoas de valor, nomeia-os inspectores dos meus domínios.»
7 *José introduziu Jacob, seu pai, e apresentou-o ao faraó; e Jacob saudou o faraó. 8 Este disse a Jacob: «Qual é o número dos anos da tua vida?» 9 Jacob respondeu-lhe: «O número dos anos da minha peregrinação é de cento e trinta. Breve e infeliz foi o tempo dos anos da minha vida e não se compara aos anos da vida dos meus pais, aos dias das suas peregrinações.»
10 Jacob saudou o faraó e retirou-se da presença dele. 11 *José instalou seu pai e seus irmãos e concedeu-lhes direitos de propriedade no Egipto, no melhor território, o de Ramessés, como o faraó lhe tinha ordenado. 12 *E José sustentou seu pai, seus irmãos e toda a casa de seu pai, dando-lhes víveres, de acordo com as necessidades de cada família.

Política agrária de José

13 Faltava o pão em toda a região; a miséria era muita, e o Egipto e o país de Canaã estavam reduzidos à miséria. 14 José recolheu todo o dinheiro que havia no país do Egipto e no de Canaã, em troca do trigo que eles compravam, e fez entrar esse dinheiro no palácio do faraó. 15 Quando o dinheiro estava esgotado no país do Egipto e no de Canaã, todos os egípcios se dirigiram a José, dizendo: «Dá-nos pão. Havemos de morrer diante de ti, porque se acabou o dinheiro?» 16 José respondeu: «Entregai os vossos animais, e dar-vos-ei pão em troca deles, visto faltar o dinheiro.» 17 Trouxeram o gado a José e ele deu-lhes pão em troca dos cavalos, do gado miúdo, do gado graúdo e dos jumentos; e forneceu-lhes alimentação em troca do gado, durante aquele ano.
18 *Passado aquele ano, vieram novamente ter com José e disseram-lhe: «Não podemos ocultar ao nosso amo que, tendo o dinheiro e o gado passado por completo para o seu poder, só podemos agora oferecer-lhe os nossos corpos e as nossas terras. 19 Será que nos vais deixar morrer e deixar perdidas as nossas terras? Torna-te nosso proprietário e das nossas terras, em troca de víveres: nós e as nossas terras seremos pertença do faraó; dá-nos sementes para vivermos e não perecermos, e para que os nossos campos não fiquem desertos.»
20 José adquiriu, assim, toda a terra do Egipto para o faraó, pois todos os egípcios venderam os campos, constrangidos como estavam, pela fome. Assim, todo o Egipto ficou a pertencer ao faraó. 21 Quanto ao povo, José reduziu-o à servidão, em toda a extensão do território egípcio. 22 *Contudo, não adquiriu as terras dos sacerdotes. É que os sacerdotes recebiam do faraó uma porção fixa e viviam com essa porção que o faraó lhes concedia, de modo que eles não venderam as propriedades.
23 *E José disse ao povo: «De hoje em diante, vós, assim como as vossas terras, sereis propriedade do faraó. Aqui estão as sementes para semeardes a terra; 24 depois, na altura da produção, dareis um quinto ao faraó; as outras quatro partes servir-vos-ão para semear os campos e para vos sustentardes, assim como à vossa gente e às vossas famílias.»
25 Eles responderam: «Tu conservaste-nos a vida! Possamos alcançar o favor do nosso senhor e permanecer servos do faraó.» 26 José impôs à terra do Egipto esta contribuição de um quinto, para o faraó, a qual subsiste ainda. Só as terras dos sacerdotes é que foram exceptuadas, porque não dependiam do faraó.

Últimas vontades de Jacob (23, 17-19; 49,29-32; 50,5)

27 Israel estabeleceu-se, então, no país do Egipto, na província de Góchen; os israelitas adquiriram propriedades e multiplicaram-se prodigiosamente.
28 Jacob viveu dezassete anos no país do Egipto; o tempo da sua vida foi de cento e quarenta e sete anos. 29 *Quando os dias de Israel se aproximaram do fim, ele mandou chamar seu filho José e disse-lhe: «Se tens alguma afeição por mim, peço-te que ponhas a tua mão sob a minha coxa para jurar que procederás para comigo com bondade e fidelidade, não me sepultando no Egipto. 30 Quando descansar com meus pais, hás-de levar-me para fora do Egipto e enterrar-me no túmulo deles.»
José respondeu: «Farei o que tu dizes.»
31 Jacob continuou: «Jura-mo.» Ele jurou, e Israel inclinou-se em adoração à cabeceira da cama.

Notas

47, 1-31
O cap. 47 tem duas partes: a primeira (v.1-12) trata da relação de Jacob com o faraó. À entrada e à saída da audiência, Jacob saúda o faraó e este concede a Jacob e à sua família direitos de propriedade no Egipto. Assim termina a narrativa iniciada em 42,1 e se explica o motivo das viagens dos patriarcas ao Egipto. Está preparado o cenário para a epopeia do Êxodo. Na segunda parte (v.13-31) - porque está resolvido o problema do seu povo - voltamos a encontrar José nas suas tarefas administrativas. O cap. termina com a morte pacífica de Jacob, na companhia de José, que jura levá-lo para junto dos seus pais, na terra de Canaã.
3
Ver 46,34.
7-10
Jacob, portador da bênção dada por Deus a Abraão, saúda o Faraó, protector do seu povo (12,1-3; 27,29; Nm 24,9; Act 3,25; Gl 3,8.16.18).
11
A tradição aponta a terra de Góchen (só posteriormente chamada Ramessés, por ter sido restaurada por Ramessés II (1290-1224 a.C.) como primeira habitação de Israel (Ex 1,11 nota). Daqui fugirão para o deserto (Ex 12,37; Nm 33,3-5). Esta terra favorecia a família de José, mantendo-os afastados da corte e dos egípcios, onde a pureza da sua raça poderia correr perigo.
12-26
Enquanto os israelitas prosperam, a política agrária de José leva os egípcios à dependência total do faraó. Este texto ficaria melhor depois de 41,55-56.
18-20
A venda da própria pessoa, como escrava, era praticada também em Israel (Dt 15,12-18).
22
Não adquiriu as terras dos sacerdotes. Esta prática, confirmada por Heródoto, era comum noutras civilizações (v.26; Esd 7,24).
23-26
O imposto da quinta parte da produção era conhecido noutras civilizações. O tema da escravidão, que deu início à História de José (cap. 37), atinge aqui um cume inesperado, no povo egípcio. Mas este povo irá fazer a mesma coisa aos israelitas.
29-31
Põe a tua mão debaixo da minha coxa. Eufemismo como forma de juramento muito antiga que punha em causa a força viril do homem (24,2 nota). O Egipto era, para Jacob, uma terra estrangeira. Canaã era a terra que Deus tinha prometido a Abraão e a Isaac.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.