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  Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017    Orações Terço Via-Sacra Via Lucis
FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA - Os Idosos: Artífices de Um Mundo NovoO Banquete da Palavra

Os filhos de Eli, sacerdote do Senhor em Silo, eram depravados e não davam atenção às advertências do pai (1Sm 2, 12). Um dia apresentou-se a Eli um homem de Deus que lhe anunciou: «Na tua casa jamais haverá um ancião» (1Sm 2, 32). Não se tratava de lhe prometer que os seus descendentes seriam libertados das canseira ligadas à assistência das pessoas idosas e doentes, mas do anúncio de uma desgraça terrível: iriam faltar para sempre os educadores das novas gerações, os depositários das tradições sagradas, os responsáveis pela transmissão da fé. Os seus netos nunca mais iriam experimentar a comoção do salmista que exclamava: «Ó Deus, com os nossos ouvidos ouvimos, os nossos pais nos contaram os prodígios que fizeste nos seus dias, em tempos passados» (Sl 44, 1-2).

Em Israel vigorava o preceito «Honra o pai e a mãe», no en-tanto, a formação das novas gerações era, muitas vezes, marcada por tensões e conflitos. Havia jovens viciados e arrogantes (1Rs 12, 8) e jovens sensatos; velhos sapientes que olhavam, com serenidade e confiança, para além do horizonte limitado do seu tempo, assim como velhos obtusos que se batiam por um nostálgico regresso ao passado, procurando, por todas as formas, bloquear o caminho do futuro.

A reconciliação entre as gerações é indicada pelos profetas como o sinal da chegada dos tempos messiânicos. O Antigo Testamento conclui-se com o anúncio do regresso do profeta Elias que fará com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos pais (Ml 3, 24) e o Novo Testamento inicia com as palavras do anjo a Zacarias: «Isabel, tua esposa, vai dar-te um filho; irá à frente do Senhor, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos» (Lc 1, 13-17).

Nas famílias onde falta a pessoa idosa, a vida até pode – em certos momentos – estar mais facilitada, mas é certamente mais pobre de humanidade.

Para interiorizar a mensagem, repetiremos:
- Mesmo quando diminuírem as minhas forças, o meu coração manter-se-á jovem.



PRIMEIRA LEITURA

O livro de Ben Sira é um livro do Antigo Testamento que contém muitos conselhos, bons e úteis, para as mais variadas situações da vida. Ensina como comportar-se com os amigos, com os hóspedes, com as mulheres, como administrar o dinheiro, que relacionamento manter com os chefes, com os servos, com os discípulos... Uma boa parte do livro é dedicada à vida familiar, aos deveres do marido e da mulher, às obrigações dos filhos para com os pais e vice-versa. Pode-se com utilidade ler algum versículo saboroso, por exemplo em Eclo 30, 1-13 e 42, 9-14, mesmo que alguns ensinamentos que aí se encontrem já não possam ser aplicados à letra: certos métodos educativos estão, sem dúvida, obsoletos.

O autor – um tal Ben Sira, de onde vem o nome do livro – é um sapiente rabi que viveu no ano de 200 a.C., estudioso da Bíblia, da qual assimilou a mensagem e da qual retira conselhos úteis para todos.

No tempo de Jesus, o livro de Ben Sira – mesmo não fazendo parte dos livros santos de Israel – era usado pelos mestres para educar os jovens. Também os cristãos o apreciaram sempre, de tal modo que, depois dos Salmos, foi o livro mais lido de todo o Antigo Testamento. O próprio nome com que era conhecido no passado, Eclesiástico, significa «livro para ser lido nas Igrejas».

O trecho da leitura de hoje fala dos deveres dos filhos para com os pais. Vamos introduzi-lo chamando a atenção para o primeiro versículo (que não consta da leitura) porque nos permite colher a identidade do autor, um pai de família preocupado em ensinar aos próprios filhos o caminho da vida: «Ouvi, filhos, os conselhos do vosso pai, procedei em conformidade, para serdes salvos» (Eclo 3, 1).

Salvar, na Bíblia, significa «colocar em lugar amplo, espaçoso». É o contrário de tornar escravo, limitar. Instruído pela experiência acumulada ao longo dos anos, Ben Sira sabe que os jovens correm o perigo de se fecharem nos seus projectos, de pensarem apenas em si mesmos. Assim, por uma aspiração mal entendida à completa independência, podem cair na limitação mais enganadora, a do egoísmo. Há um modo para os salvar da mesquinhez de coração: educá-los para o reconhecimento, torná-los atentos às necessidades dos outros, sobretudo às necessidades daqueles de quem receberam a vida. «Honra o teu pai de todo o coração, não esqueças os gemidos da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram» (Eclo 7, 27-28).

Na primeira parte da leitura (vv. 2-6), Ben Sira resume com o termo honrar o comportamento que os filhos devem ter para com os pais. Chega a repetir cinco vezes este verbo e aplica-o indistintamente quer ao pai quer à mãe. Num mundo onde a mulher era ainda discriminada e considerada inferior ao homem, esta é uma grande novidade. Não se trata de uma novidade absoluta porque Ben Sira herdou-a dos livros santos do seu povo. De facto, o primeiro mandamento que aparece depois dos que dizem respeito a Deus é: «Honra teu pai e tua mãe» (Ex 20, 12; Dt 5, 16).

O primeiro significado do verbo honra, o mais óbvio e imediato, é o de criar honra. Aos filhos é pedido que conduzam uma vida boa, íntegra, correcta, de modo que os pais se possam sentir orgulhosos deles.

O segundo dever dos filhos expresso pelo verbo honrar é o de os assistir economicamente quando se encontram em necessidade. No tempo de Ben Sira os velhos não recebiam reforma e, depois de uma vida de trabalho e sacrifícios, eram por vezes obrigados a viver com necessidades humilhantes. Nenhum filho deveria suportar a situação de ver os pais em tais condições.

Há por fim um terceiro significado do verbo honrar. Na língua hebraica quer dizer: ter peso. Os pais devem ser honrados continuando a dar-lhes o peso que merecem. É uma experiência dramática para as pessoas idosas darem-se conta de que as suas palavras, os seus conselhos, as suas recomendações, os seus gestos de afecto não têm peso nenhum, já não contam para nada.

A Deus agrada muito o amor dos filhos para com os pais. Isto vê-se claramente nas promessas de bênção feitas a quem cuida do pai e da mãe. Ben Sira enumera cinco:

O amor para com os pais – diz ele – expia os pecados (vv. 3.14). Isto não significa que Deus reduz o débito que se tem para com Ele na proporção dos serviços prestados aos pais (seria pouco). Prestar cuidados aos pais, dedicar-lhe afecto e carinho é uma oportunidade que não se deve deixar escapar: amadurece, ajuda a descobrir os verdadeiros valores da vida, desapega de tudo aquilo que é passageiro, afasta do pecado.

O amor aos pais acumula tesouros diante de Deus (v. 4). Diante dos homens leva talvez a perder muitas oportunidades para nos impormos, termos sucesso na vida, acumularmos bens neste mundo. Mas a avaliação que importa considerar não é a dos homens, mas a que o Senhor faz no final da vida.

Quem honra os pais será por sua vez honrado pelos filhos (v. 5). Sábias palavras! Os filhos – sabemo-lo – aprendem mais com os olhos do que com as orelhas. Ele vêem (e não esquecem) o comportamento dos seus pais para com os avós. As atenções para com os filhos podem ser também manifestações de amor possessivo, mas aquelas para com os avós (sobretudo quando necessitam de tudo) nunca podem ser mal entendidas, são uma incomparável lição de vida.

A oração de quem honra os pais será atendida (v. 5). O amor para com os pais produz uma sensibilidade interior que aproxima de Deus. Quando falta este amor, a relação com o Senhor torna-se uma formalidade, uma prática religiosa fria e sem coração que a Deus não interessa.

Por fim, quem honra os pais terá uma longa vida (v. 6). Só muito tarde (no século ii a.C.) em Israel se começou a acreditar numa vida para além da morte, antes pensava-se apenas nesta vida terrena, pelo que o maior bem era morrer como Abraão «feliz, numa idade avançada» (Gn 25, 8). Não podia faltar a promessa desta bênção para quem cuida dos próprios pais (Dt 5, 16; Ex 20, 12).

Na segunda parte da leitura (vv. 12-14), é sugerido o comportamento a ter para com os pais idosos. Pode acontecer que enfraqueçam não só fisicamente, mas também mentalmente. Cuidar de quem perdeu a memória, de quem repete sempre as mesmas frases aborrecidas, e por vezes ofensivas, é muito difícil, e, no entanto, é esse o momento de manifestar plenamente o próprio afecto.

A leitura fala só dos deveres dos filhos e é compreensível... Ben Sira é um velho. Com muita razão os filhos gostariam que fosse dirigida uma palavra também aos pais porque – como sabemos – nem sempre são exemplares. Devem também ser «honrados»?

O amor verdadeiro é sempre gratuito e incondicional. Não se ama uma pessoa porque é boa, mas faz-se com que se torne boa amando-a. E se isto é válido para todos, é-o, sobretudo, para os pais. Amá-los não significa encorajar-lhes os defeitos e os limites, satisfazer-lhes os caprichos, mas compreendê-los e ajudá-los. Não se «honram» os pais se não se procura fazer com que superem certos comportamentos grosseiros, certas atitudes antipáticas, certos modos de falar pouco corteses.

E quando se criam situações irremediáveis..., então, não resta senão a paciência.




SEGUNDA LEITURA

A roupa é muito importante: diferencia-nos dos animais que andam nus e é o prolongamento do nosso corpo. Revela os nossos gostos e os nossos sentimentos, mostra se estamos alegres ou estamos de luto, se é um dia de feriado ou de trabalho. Não pode ser imposta, porque cada pessoa tem o direito de escolher a imagem que deseja dar de si própria.

Na linguagem bíblica, a roupa é o símbolo das obras que manifestam externamente as disposições interiores, as escolhas do coração.

O cristão, que no Baptismo ressuscitou com Cristo para uma vida nova, não pode continuar a vestir a roupa velha. «Deveis, no que toca à conduta de outrora, despir-vos do homem velho, corrompido por desejos enganadores, e renovar-vos pela transformação do Espírito que anima a vossa mente» (Ef 4, 22-24) – recomenda Paulo que utiliza noutras ocasiões a mesma imagem: «revesti-vos de Jesus Cristo» (Rm 13, 14), «revestiste-vos de Cristo» (Gl 3, 27). Retoma-a também na carta aos Colossenses: «revestiste-vos do homem novo» (Cl 3,10) e, nos versículos seguintes, desenvolve-a. É a leitura de hoje.

Na primeira parte (vv. 12-15), Paulo enumera as características da roupa do cristão: «Revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente.» Vamos contar os tecidos de que é feita: são sete e todos de grande valor, praticamente impossíveis de encontrar.

Não está completa ainda a descrição da roupa do cristão. É necessário também cingir-se com um laço que dê um toque de elegância a tudo o resto: a caridade. Esta não se reduz a um vago sentimento, mas manifesta-se por uma atitude constante de serviço ao irmão, na disponibilidade para sacrificar-se por ele.

Esta roupa não está reservada apenas a alguns. Todos os cristãos a devem vestir, é igual para todos, homens e mulheres, sacerdotes, freiras e leigos; deve ser usada de noite e de dia, não é possível despi-la.

Na parte central da leitura (vv. 16-17) estão indicados alguns meios para manter ou construir a harmonia entre os membros da família.

«Habite em vós com abundância a palavra de Cristo» (v. 16).
É o convite a meditar juntos o Evangelho. A família que, com
regularidade, consegue encontrar um momento para dedicar à
leitura de uma página do Evangelho, constrói bases sólidas para se encontrar sempre de acordo e fazer opções iluminadas.

«Para vos instruirdes e aconselhares uns aos outros» (v. 16). Quando há acordo acerca dos valores fundamentais – acordo
criado pela escolha da palavra de Cristo como ponto de referência – é possível instaurar um diálogo construtivo. Os conselhos e as observações não são interpretados como intromissões indevidas, como ingerências naquilo que não nos diz respeito, mas como manifestações de carinho afectuoso para com a pessoa que se ama.

«E com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração.» Quantos pormenores, quantos estratagemas pomos em acção para fazer com que nas nossas famílias reine a confiança recíproca, o acordo, a concórdia. Paulo sugere o seu: a oração em família.

Na terceira parte da leitura (vv. 18-21), Paulo aplica a lei do amor aos relacionamentos entre os membros da família cristã. Diz antes de mais às mulheres que devem ser submissas para com os seus maridos, e depois recomenda a estes que amem as suas mulheres.

Normalmente, às mulheres não agrada nada esta linguagem de Paulo, e perguntam por que motivo ele não diz também aos maridos: «Sede submissos às vossas mulheres.» Estes teriam muita necessidade deste conselho. Fazem muitas vezes aquilo que querem e ai de quem lhes pedir uma explicação.

É preciso reconhecer que as mulheres têm boas razões para se lamentarem, porém é preciso entender aquilo que Paulo pretende realmente afirmar. É verdade que não usa para os maridos a palavra servir, mas utiliza outra que significa exactamente a mesma coisa: amar. Para um cristão, «amar» não significa talvez «tornar-se servo»? O Mestre deu aos seus discípulos, a homens e mulheres, sem distinção, a norma que deve orientar os comportamentos: «Quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir» (Mt 20, 27-28).

No versículo conclusivo, Paulo recomenda aos filhos a obediência, mas, ao contrário de Ben Sira, tem uma palavra também para os pais: estejam atentos para não caírem no autoritarismo que não educa, mas cria rigidez, desconfiança, exaspera os filhos.




EVANGELHO

A lei judaica determinava que todos os primogénitos, quer homens quer animais, fossem oferecidos ao Senhor (Ex 13, 1-16). As crianças, que evidentemente não podiam ser sacrificadas, eram resgatadas: os pais levavam ao sacerdote do templo um animal puro para que fosse imolado em vez do filho; as pessoas ricas ofereciam um cordeiro, as pessoas pobres um par de pombas ou de rolas. Maria e José submeteram-se também a esta disposição e Lucas não perde a oportunidade de relevar que a família de Nazaré não tinha condições para oferecer um cordeiro, pertencia à classe dos pobres.

Depois de abordar este tema, o evangelista introduz logo outro: a observância escrupulosa, da parte da sagrada família, de todas as prescrições da lei do Senhor. Reforçando-o com uma insistência quase excessiva (vv. 22.23.24.27.39), ele pretende sublinhar que, desde os primeiros anos da sua vida, Jesus cumpriu fielmente a vontade do Pai, expressa nas sagradas Escrituras.

A mensagem é dirigida a todos os pais cristãos, cuja tarefa não é apenas dar aos filhos uma instrução, um trabalho e uma inserção no tecido da sociedade civil. Eles são chamados a uma missão mais importante: a consagrar os filhos ao Senhor, desde os primeiros dias da sua vida. Não se trata de lhes impor ritos particulares, mas de inculcar neles convicções profundas. Educar para a fé é muito mais do que ensinar orações e impor o cumprimento de práticas religiosas; significa pôr no coração dos filhos o amor pela «via» que Jesus percorreu, equivale a entregá-los ao Senhor para que Ele os transforme em construtores de paz e de um mundo novo.

As crianças – como sabemos – aprendem mais com os olhos do que com os ouvidos. A vida cristã dos pais é o melhor modo de dar catequese aos filhos. Se os pais rezam em casa, os filhos aprendem a rezar com eles; se os pais lêem a Bíblia, os filhos aprendem a procurar a luz para a sua vida na palavra de Deus; se os pais participam fielmente nos encontros da comunidade cristã, os filhos seguem-nos e tornam-se cristãos empenhados; se os pais praticam o amor, o perdão e a generosidade para com os irmãos, os filhos imitam-nos. É desta forma que os pais cristãos consagram os seus filhos ao Senhor.

Na segunda parte do trecho (vv. 25-35), que constitui o centro do Evangelho de hoje, entra em cena um ancião, de nome Simeão, definido como um «homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel» (v. 25).

Conforme vão passando os anos, vão-se muitas vezes acumulando também as amarguras, e as pessoas idosas gostam de voltar o olhar para o passado. Chegam dias dos quais se diz: «Não sinto neles prazer algum», quando se dorme pouco e mal, «quando se acorda com o piar de um pássaro e emudecem todas as canções» (Ecl 12, 1.4). Então é fácil procurar refúgio na recordação da juventude, abandonar-se a uma melancólica nostalgia e exclamar com o Qohélet: «Também a meninice e a juventude são ilusão» (Ecl 11, 10).

Simeão ensina a envelhecer. Também ele recorda, mas não se lamenta; não censura o tempo presente, não se queixa que «foram os dias antigos melhores que os de agora» (Ecl 7, 10); recorda as promessas de Deus e aguarda, com uma confiança inabalável, a sua realização.

É um velho exemplar: não quer voltar a ser jovem porque sabe que já realizou a sua vida, deixando-se conduzir sempre pelo Espírito; sente declinar as forças, e no entanto continua a cultivar grandes esperanças.

Viveu à luz da palavra de Deus, e por isso – mesmo dando-se conta que os seus dias estão para terminar – não teme a morte; é feliz e pede ao Senhor que o acolha na sua paz.

Não se angustia pelo mal que vê à sua volta, não se deixa tomar pela impaciência nem desespera se vê persistir, um pouco por todo o lado, injustiça e violência.

Dialoga com Deus e olha em frente, não pensa em si, nos seus interesses, mas nos outros, em toda a humanidade, na alegria que todos irão experimentar quando se instaurar o reino de Deus.

Simeão pega no menino dos braços dos pais (v. 28). Com este gesto ele torna-se a imagem do povo de Israel que, durante tantos séculos, esperou o Messias; agora acolhe-o e, com alegria, bendiz o Senhor: «Os meus olhos viram a vossa salvação, que puseste ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo» (vv. 30-32).

Simeão esperava a consolação de Israel (v. 25), recordando certamente a promessa do Senhor: «Como a mãe consola o seu filho, assim Eu vos consolarei; em Jerusalém sereis consolados. Ao verdes isto os vossos corações pulsarão de alegria» (Is 66, 13-14).

Simeão alegrou-se quando viu e recebeu nos braços o Messias de Deus. Agora entrega-o, em nome de Israel, a todos os povos.

Nesta cena comovente está representada a tarefa da transmissão da fé em cada família. Cada geração de cristãos, depois de ter acolhido das mãos dos pais o Senhor, entrega-o feliz aos filhos e aos netos, para que se torne, também para eles, a luz que dá sentido a todos os acontecimentos da vida.

Simeão continua com uma segunda profecia, dirigida a Maria. O seu filho irá ser um sinal de contradição: para alguns significará salvação, para outros será motivo de ruína e uma espada trespassará a alma da mãe (vv. 34-35).

Também Lucas, como João, introduz logo no início do seu Evangelho o tema do conflito provocado pela luz de Deus, destinada a iluminar todas as gentes. Os malvados «não conhecem a luz, fogem velozes como a água corrente» (Job 24, 16-18).

A imagem da espada que há-de trespassar a alma foi muitas vezes interpretada como o anúncio do drama de Maria aos pés da cruz. É uma outra coisa. A mãe de Jesus é vista aqui como o símbolo de Israel. Na Bíblia, Israel (termo feminino em hebraico) é uma mulher, uma esposa que, tendo sido tornada fecunda por Deus, concebe, dá à luz e oferece ao mundo o seu filho. Ninguém melhor que Maria pode representar esta mãe Israel. Simeão intui o drama do seu povo: em Israel – diz ele – irá haver uma profunda laceração. Perante o Messias, o enviado do céu, há quem irá abrir a mente e o coração e acolher a salvação, enquanto outros irão fechar-se numa atitude de rejeição, decretando a própria ruína.

Lucas tem presente a situação das suas comunidades, onde muitos crentes foram marginalizados, devido à sua fé em Cristo, pelos seus melhores amigos e até mesmo pelos próprios familiares. Mais à frente no seu Evangelho, numa referência clara a esta profecia, irá colocar a afirmação de Jesus: «Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; vão dividir-se o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra» (Lc 12, 51-53).

Na terceira parte do trecho (vv. 36-38) aparece outra personagem idosa: a profetisa Ana. Tem oitenta e quatro anos e este número, que é resultado de 7X12, tem um significado simbólico evidente: 7 indica a perfeição, 12 representa o povo de Israel. Ana é assim a mulher-Israel que, tendo realizado a sua missão, entrega ao mundo o Messias esperado.

Esta profetisa é da tribo de Aser, a mais pequena, a mais insignificante de todas as tribos de Israel; na bênção que Moisés pronuncia sobre o povo, antes de morrer, esta tribo aparece em último lugar. Lucas põe em evidência o facto de Ana pertencer a esta tribo para mostrar, mais uma vez, que os pobres estão em melhores condições de reconhecer em Jesus o salvador.

Ana foi uma mulher fiel ao marido, a ponto de não ter casado novamente. A sua escolha tem para o evangelista um significado teológico: assim como o velho Simeão, também Ana é símbolo do resto fiel do povo de Israel, a esposa do Senhor. Na sua vida teve um só amor, depois viveu no luto a sua viuvez até ao dia em que reconheceu em Jesus o seu Senhor. Então alegrou-se de novo, como a esposa que reencontra finalmente o esposo.

Ana não se afasta do templo do Senhor (v. 37). É aquela a casa do seu esposo. Não vai à procura de amantes, não desperdiça o tempo com os ídolos, não vai de casa em casa para passar o tempo em tagarelices vazias e em mexericos. Sabe que os dias da vida são preciosos e devem ser passados na intimidade com o Senhor e ao serviço da comunidade.

As pessoas idosas nunca se sentem inúteis quando vivem na expectativa da vinda do Senhor: podem sempre desempenhar tarefas preciosas que, mesmo sendo humildes, dão muita alegria aos irmãos. Têm, sobretudo – como a profetisa idosa – a função de falar de Jesus a todas as pessoas que procuram um sentido para a vida. A experiência espiritual que adquiriram constitui a herança mais preciosa que devem deixar às novas gerações.

O trecho conclui-se (vv. 39-40) com o regresso da sagrada família a Nazaré, e com a nota referente ao crescimento de Jesus. Ele não era diferente das crianças da sua aldeia, a não ser porque estava «cheio de sabedoria e a graça de Deus estava com Ele». Mesmo sendo o Filho de Deus, aceitou em tudo a nossa condi-
ção humana e partilhou, desde a infância, todas as nossas expe-riências.

Fonte: O Banquete da Palavra / Fernando Armellini : Paulinas Editora

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Última actualização: 2010-12-01 00:00:00

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