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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Génesis

Génesis 42

Primeira viagem dos irmãos de José ao Egipto

1 *Sabendo Jacob que havia trigo à venda no Egipto, disse aos seus filhos: «Porque olhais uns para os outros?» 2 E disse ainda: «Ouvi dizer que há trigo à venda no Egipto. Ide lá comprá-lo, para nós continuarmos vivos e não morrermos.»
3 Os irmãos de José partiram, em número de dez, para comprar trigo no Egipto. 4 Quanto a Benjamim, irmão de José, Jacob não o deixou ir com os irmãos, porque, dizia ele de si para consigo: «Poderia acontecer-lhe algum mal.»
5 E os filhos de Israel foram comprar trigo, juntamente com outros que iam, pois também havia fome no país de Canaã.
6 *Ora José era governador do país; era ele que mandava distribuir o trigo a todo o povo do país. Quando os irmãos de José chegaram, prostraram-se diante dele com o rosto por terra.
7 Vendo os irmãos, José reconheceu-os; dissimulou, porém, diante deles e falou-lhes com dureza, dizendo: «Donde vindes?» Ao que eles responderam: «Do país de Canaã, para comprar víveres.» 8 José reconheceu os irmãos mas eles não o reconheceram.
9 *José recordou-se, então, dos sonhos que tivera acerca deles e disse-lhes: «Sois espiões! É para descobrir o lado fraco do país que viestes.» 10 Responderam-lhe: «Não, senhor, os teus servos vieram para comprar víveres. 11 Somos todos filhos de um mesmo pai; somos pessoas honestas: os teus servos nunca foram espiões.»
12 Disse-lhes José: «Não é assim! Viestes reconhecer os lados fracos do território.» 13 Responderam-lhe: «Nós, os teus servos, éramos doze irmãos, filhos de um mesmo pai e habitantes do país de Canaã; o mais novo está junto do nosso pai neste momento e o outro já não existe.»
14 José disse-lhes: «É aquilo que eu disse: sois espiões! 15 Por isso vos porei à prova: Pela vida do faraó, não saireis daqui enquanto o vosso irmão mais novo não tiver vindo. 16 Mandai um de vós buscá-lo, enquanto ficais prisioneiros; verificar-se-á, assim, a sinceridade das vossas palavras. Doutro modo, pela vida do faraó, sereis considerados espiões.» 17 E fechou-os na prisão durante três dias.
18 No terceiro dia, José disse-lhes: «Fazei o seguinte e vivereis, porque temo o SENHOR: 19 se procedeis de boa fé, que só um de vós fique detido na prisão, enquanto ireis levar às vossas famílias com que lhes matar a fome. 20 Depois, trazei-me o vosso irmão mais novo: assim, as vossas palavras serão justificadas, e não morrereis.» E eles concordaram.
21 *Disseram, então, uns aos outros: «Na verdade, nós estamos a ser castigados por causa do nosso irmão; vimos o seu desespero quando nos implorou compaixão, e não o escutámos. Por isso veio sobre nós esta desgraça.» 22 Rúben respondeu-lhes nestes termos: «Eu bem vos dizia, então: ‘Não pequeis contra o menino!‘ Mas não me escutastes. Agora respondemos pelo seu sangue.»
23 Ora eles não sabiam que José os compreendia, porque lhes falava por meio de um intérprete. 24 *José afastou-se deles e chorou. Depois voltou para junto dos irmãos e falou-lhes. Escolheu Simeão e mandou-o encarcerar na presença deles.

Regresso à terra natal

25 José ordenou, então, que lhes enchessem de trigo os sacos; que pusessem o dinheiro de cada um no seu saco e que lhes dessem provisões para a viagem. Tudo isso foi executado. 26 Eles carregaram o trigo sobre os jumentos e partiram.
27 Na estalagem, ao abrir o saco para dar a ração ao jumento, um deles encontrou o dinheiro, que estava na boca do saco. 28 *E disse aos seus irmãos: «Devolveram-me o dinheiro; está aqui no meu saco.» Desfaleceu-lhes o coração e olharam uns para os outros, atemorizados, dizendo: «O que é isto que Deus nos fez?»
29 Chegando junto de Jacob, seu pai, no país de Canaã, contaram-lhe tudo o que lhes tinha acontecido, nestes termos: 30 «O homem, que é senhor do país, falou-nos com dureza; tratou-nos como a espiões que iam explorar o país. 31 Nós dissemos-lhe: ‘Somos pessoas honestas, nunca fomos espiões. 32 Éramos doze irmãos, filhos do mesmo pai: um já não vive, e o mais novo está agora com o nosso pai no país de Canaã.‘ 33 E o homem, que é senhor daquele país, respondeu-nos: ‘Reconhecerei que sois sinceros, se deixardes junto de mim um de vós; tomai o que é preciso para as necessidades das vossas famílias e parti; 34 depois, trazei-me o vosso irmão mais novo. Saberei, assim, que não sois espiões e que sois pessoas honestas. Entregar-vos-ei, então, o vosso irmão, e podereis circular no país, fazendo as vossas compras.‘»
35 Ao esvaziarem os seus sacos, todos eles encontraram o dinheiro dentro deles; à vista desse dinheiro, tanto eles como o pai estremeceram.
36 Então Jacob, seu pai, disse-lhes: «Ainda me ides deixar sem meus filhos! José desapareceu, Simeão desapareceu e quereis agora tirar-me Benjamim! É sobre mim que tudo isto cai.» 37 Rúben disse ao pai: «Tira a vida aos meus dois filhos, se eu to não trouxer; entrega-o nas minhas mãos e trá-lo-ei para junto de ti.»
38 Jacob respondeu: «O meu filho não irá convosco; porque o seu irmão já não existe e só ele ficou. Se lhe acontecesse algum mal durante a viagem que ides fazer, os meus cabelos brancos desceriam ao túmulo com o peso da dor.»

Notas

42, 1-38
O Génesis podia terminar no cap. 41, com a ascensão de José ao trono do Egipto. Temática semelhante aparece também nas histórias de Gedeão e David. Este cap., sobre a primeira viagem dos irmãos de José ao Egipto, é o primeiro de vários episódios que se situam em dois lugares geográficos diferentes: a casa de Jacob em Canaã e o palácio de José no Egipto. Entre estes dois lugares vão suceder-se diversas viagens, com diferentes peripécias dramáticas, que pretendem ligar novamente José à sua família e explicar o modo como o povo de Israel entrou no Egipto e se estabeleceu neste país. Estes acontecimentos estabelecem igualmente a ligação do Génesis com o Êxodo. Para tornar mais vivas e dramáticas as várias cenas, o autor utiliza os processos literários da análise dos sentimentos e os diálogos das personagens. Esta primeira viagem tem quatro cenários diferentes: em Canaã (v.1-5); no Egipto (v.6-26); na pousada (v.27-28); novamente em Canaã (v.29-38).
6
Prostraram-se diante dele. José encontra-se com seus irmãos, conforme o próprio José previra em sonhos (37,5-10). Reconhece os irmãos, mas eles não o reconhecem, pois julgavam-no perdido. Ainda hoje, nos monumentos egípcios, podemos ver cenas como esta, em que os asiáticos se prostram reverentes diante dos soberanos e potentados do país.
9
Sois espiões. A acusação poderia fundamentar-se no facto do Egipto estar exposto às incursões de grupos nómadas que, em busca de alimento, podiam facilmente descer pela parte oriental, invadir e vencer o país. No entanto, José procede desta maneira para aquilatar dos sentimentos dos irmãos para com ele, para com o pai e para com Benjamim, como se verá a seguir.
21
Por causa do nosso irmão. Primeiro fruto da dureza de José: a confissão do crime e o arrependimento dos irmãos culpados. Eles não suspeitam que a vítima do seu crime está presente (9,5; 37,22).
24
José chorou. O crime da venda do irmão faz sofrer toda a família: primeiramente, o pai; agora, os irmãos, que o venderam. O filho vendido sofre também e chora (43,30).
28
Atemorizados. Temiam que lhes acontecesse outra desgraça, porque, depois de terem sido acusados de espiões, poderiam ser acusados de roubo. Além disso, sentiam como justo todo este sofrimento, porque associavam a venda de José a todas estas provas.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.