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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Génesis

Génesis 3

1 *A serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o SENHOR Deus fizera; e disse à mulher: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» 2 A mulher respondeu-lhe: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; 3 mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Nunca o deveis comer, nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis.‘ 4 A serpente retorquiu à mulher: ‘Não, não morrereis; 5 porque Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal‘.»
6 *Vendo a mulher que o fruto da árvore devia ser bom para comer, pois era de atraente aspecto e precioso para esclarecer a inteligência, agarrou do fruto, comeu, deu dele também a seu marido, que estava junto dela, e ele também comeu.
7 Então, abriram-se os olhos aos dois e, reconhecendo que estavam nus, coseram folhas de figueira umas às outras e colocaram-nas, como se fossem cinturas, à volta dos rins.
8 *Ouviram, então, a voz do SENHOR Deus, que percorria o jardim pela brisa da tarde, e o homem e a sua mulher logo se esconderam do SENHOR Deus, por entre o arvoredo do jardim.
9 *Mas o SENHOR Deus chamou o homem e disse-lhe: «Onde estás?» 10 Ele respondeu: «Ouvi a tua voz no jardim e, cheio de medo, escondi-me porque estou nu.» 11 *O SENHOR Deus perguntou: «Quem te disse que estás nu? Comeste, porventura, da árvore da qual te proibi comer?» 12 O homem respondeu: «Foi a mulher que trouxeste para junto de mim que me ofereceu da árvore e eu comi.» 13 O SENHOR Deus perguntou à mulher: «Por que fizeste isso?» A mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi.»

Castigo e esperança

14 Então, o SENHOR Deus disse à serpente:
«Por teres feito isto, serás maldita
entre todos os animais domésticos
e entre os animais selvagens.
Rastejarás sobre o teu ventre,
alimentar-te-ás de terra todos os dias da tua vida.
15 *Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a dela.
Esta esmagar-te-á a cabeça
e tu tentarás mordê-la no calcanhar.»
16 Depois, disse à mulher:
«Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez,
entre dores darás à luz os filhos.
Procurarás apaixonadamente o teu marido,
mas ele te dominará.»
17 A seguir, disse ao homem:
«Porque atendeste à voz da tua mulher
e comeste o fruto da árvore,
a respeito da qual Eu te tinha ordenado: ‘Não comas dela‘,
maldita seja a terra por tua causa.
E dela só arrancarás alimento
à custa de penoso trabalho,
todos os dias da tua vida.
18 Produzir-te-á espinhos e abrolhos,
e comerás a erva dos campos.
19 *Comerás o pão com o suor do teu rosto,
até que voltes à terra de onde foste tirado;
porque tu és pó e ao pó voltarás.»

20 *Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela seria mãe de todos os viventes. 21 O SENHOR Deus fez a Adão e à sua mulher túnicas de peles e vestiu-os.
22 O SENHOR Deus disse: «Eis que o homem, quanto ao conhecimento do bem e do mal, se tornou como um de nós. Agora é preciso que ele não estenda a mão para se apoderar também do fruto da árvore da Vida e, comendo dele, viva para sempre.»
23 O SENHOR Deus expulsou-o do jardim do Éden, a fim de cultivar a terra, da qual fora tirado. 24 *Depois de ter expulsado o homem, colocou, a oriente do jardim do Éden, os querubins com a espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da Vida.

Notas

3, 1-24
Transgressão e sanção. Para interpretar religiosamente as penas e os sofrimentos da vida humana, atribuindo-as a um acto da criação de Deus, o narrador não os podia fazer depender directamente de Deus, porque isso seria atribuir a Deus a origem do mal físico. Por meio da linguagem simbólica e mítica, diz que foram criados por Deus, sim, mas em forma de punição de uma transgressão cometida pelos humanos que estavam a ser criados. Assim, esta explicação religiosa e popular desculpa, na medida do possível, os humanos criados e o Deus criador: dizendo que os humanos transgrediam para alcançar o necessário conhecimento, desculpava-os de leviana imoralidade em tal acto (o "conhecimento" era indispensável para que o homem e a mulher se tornassem humanos completos); dizendo que Deus teve de voltar a intervir para corrigir a transgressão humana (tornando humanos os que se tinham tornado "como deuses"), desresponsabilizava-se Deus de ser causa das penas humanas. Esta explicação não é fatalista ou trágica mas positiva: leva o leitor a aceitar serena e realisticamente as realidades da vida.
1
A serpente. Instintivamente, as pessoas sentem horror perante este réptil e, se puderem, esmagam-lhe a cabeça (v.15). O autor deste texto tomou-a como motivo fabuloso, com ambiguidade procurada, para explicar as coisas boas e más da existência humana. Este animal manhoso, que fala, desencadeia a evolução da criação dos humanos: convencendo os humanos a transgredir, contribui para a aquisição do conhecimento e da civilização, mas também das penas e da morte humanas. A serpente é mais um artifício literário que o narrador usa, ao serviço da sua teologia narrativa: ver tudo em Deus e Deus em tudo, como origem de tudo. Isto exprime uma atitude contemplativa face à vida humana (Sb 2,24; Jo 8,44; Ap 12,9; 20,2).
6
Ver 1 Tm 2,14; Tg 1,13-15.
8
A voz do Senhor Deus, que percorria o jardim. Numa linguagem popular, de grande vigor psicológico, Deus é apresentado como um amigo da humanidade; como se nada soubesse, percorre o jardim. Esta "ignorância divina" é, assim, um artifício literário para introduzir o diálogo que se segue. Idêntico processo literário leva o hagiógrafo a pôr a serpente a falar.
9-19
Este diálogo apresenta-se sob a forma de um julgamento, em que Deus é apresentado como juiz. A partir do v.14, vem a sentença final, na ordem inversa à das interpelações: há castigo e maldição para a serpente, que não se desculpa. São igualmente castigados a mulher e o homem; mas não são amaldiçoados. Este castigo é simples apresentação dos problemas da serpente, da mulher e do homem, ao longo da história: a serpente que rasteja, a mulher que dá à luz nas dores de parto, o homem que deve alimentar a família com o suor da sua fronte. Trata-se de uma resposta religiosa daquele tempo ao problema do mal. Numa linguagem popular, é-nos apresentado o estado do ser humano que, ao querer ser "como Deus", alcança, no processo da sua criação, uma condição (divina) que não lhe é própria. Por isso, o narrador faz Deus intervir de novo para redimencionar os transgressores e continuar a criar a condição humana, agora nos seus aspectos penosos (Ap 21,4 nota).
11
Ver Is 20,3; Ap 3,18; 16,15.
15
Inimizade entre a serpente e a mulher. Temos aqui um proto-evangelho, a primeira boa-nova sobre o Messias: a luta entre a descendência da serpente e a descendência de Eva terminará com a vitória desta última. É o triunfo do bem sobre o mal. Este autor, apesar de contemplar a humanidade dilacerada pelo mal, mantém um profundo optimismo: o triunfo é do bem. A verdadeira "descendência" da mulher-Eva é Cristo que, com a sua morte e ressurreição, esmagou a cabeça da serpente, a própria morte. Estreitamente associada a Ele, encontra-se Maria, a Mulher, a nova Eva (Lc 1,26-38; Jo 8, 44; Ap 12,1-17; 20,1-3; 21,4 nota).
19
Ver Jb 34,15; Sl 90,3; 104,29.
20
Eva, mãe de todos os viventes. Eva, em hebr., está relacionada com um termo ligado à vida.
24
Os querubins são figuras mitológicas representadas com asas; ornamentavam a entrada dos templos da Babilónia, como seus "anjos da guarda". Por isso, o texto os utiliza como "guardas" do Éden. Estas estátuas ornamentais aparecem ainda na Arca da aliança (Ex 25,10 nota.18 nota; 37,7-9), no pórtico do templo (1 Rs 6,23-29) e na visão de Ezequiel (Ez 1 e 10). Aqui simbolizam a dificuldade que o ser humano encontra no acesso ao mundo espiritual. Árvore da Vida: v.9-19 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.