Génesis 2
1 *Foram assim terminados os céus e a Terra e todo o seu conjunto.
2 *Concluída, no sétimo dia, toda a obra que tinha feito, Deus repousou, no sétimo dia, de todo o trabalho por Ele realizado.
3 Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Ele repousou de toda a obra da criação. 4 *Esta é a origem da criação dos céus e da Terra.
O homem (1,26-29; Jb 38,1-39,30; Sl 8; 104) Quando o SENHOR Deus fez a Terra e os céus, 5 *e ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar, 6 e da terra brotava uma nascente que regava toda a superfície, 7 *então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.
8 *Depois, o SENHOR Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. 9 *O SENHOR Deus fez brotar da terra toda a espécie de árvores agradáveis à vista e de saborosos frutos para comer; a árvore da Vida estava no meio do jardim, assim como a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10 Um rio nascia no Éden para regar o jardim, dividindo-se, a seguir, em quatro braços. 11 O nome do primeiro é Pichon, rio que rodeia toda a região de Havilá, onde se encontra ouro, 12 ouro puro, sem misturas, e também se encontra lá bdélio e ónix. 13 O nome do segundo rio é Guion, o qual rodeia toda a terra de Cuche. 14 O nome do terceiro é Tigre, e corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.
15 O SENHOR Deus levou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar. 16 *E o SENHOR Deus deu esta ordem ao homem: «Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; 17 mas não comas o da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás.»
21 Então, o SENHOR Deus fez cair sobre o homem um sono profundo; e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das suas costelas, cujo lugar preencheu de carne. 22 Da costela que retirara do homem, o SENHOR Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem.
23 *Então, o homem exclamou:
«Esta é, realmente,
osso dos meus ossos
e carne da minha carne.
Chamar-se-á mulher,
visto ter sido tirada do homem!»
24 Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne.
3 Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Ele repousou de toda a obra da criação. 4 *Esta é a origem da criação dos céus e da Terra.
O homem (1,26-29; Jb 38,1-39,30; Sl 8; 104) Quando o SENHOR Deus fez a Terra e os céus, 5 *e ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar, 6 e da terra brotava uma nascente que regava toda a superfície, 7 *então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.
8 *Depois, o SENHOR Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. 9 *O SENHOR Deus fez brotar da terra toda a espécie de árvores agradáveis à vista e de saborosos frutos para comer; a árvore da Vida estava no meio do jardim, assim como a árvore do conhecimento do bem e do mal.
10 Um rio nascia no Éden para regar o jardim, dividindo-se, a seguir, em quatro braços. 11 O nome do primeiro é Pichon, rio que rodeia toda a região de Havilá, onde se encontra ouro, 12 ouro puro, sem misturas, e também se encontra lá bdélio e ónix. 13 O nome do segundo rio é Guion, o qual rodeia toda a terra de Cuche. 14 O nome do terceiro é Tigre, e corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.
15 O SENHOR Deus levou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar. 16 *E o SENHOR Deus deu esta ordem ao homem: «Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; 17 mas não comas o da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás.»
A mulher
18 *O SENHOR Deus disse: «Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele.» 19 Então, o SENHOR Deus, após ter formado da terra todos os animais dos campos e todas as aves dos céus, conduziu-os até junto do homem, a fim de verificar como ele os chamaria, para que todos os seres vivos fossem conhecidos pelos nomes que o homem lhes desse. 20 O homem designou com nomes todos os animais domésticos, todas as aves dos céus e todos os animais ferozes; contudo, não encontrou auxiliar semelhante a ele.21 Então, o SENHOR Deus fez cair sobre o homem um sono profundo; e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das suas costelas, cujo lugar preencheu de carne. 22 Da costela que retirara do homem, o SENHOR Deus fez a mulher e conduziu-a até ao homem.
23 *Então, o homem exclamou:
«Esta é, realmente,
osso dos meus ossos
e carne da minha carne.
Chamar-se-á mulher,
visto ter sido tirada do homem!»
24 Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne.
Transgressão
25 *Estavam ambos nus, tanto o homem como a mulher, mas não sentiam vergonha.Notas
- 2, 1-4a
- É com o sábado que termina o hino a Deus criador. Toda a obra que Deus tinha feito é abençoada e santificada no sábado, porque é consagrada a Deus na oração de um povo que se reúne neste dia, para louvar o Criador de todas as coisas. Sobre o sábado, ver Ex 20,8-11; 31,12-17; Lv 23,1-3 nota; Nm 15,32-36; Dt 5,12-15.
- 2
- Ver Ex 20,11; 31,12-17; Heb 4,4-5.
- 4b-3,24
- Inicia-se um novo relato da criação, com uma linguagem mais popular, que apresenta Deus à maneira humana. Trata-se de narrações com um alto sentido teológico e psicológico, para responder a certas perguntas: Como apareceu a humanidade? Porque existe atracção entre o homem e a mulher? Porque sofrem as pessoas? Qual a origem do pecado? Por outro lado, estas narrações não estão isentas da preocupação polémica e apologética em defender o culto ao Deus verdadeiro dos cultos pagãos e dos seus mitos de criação. Contrariamente ao relato anterior (1,1-2,4a), este não fala de todo o mundo cósmico, mas da vida concreta de uma família do campo. A primeira parte (v.4b-25) interpreta teologicamente as realidades positivas; a segunda (3,1-24) e a terceira descrevem uma transgressão humana (3,1-6) e uma sanção divina (3,7-24), para explicar os aspectos penosos da vida, em forma de castigo.
- 5-6
- Não tinha feito chover sobre a terra. Enquanto no quadro precedente predominava a água, nesta narração remonta-se a uma situação mítica de aridez (deserto).
- 7
- O Senhor Deus formou o homem. Em linguagem popular, o texto sagrado manifesta-nos que o ser humano (adam, Adão significa humanidade) é obra de Deus e que Deus tem por ele predilecção especial, como evidencia o resto da narração (Jb 34,14-15; Sl 104,29-30; 1 Cor 15,45-47).
- 8-14
- Um jardim no Éden. Depois de apresentar Deus como um oleiro a modelar o homem da terra (Adão vem de adamah, barro), o texto bíblico apresenta-o agora como um jardineiro. Tudo isto pretende realçar a sua preocupação pelo homem e explicar a origem do trabalho, donde o homem tira o próprio sustento.
- 9
- Árvore da vida; árvore do conhecimento do bem e do mal. Estas "árvores" não pertencem às ciências botânicas. Trata-se de símbolos tirados de lendas antigas e pretendem manifestar os desejos mais profundos do ser humano: ser imortal e fazer tudo o que lhe convém, sem estar sujeito a Deus. Só Ele é Senhor do "bem e do mal", isto é, de tudo. No entanto, o ser humano pretende "ser como Deus" (3,5). Estamos perante uma linguagem mítica e poética (Pr 3,18; Ap 2,7; 22,2 nota.14).
- 16-17
- Os humanos não são Deus. Só Ele "come" da árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, domina todas as coisas (v.17; Sb 1,12-16; Rm 6,23; Tg 1,15; 1 Jo 5,16).
- 18-22
- A mulher surge aqui como um ponto alto da criação. Numa linguagem diferente de 1,26-27, o autor pretende atingir o mesmo objectivo: manifestar o domínio do homem sobre a criação, pelo facto de dar o nome aos animais. Esta superioridade também é apanágio da mulher, pois é apresentada como auxiliar semelhante a ele (v.18). Os povos antigos rebaixavam a mulher; este texto bíblico reabilita-a; ela é - tal como Deus - auxiliar ('ezer) do homem (v.20). Tirou-lhe uma das costelas. Deus, que fora apresentado como um oleiro e um jardineiro, aparece agora como um cirurgião. Esta linguagem poética e popular diz que, se a mulher sai do homem e não da terra, é igual a ele e tem a sua missão própria no seio da humanidade. O matrimónio e a família monogâmica fazem parte do plano de Deus. Tradicionalmente, a Igreja viu na figura de Eva, que sai do homem adormecido, uma figura da Igreja, esposa de Cristo, que sai do coração aberto de Cristo na cruz (Jo 19,34).
- 23-24
- A expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne significa que o homem e a mulher têm a mesma natureza humana (29,14 nota; 37,27). Mas o parentesco entre esposos é superior ao dos filhos em relação aos pais. Por isso, com o casamento, eles deixam o pai e a mãe para constituírem uma família no maior grau de amor espiritual, psicológico e físico. É este o significado da expressão os dois serão uma só carne, isto é, uma só pessoa, em todas as suas dimensões. O v.23 é um "poema de amor" dirigido à mulher. Expressões semelhantes em 29,14; 37,27; Jz 9,2; 2 Sm 5,1; 19,13-14; Mt 19,3-9; Mc 10,2-12; 1 Cor 6,16; Ef 5,31.
- 25
- Estavam ambos nus, mas não sentiam vergonha. Os primitivos tinham grande dificuldade em arranjar com que se cobrir. Facilmente se perguntavam pela origem do vestuário e da vergonha púdica. O autor do Génesis não nos diz claramente a origem da vergonha, que não parece ser de ordem sexual. É o que aqui se afirma. Só mais tarde é que o homem e a mulher descobrem que estão nus, isto é, que lhes falta alguma coisa para serem humanos acabados. Enquanto em 2,25 ainda estão inconscientes do que lhes faz falta para a sua condição humana e incivilizados, em 3,7 tomam consciência dessa carência e procuram pôr-lhe cobro. Mas a origem do vestuário é atribuída a Deus, pela fé (3,21).
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.