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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Ezequiel

Ezequiel 27

Lamentação sobre a queda de Tiro (28,1-19)

1 *Foi-me dirigida a palavra do SENHOR nestes termos:
2 «E tu, filho de homem, profere sobre Tiro uma lamentação. 3 Dirás a Tiro, a cidade que fica junto ao mar, que tem comércio com os povos de inúmeras ilhas: Assim fala o Senhor DEUS:
Tiro, tu dizias: 'Eu sou um navio
de uma beleza perfeita.'
4 * O teu domínio está no coração do mar,
os teus construtores fizeram de ti uma perfeição.
5 *Com ciprestes de Senir
fizeram todas as tuas pranchas;
para te fazerem um mastro,
cortaram um cedro do Líbano.
6 Com os carvalhos mais altos de Basan
fizeram os teus remos;
e com marfim incrustado em cedro
das ilhas de Kitim, o teu convés.
7 *De linho fino do Egipto, bordado,
eram as tuas velas
que te serviam de estandarte.
De púrpura e escarlate das ilhas de Elicha
fizeram-te um toldo.
8 *Os habitantes de Sídon e de Arvad
foram os teus remadores.
E os sábios de Cémer
estavam a bordo como pilotos.
9 *Os anciãos de Guebal e seus artistas
lá estavam para reparar-te as avarias.
Todos os navios do mar e seus marinheiros
estavam perto de ti,
para fazerem comércio contigo.
10 *Gente da Pérsia, de Lud e de Put
servia na tua armada
como gente de guerra.
Penduravam em ti o escudo e o capacete,
para te enfeitar.
11 Sobre os teus muros, estavam os filhos de Arvad, e os teus soldados, vigiando nas tuas torres. Nas tuas muralhas penduravam os seus escudos, dando-te rara beleza.
12 *Társis era tua cliente, aproveitando-se da abundância das tuas riquezas. Com prata, ferro, estanho e chumbo pagava as tuas mercadorias. 13 *Javan, Tubal e Méchec comerciavam contigo. Trocavam as tuas mercadorias por homens e utensílios de bronze. 14 *Os de Bet-Togarma forneciam-te em troca cavalos de raça, cavalos de sela e mulas. 15 Os filhos de Dedan faziam comércio contigo. Muitas ilhas eram tuas clientes; pagavam-te com marfim e ébano. 16 A Síria negociava contigo, por causa da grande abundância dos teus produtos; pagavam-te com pedras preciosas, púrpura, tecidos tingidos, linho fino, corais e rubis. 17 Judá e o país de Israel também comerciavam contigo, fornecendo-te em troca o trigo de Minit, cera, mel, azeite e bálsamo. 18 *Damasco era teu cliente graças à abundância dos teus produtos e à multidão das tuas riquezas, que ela trocava pelo vinho de Helbon e lã de Sacar.
19 *Dan e Javan, depois de Uzal, abasteciam-te de ferro forjado, de cássia e cana aromática, como matéria de permuta. 20 *Dedan fazia comércio contigo de artigos de montaria. 21 *A Arábia e os príncipes de Quedar também eram teus clientes, em cordeiros, carneiros e bodes. 22 *Os mercadores de Sabá e de Rama comerciavam contigo; trocavam as tuas mercadorias por aromas de primeira qualidade, pedras preciosas e ouro. 23 *Haran, Cané e Éden, os comerciantes de Sabá, de Assur e de Quilmad traficavam contigo. 24 Vendiam nos teus mercados ricas vestes, mantos de púrpura, bordados, tecidos de variadas cores, fortes cordas entrançadas.
25 *Os navios de Társis vogavam
ao serviço dos teus negócios.
Eras poderosa e gloriosa
no coração dos mares.
26 *Era pelo alto mar que te conduziam
os teus remadores.
O vento do oriente destroçou-te em pleno mar.
27 As tuas mercadorias, as tuas riquezas,
os teus produtos, os teus navios,
os teus marinheiros e os teus pilotos,
os teus calafates e os teus estivadores,
todos os homens de guerra que tu transportavas
e toda a multidão de pessoas que vai a bordo,
serão engolidos pelo mar
no dia do teu naufrágio.
28 Aos gritos dos teus marinheiros,
as praias estremecerão.
29 Então, descerão dos seus navios
todos os remadores.
Os marinheiros, todos eles gente do mar,
desembarcarão em terra.
30 *Farão ouvir o seu queixume contra ti
e gritarão amarguradamente.
Deitarão poeira na cabeça
e rolarão na cinza.
31 Por causa de ti, raparão a cabeça
e se cingirão de saco.
Chorarão sobre ti na tristeza da sua alma,
em luto amargo.
32 Juntos entoarão sobre ti um cântico fúnebre,
lamentando-te assim:
'Quem era como Tiro,
gloriosa no coração do mar?'
33 Quando as tuas mercadorias desembarcavam,
abastecias muitos povos;
com a abundância de tuas riquezas e comércio,
enriquecias os reis da terra.
34 Mas agora, eis-te quebrada pelas vagas,
no coração dos mares.
As tuas mercadorias e toda a tua tripulação
foi a pique contigo.
35 Todos os habitantes das ilhas
estão feridos de pavor por causa de ti;
os seus reis estão tomados de terror,
o rosto deles está perturbado.
36 Os mercadores dos povos,
ao verem-te, assobiam.
Tornaste-te objecto de terror,
aniquilada para sempre.»

Notas

27, 1
Nesta lamentação sobre Tiro há duas partes distintas: uma em verso em que se compara Tiro a um navio duma beleza perfeita (v.10-25). Alguns autores pensam que a passagem em prosa é um aditamento posterior. Isaías 23 apresenta um canto semelhante sobre a cidade de Tiro. Torna-se difícil obter uma tradução perfeita, dada a precisão técnica do vocabulário que Ezequiel utiliza. Ver Mt 11,21 nota; 15,21 nota; Mc 7,24 nota.
4
Os construtores de Tiro tinham grande fama. David contratou-os para a edificação do seu palácio real (2 Sm 5,11). Salomão convidou-os para a construção do templo (1 Rs 5,15-32).
5-6
Senir é designação amorreia do Hermon (Anti-Líbano) ou, então, de uma parte daquele monte (Dt 3,9; 1 Cr 5,23; Ct 4,8). Eram muito famosos os cedros do Líbano (Is 2,13; 14,8; 37,24). O mesmo se diga dos carvalhos de Basan; Basan ficava na margem oriental do Jordão (27,6; Is 2,13; Zc 11,2). Os Kitim habitavam as ilhas do Mar Mediterrâneo, especialmente Chipre, com a sua capital Kittion (actual Larnaca). Ver Gn 10,4; Nm 24,24 nota; Is 23,1-16 nota; Jr 2,10; Dn 11,30 nota.
7
O linho do Egipto era muito célebre (Is 19,9). Não se sabe qual a situação das ilhas Elicha. As Cartas de Tell-Amarna dão à ilha de Chipre o nome de "Alashia".
8
Sídon (actual Saida) ficava a norte de Tiro. Há uma profecia de ameaça contra Sídon em 28,20-23. Arvad (actual Ruwad) aparece nas Cartas de Tell-Amarna; ficava perto de Trípoli. Cémer ocorre também nas Cartas de Tell-Amarna, com o nome de Sumur (actual Sumra), a norte de Trípoli.
9
Guebal é o nome cananaico de Biblos (actual Djebeil); era uma cidade fenícia à beira-mar, a norte de Beirute. O poema é aqui interrompido, abandonando-se a descrição do naufrágio e passando-se a enumerar muitos aspectos das relações comerciais de Tiro, até ao v.25. É uma passagem importante para o conhecimento da história da cidade.
10
Lud e Put designam povos do norte da África, vizinhos do Egipto, mas de difícil identificação. Ver 30,5; Jr 46,9 nota.
12
Társis é, talvez, Tartessos, colónia de Tiro, que ficava na Espanha (1 Rs 10,22 nota; Sl 48,8 nota; 72,10 nota; Is 23,1-16 nota; 66,19 nota; Jr 10,9).
13
Javan designa a Jónia (Grécia) e os habitantes da costa ocidental da Ásia Menor e das ilhas do Mar Egeu; Tubal (Tabal) são os "tibareneus", a sudeste do Mar Negro (38,2); Méchec (assírio Musku) são os "moqueus", a leste de Tubal (32,26; 38,2; 39,1; Gn 10,2). Ambos os povos fabricavam objectos de metal.
14
Bet-Togarma (em assírio, Tilgarimmu) talvez designe a Arménia (38,6; Gn 10,3).
18
Vinho de Helbon (=apelo); fica a noroeste de Damasco; aparece também nas inscrições cuneiformes assiro-babilónicas. Ainda nos nossos dias o seu vinho é muito afamado. Segundo Estrabão, os reis da Pérsia tinham por ele uma preferência especial. Sacar não se consegue identificar.
19
Uzal é a capital do Iémen, na Arábia Meridional (Gn 10,27).
20
Dedan fica a nordeste da Arábia, a sul de Edom (25,13; Is 21,13).
21
Quedar é uma importante tribo nómada do deserto siro-arábico (Sl 120,5; Is 21,16 nota; 42,11 nota).
22
Sabá fica na Arábia Meridional. A rainha de Sabá visitou o rei Salomão (1 Rs 10,1-13.1 nota). Rama parece ficar na Arábia Meridional (Gn 10,7; 35,19-20 nota; Mt 2,18 nota).
23
Haran ficava na Mesopotâmia, no alto Eufrates (Gn 11,31; 12,5; 27,43; 28,10); Cané (assírio Kanu) pode ser Calné, ao sul da Babilónia (Gn 10,10), ou Calné, ao norte da Síria (Is 10,9; Am 6,2). Éden (assírio Biti-Adini) ficava no Eufrates central (Gn 2,8 nota; Is 37,12; Am 1,5 nota). Quilmad (na Vulg. Kelmad) devia ficar nas proximidades de Bagdade ou a norte de Antioquia.
25
Retoma aqui a alegoria do navio, que deixara no v.9.
26
O vento do Oriente é uma alusão ao exército babilónico que mais tarde destroçaria o poder e a glória de Tiro (Sl 48,8; Is 27,8; Jr 18,17).
30-32
O naufrágio de Tiro será chorado como quem lamenta o desaparecimento de uma pessoa, seguindo-se, por isso, os costumes tradicionais: deitam poeira na cabeça, envolvem-se em cinza, rapam a cabeça, cingem-se de saco e entoam lamentações. Sobre este assunto, ver 7,18-24 nota; Gn 37,29 nota; Lv 10,6 nota; Nm 14,6 nota; Dt 14,1 nota; 2 Sm 13,19 nota; 1 Rs 20,31 nota; 2 Rs 6,30 nota; Sl 30,12 nota. Ver Ap 18,9-18 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.