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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Provérbios

Provérbios 1

I. O QUE É A SABEDORIA (1,8 - 9,18)

Prólogo (1,1-7)

1 Provérbios de Salomão, filho de David, rei de Israel,
2 *para aprender a sabedoria e a instrução;
para compreender as palavras sensatas,
3 *para adquirir as lições do bom senso:
justiça, equidade e rectidão;
4 *para dar aos simples o discernimento
e ao jovem, conhecimento e reflexão.
5 Que o sábio escute e aumentará o seu saber;
e o homem prudente adquirirá perspicácia,
6 para compreender provérbios e alegorias,
máximas dos sábios e seus enigmas.
7 *O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria.
Os insensatos desprezam o saber e a instrução.

As más companhias

8 *Ouve, meu filho, as instruções de teu pai
e não desprezes os ensinamentos de tua mãe,
9 pois serão uma coroa de adorno para a tua cabeça
e um colar para o teu pescoço.
10 Meu filho, se os malfeitores te quiserem seduzir,
não condescendas com eles!
11 Se te disserem: «Vem connosco,
façamos emboscadas, para derramar sangue,
armemos ciladas ao inocente, mesmo sem motivo,
12 *devoremo-lo vivo, como a morada dos mortos,
e inteiro, como aquele que desce à cova.
13 Juntaremos toda a espécie de coisas preciosas
e encheremos as nossas casas de despojos;
14 tu terás a tua parte como nós,
e teremos uma bolsa comum para todos!»
15 Não andes com eles, meu filho,
afasta os teus pés das suas veredas,
16 porque os seus passos correm para o mal,
e apressam-se a derramar sangue.
17 *Debalde se lança a rede
diante dos olhos das aves.
18 Eles armam emboscadas, que são contra si mesmos,
e atentam contra as suas próprias vidas.
19 Tal é a sorte do homem, dominado pela ganância,
pois ela tira a vida àquele que se lhe entrega.

Discurso da sabedoria

20 *A sabedoria clama nas ruas,
eleva a sua voz nas praças,
21 grita por sobre os muros,
faz ouvir sua voz à entrada das portas da cidade:
22 *«Até quando, ó simples, amareis a ingenuidade?
Até quando os néscios se deleitarão em zombar
e os insensatos odiarão o saber?
23 Convertei-vos às minhas admoestações;
espalharei sobre vós o meu espírito,
ensinar-vos-ei as minhas palavras.
24 Mas já que vos chamei e vós não respondestes,
estendi a mão e ninguém prestou atenção;
25 já que desprezastes todos os meus conselhos
e não destes ouvidos às minhas repreensões,
26 também eu me rirei da vossa ruína,
e zombarei, quando vos sobrevier o que temíeis,
27 quando cair sobre vós o terror, como um temporal,
quando vos surpreender a desgraça, como um furacão
e quando vierem sobre vós a tribulação e a angústia.
28 Então chamar-me-ão, mas não responderei,
procurar-me-ão, mas não me encontrarão.
29 Porque aborreceram o saber
e não escolheram o temor do SENHOR;
30 repeliram os meus conselhos
e desprezaram todas as minhas repreensões;
31 comerão, pois, do fruto das suas obras,
e ficarão fartos dos seus conselhos.
32 A negligência dos ingénuos causar-lhes-á a morte
e o descuido dos insensatos perdê-los-á.
33 Mas aquele que me ouvir, viverá tranquilo,
seguro, sem receio de mal algum.»

Notas

1, 2
Os v.2-7 formam o prólogo de todo o livro, onde o autor se dirige particularmente aos jovens, enquanto categoria de pessoas mais inexperientes e, por isso, mais necessitados da sabedoria para poderem orientar-se na vida. Usa profusamente toda a simbologia sapiencial de que dispõe. Sabedoria e instrução são duas palavras-chave da literatura sapiencial. A sabedoria é um ideal que aparece numa dimensão humana (sabedoria experimental) e divina (sabedoria teológica). Aqui, trata-se da sabedoria experimental, fruto da instrução ministrada pelos mestres. Ela assegura uma existência feliz e tranquila (4,13). Ver Gn 41,33 nota; Sb 7,14 nota.
3
O termo justiça, que aparece muitas vezes neste livro, não significa uma simples atitude jurídica ou social. Antes de mais, é uma forma de exprimir a atitude fundamental da rectidão espiritual. Deste modo, o justo, ao contrário do ímpio, malvado ou estulto, é a pessoa que teme o Senhor (v.7), conformando a sua vida com os desígnios de Deus. O termo equidade significa, fundamentalmente, estabelecer um direito ou, eventualmente, a sua reposição, quer se trate de um direito social, quer de um direito revelado por Deus. A equidade é fruto de uma consciência recta, sensível aos apelos divinos.
4
Os termos simples ou ingénuo, ou outros afins, designam essencialmente os jovens ainda sem grande experiência e susceptíveis, por isso, de receber toda a espécie de influências, boas ou más, que podem marcar as suas vidas. A eles se dirige a sabedoria de um modo particular (1,22.32; 9,4). O objectivo da instrução sapiencial visa um conhecimento, um saber, uma ciência que não pertence à esfera puramente intelectual e livresca, mas brotam da vida e envolvem todo o ser da pessoa, tanto no aspecto mental como afectivo.
7
O temor do Senhor é o suporte religioso dos provérbios. Implica o sentimento da piedade religiosa; evoca uma atitude, ao mesmo tempo filial e reverencial para com o Senhor. O temor do Senhor é o princípio (9,10; Sir 1,14.20) e o coroamento (Sir 1,18; 25,10-11; 40,25-27) da sabedoria religiosa. Nele, o respeito reverencial, o amor, a submissão ao Deus da aliança e a confiança coincidem plenamente (14,26-27; Sl 25,12-14; Ecl 12,13 nota; Sir 1,11 nota.27-28; Lc 1,12 nota).
8
Em Israel, Deus comunicou os seus ensinamentos ao povo e deu aos pais a incumbência de, por sua vez, os transmitirem aos filhos (Ex 12,26-27; 13,8; Dt 6,20-25). Aqui os sábios recordam aos jovens a importância e o dever de receberem com a devida atenção as instruções no seio da família (6,20).
12
Segundo a mentalidade hebraica antiga, a morada dos mortos ou "Cheol" é um mundo subterrâneo (Nm 16,33 nota; 1 Sm 28,13 nota; Sb 16,13 nota; Am 9,1-4 nota), um lugar tenebroso, onde os mortos, numa espécie de letargia, sobrevivem como sombras (5,5; 7,27; 15,11.24; 23,14).
17
Este versículo é um inciso e realça a ideia de que, do mesmo modo que as aves evitam o laço quando vêem o caçador a ameaçá-las, assim também o jovem, avisado pela instrução da sabedoria, saberá evitá-los.
20
A sabedoria personificada (8,22-31 nota) assume aqui a atitude e a função dos profetas, percorre as ruas, procura os habitantes para lhes transmitir os seus ensinamentos, ao mesmo tempo que denuncia a insensibilidade e a falsa segurança (8,1-3; 9,3; ver Jr 5,1.12-13; 7,2; Am 6,1; 9,10).
22
Em 21,24, o zombador é apresentado como um presunçoso, de espírito rebelde e céptico, que despreza aqueles que tomam a sério as leis e os ensinamentos do Senhor, bem como as instruções ministradas pelos sábios (12,1; 22,10).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.