Saltar para o conteúdo
5 Quinta-feira, 5 de novembro Novembro de 2026 Quinta-feira da semana XXXI

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São João

São João 12

Maria de Betânia unge o Senhor (Mt 26,6-13; Mc 14,3-9; Lc 7,36-50)

1 *Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 2 *Ofereceram-lhe lá um jantar. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam com Ele à mesa. 3 *Então, Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume.
4 Nessa altura disse um dos discípulos, Judas Iscariotes, aquele que havia de o entregar: 5 «Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?» 6 Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava. 7 Então, Jesus disse: «Deixa que ela o tenha guardado para o dia da minha sepultura! 8 De facto, os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim não me tendes sempre.»
9 Um grande número de judeus, ao saber que Ele estava ali, vieram, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos.
10 *Os sumos sacerdotes decidiram dar a morte também a Lázaro, 11 porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a crer em Jesus.

Entrada messiânica em Jerusalém (Mt 21,1-11; Mc 11,1-11; Lc 19,29-40)

12 No dia seguinte, as multidões que tinham chegado para a Festa, ao ouvirem que Jesus vinha a Jerusalém, 13 *pegaram em ramos de palmeiras e saíram-lhe ao encontro, clamando: «Hossana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!» 14 E Jesus encontrou um jumentinho e montou nele, conforme está escrito:
15 *Não temas, Filha de Sião,
olha o teu Rei que chega
sentado na cria de uma jumenta.

16 *Ao princípio, os seus discípulos não compreenderam isto; quando se manifestou a glória de Jesus, é que se lembraram que estas coisas estavam escritas acerca dele; e foi isso precisamente o que lhe fizeram.
17 Entretanto, as pessoas que tinham estado com Ele quando chamou Lázaro do túmulo e o ressuscitou dos mortos testemunhavam o que viram. 18 E a gente, ao ouvir dizer que tinha realizado aquele sinal milagroso, veio ao seu encontro.
19 Então, os fariseus disseram uns para os outros: «Não vedes que não estais a conseguir nada? Olhai como toda a gente se foi com Ele!»

Jesus anuncia a sua «hora» e a glória da cruz

20 *Entre os que tinham subido a Jerusalém à Festa para a adoração, havia alguns gregos. 21 *Estes foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e pediam-lhe: «Senhor, nós queremos ver Jesus!» 22 Filipe foi dizer isto a André; André e Filipe foram dizê-lo a Jesus.
23 Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. 24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. 25 *Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna. 26 Se alguém me serve, que me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo.
27 *Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta hora é que Eu vim! 28 Pai, manifesta a tua glória!» Veio, então, uma voz do Céu: «Já a manifestei e voltarei a manifestá-la!»
29 Entre as pessoas presentes, que escutaram, uns diziam que tinha sido um trovão; outros diziam: «Foi um Anjo que lhe falou!»
30 *Jesus respondeu: «Esta voz não veio por causa de mim, mas por amor de vós. 31 Agora é o julgamento deste mundo; agora é que o dominador deste mundo vai ser lançado fora. 32 *E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a mim.»
33 Dizia isto dando a entender de que espécie de morte havia de morrer. 34 Aquela gente replicou-lhe: «Nós aprendemos na nossa Lei que o Messias permanece vivo para sempre. Como afirmas Tu que o Filho do Homem tem de ser erguido? Mas quem é, afinal, esse tal Filho do Homem?»
35 *Jesus respondeu-lhes: «Por um pouco de tempo ainda, a Luz está no meio de vós. Caminhai enquanto tendes a Luz, de modo que as trevas não vos apanhem, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. 36 *Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, para vos tornardes filhos da Luz.»
Jesus disse estas coisas, foi-se embora e ocultou-se deles.

Epílogo: drama da incredulidade e valor da fé

37 *Embora Jesus tivesse realizado diante deles tantos sinais portentosos, não criam nele, 38 *de modo a cumprirem-se as palavras do profeta Isaías, que dissera:
Senhor, quem acreditou
no que ouviu de nós?
E a quem foi revelado
o poder do Senhor?

39 Realmente não eram capazes de crer; por isso Isaías também dissera:
40 *Cegou-lhes os olhos
e endureceu-lhes o coração,
para não verem com os olhos
e não entenderem com o coração
e não se converterem
e Eu ter de os curar.

41 *Isto disse Isaías falando dele, porque tinha visto a sua glória. 42 *Apesar disso, até entre os chefes, muitos creram nele, mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da Sinagoga, 43 *pois amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.
44 Jesus levantou a voz e disse: «Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou; 45 *e quem me vê a mim vê aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em mim não fique nas trevas.
47 *Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar. 48 Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia; 49 *porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar. 50 E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim.»

Notas

12, 1-11
A partir de agora, João, como já fizera no início do seu Evangelho (2,1 nota), começa a referir os dias da semana em que se manifestará o amor (13,1) e a glória (13,31-32) de Jesus, na sua hora: v.1.12; 13,1; 18,28; 19,31. Seis dias antes da Páscoa, o sábado anterior à sexta-feira da morte do Senhor: não obstante a sua intencionalidade teológica, esta referência costuma ser tida mais em conta do que os "dois dias antes da Páscoa" referidos por Mt 26,2 e Mc 14,1-3; os Sinópticos pretenderam aproximar a unção da sepultura de Jesus.
2-3
Ver 11,2; Lc 10,40.
3
Uma libra romana eram 327 gramas: cerca de meio litro de perfume, avaliado em 300 denários (v.5). Equivalia ao salário de um ano de trabalho (Mc 14,5 nota; Lc 7,41 nota).
10
Ver 11,53.
13
Hossana, que também aparece em Mt e Mc (na origem, um grito de socorro: Salva!), era um aplauso para o rei: Viva! (Sl 118,25-26). Ver Mt 21,9 nota; Mc 11,9 nota.
15
Sobre o Messias, rei pacífico, ver Gn 49,9-12 nota; Zc 9,9 nota; Mt 21,5 nota; Mc 11,1-11 nota; Lc 19,29-30 nota.
16
O relato põe em evidência Jesus como o rei messiânico - o que vem (v.13.15; 1,49; 18,33.37.39; 19,3.12); a entrada em Jerusalém é um rito de entronização, com pormenores que não aparecem nos Sinópticos: a gente sai da cidade a recebê-lo com ramos de palmeira (v.13), como a um rei vitorioso (7,39).
20
Gregos. Deveriam ser simples "tementes a Deus" ou adoradores de Deus, isto é, não judeus convertidos ao único Deus de Israel, sem, no entanto, se sujeitarem aos ritos judaicos, como o da circuncisão (Act 10,2 nota; 13,16.26; 16,14; 17,4 nota.17; 18,7 nota).
21-26
A hora da glória não é, de modo nenhum, a da glória humana, como a da entrada triunfal em Jerusalém, mas a de dar a vida, de morrer para dar fruto; ao seguidor de Cristo não lhe resta outra alternativa (v.25-26).
25
Desprezar, lit., "Odiar". De acordo com o uso semita, "odiar" em oposição a "amar", significa "não dar grande valor ou amar menos" (Gn 29,31-33; Dt 21,15; Mt 6,24 nota; 10,37-39 nota; Mc 8,35; Lc 9,23-25 nota; 14,26-27 nota; 16,13).
27-28
Esta passagem faz pensar na agonia do Getsémani relatada nos Sinópticos e a que Jo mal alude (18,11). Em Jo, glorificar tem frequentemente um sentido "manifestativo" (17,1-6.24-26), e o nome equivale à pessoa; daí a tradução: manifesta a tua glória, lit., "glorifica o teu nome". A voz do Céu (um grande motivo de credibilidade na época, a bat-qol) ilumina com o sentido optimista da fé a Paixão e Morte do Senhor.
30-31
Agora, vai chegar a hora de Jesus, que é, ao mesmo tempo, hora de vida e salvação, de julgamento e condenação (16,11). Ao terminar a primeira parte do Evangelho, esta alternativa, a que não se pode fugir, é posta em relevo (v.35-36.45-48): ninguém pode ficar na penumbra; tem de optar entre a Luz e as trevas. Mundo, aqui, identifica-se com os que rejeitam a fé e se situam no domínio tenebroso de Satanás (Lc 4,3-4.6 notas).
32-36
Erguido (no sentido físico, na Cruz) encerra um segundo sentido espiritual de exaltação e glória, que Jo quer acentuar (3,14 nota; 8,28 nota; 18,32; 19,31-36 nota). Atrairei todos (alguns manuscritos têm: "Atrairei tudo").
35
Ver 7,33; 8,12; 9,5; 11,10; 13,33; 14,19.
36
Ver Lc 16,8 nota; Ef 5,8 nota.
37-50
Conclusão da 1ª parte de Evangelho, sob a forma de uma reflexão do Evangelista sobre a incredulidade (v.37-43; Dt 29,2-3) e de um derradeiro apelo de Jesus à fé, com um resumo dos temas centrais da sua pregação (v.44-50).
38
Ver Is 53,1; Rm 10,16.
40
Ver Is 6,9-10; Mt 13,13-15 nota; Mc 4,12 nota; Lc 8,9-10 nota; Act 28,25-27 nota.
41
O Evangelista alude claramente à divindade de Jesus, ao atribuir a glória de Deus a Jesus. Sobre a glória do Senhor, ver Ex 3,6 nota; Lv 9,6 nota; Nm 14,10 nota; 1 Sm 4,21 nota; Is 6,1-4; Ez 10,4 nota; Lc 2,9 nota.
42
Ver 7,48; 9,22.
43
Ver 5,44.
45-46
Ver 1,5.9; 8,12.19; 14,7-9.
47-48
Ver 3,17; 8,37-38.47; Mc 16,16.
49-50
Ver 8,26.28.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.