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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São João

São João 13

II. REVELAÇÃO DE JESUS AOS SEUS<br>através do grande sinal (13,1-21,25)<br><br>6. Última Ceia e Discurso de Despedida<br>(13,1-17,26)

Jesus lava os pés aos discípulos (Mt 20,20-28; Mc 10,35-45; Lc 22,24-27)

1 *Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. 2 *O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar.
3 *Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4 *levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. 5 Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura.
6 Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» 7 Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» 8 Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» 9 Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» 10 *Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.»
11 Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: 'Nem todos estais limpos'. 12 Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: 13 «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me 'o Mestre' e 'o Senhor', e dizeis bem, porque o sou. 14 Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15 Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também. 16 *Em verdade, em verdade vos digo, não é o servo mais do que o seu Senhor, nem o enviado mais do que aquele que o envia. 17 Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática. 18 *Não me refiro a todos vós. Eu bem sei quem escolhi, e há-de cumprir-se a Escritura:
Aquele que come do meu pão
levantou contra mim o calcanhar.

19 *Desde já vo-lo digo, antes que isso aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que Eu sou. 20 *Em verdade, em verdade vos digo: quem receber aquele que Eu enviar é a mim que recebe, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.»

Anúncio da traição de Judas (Mt 26,20-25; Mc 14,17-21; Lc 22,21-23)

21 Tendo dito isto, Jesus perturbou-se interiormente e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há-de entregar!» 22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. 23 *Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito.
24 Simão Pedro fez-lhe sinal para que lhe perguntasse a quem se referia. 25 Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o peito de Jesus, perguntou: «Senhor, quem é?» 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado de pão ensopado.» E molhando o bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 *E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Jesus disse-lhe, então: «O que tens a fazer fá-lo depressa.» 28 Nenhum dos que estavam com Ele à mesa entendeu, porém, com que fim lho dissera. 29 *Alguns pensavam que, como Judas tinha a bolsa, Jesus lhe tinha dito: 'Compra o que precisamos para a Festa', ou que desse alguma coisa aos pobres.
30 *Tendo tomado o bocado de pão, saiu logo. Fazia-se noite.
31 *Depois de Judas ter saído, Jesus disse: «Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus. 32 E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve.»

O mandamento novo (Mt 22,34-40; Mc 12,28-31; Lc 10,25-28)

33 «Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu disse aos judeus: 'Para onde Eu for vós não podereis ir', também agora o digo a vós.
34 *Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. 35 Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.»

Anúncio da negação de Pedro (Mt 26,30-35; Mc 14,26-31; Lc 22,31-34)

36 Disse-lhe Simão Pedro: «Senhor, para onde vais?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde.» 37 Disse-lhe Pedro: «Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti!» 38 Replicou Jesus: «Darias a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes!»

Notas

13, 1
13-20. Nesta II Parte do Evangelho distinguem-se duas secções: a Última Ceia, em que Jesus se revela aos seus abertamente nos discursos de despedida (13-17) e a história da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, que aparecem como o grande sinal e a grande manifestação da sua glória e do seu amor. É a sua hora (2,4; 7,30; 8,20; 13,1) da passagem (13,1), isto é, do regresso ao Pai, segundo as palavras de 16,28, que pautam a estrutura bipolar do IV Evangelho: "Saí do Pai e vim ao mundo" (I Parte); "Agora deixo o mundo e vou para o Pai" (II Parte). Deste modo, em João o caminhar de Jesus para a Cruz não é uma descida humilhante, mas um avançar consciente (13,1) e decidido (18,4) para a vitória e um subir para a glória do Pai (13,31-32). O Evangelista parece assumir o significado popular da Páscoa como "passagem" do Senhor (Ex 12,13.23), aludindo à nova Páscoa (a de Jesus e a dos cristãos), ao contrapô-la, de modo sistemático, à Páscoa dos judeus (2,13; 6,4; 11,55).
1
Antes da festa da Páscoa. A ceia de que se fala aqui (v.3) não é descrita como a descrevem os Sinópticos (Mt 26,17-35; Mc 14,12-31; Lc 22,7-39). Se João não indica que era a véspera (a Preparação), é porque quer que se entenda a morte de Jesus como a imolação do Cordeiro pascal, ao colocá-la no mesmo dia (a Preparação: 19,31.42) em que no templo eram imolados os cordeiros para a festa. Sendo assim, evita dar à Última Ceia um carácter pascal. Ele parece reportar-se ao calendário seguido pelos saduceus, que atrasavam um dia a Páscoa (o dia 15 do mês de Nisan), nos anos em que ela caísse a uma sexta-feira, para não terem de fazer em dia de sábado a oferenda das espigas, que devia ser feita no dia 16 de Nisan (Lv 23,10-12). Assim sucedeu nos anos 27, 30 e 33 da nossa era. Amor... até ao extremo. Outra tradução possível: "Amou-os até ao fim", isto é, até à consumação (19,30), indicando o seu amor de total entrega, até à morte (15,13; Gl 2,20; 1 Jo 3,16). Sobre a Festa da Páscoa, ver Ex 12,8.11.15.27 notas; Lv 23,5-8 nota; 2 Cr 35,1-19 nota; Mt 26,17 nota; Mc 14,1 nota.22-26 nota; Lc 22,1 nota.
2
Ver 13,27; Lc 22,3 nota.
3
Ver 3,35; 16,28; 17,2.
4-20
Lavar os pés. O gesto de Jesus (v.4-5) enquadra-se nos ritos da ceia pascal judaica; mas, em vez das mãos, Jesus põe-se a lavar os pés aos discípulos, acção própria dos escravos não judeus. Dois significados do gesto: um simbólico, à maneira dos profetas (v.6-11), e outro de atitude a imitar (v.12-20); assim, Jesus é quem purifica os seus (pelo Baptismo) para poderem entrar em comunhão (ter parte) com Ele, partilhando dos seus bens messiânicos (v.8). A vida cristã consiste em seguir e imitar o exemplo de Cristo (v.15; Mt 4,19-20 nota; Mc 1,16-20 nota; 3,13-19 nota; 8,34-38 nota; Lc 9,23-25 nota; 1 Cor 11,1; Ef 5,1; Fl 2,5; 1 Ts 1,6-10 nota; 1 Pe 2,21; 1 Jo 2,6). A tradução adoptada no v.8 tem em conta a íntima relação entre as noções bíblicas de "parte" e "herança" (Sl 16,5; Mt 25,34; Act 8,21; Rm 8,15-17; Gl 3,29; Ap 20,6; 21,7).
10-11
Ver 6,64.70-71; 15,3.
16
Ver 15,20; Mt 10,24; Lc 6,40; 22,27.
18
Ver Sl 41,10; Mt 26,23; Mc 14,18; Lc 22,21.
19
Ver 14,29; 16,4.
20
Ver Mt 10,40; Mc 9,37; Lc 9,48.
23-25
Na Ceia, seguia-se o ritual da Hagadá da Páscoa, que consta da Michná e não o ritual de Ex 12; por isso, não se comia de pé (como ainda hoje fazem os samaritanos), mas reclinados (à maneira romana) em divãs ou esteiras, apoiando-se no braço esquerdo, o que justifica o gesto de o discípulo amado se inclinar sobre o peito de Jesus.
23
Ver 19,26; 20,2; 21,7.20.
27
Ver 13,2; Lc 22,3 nota.
29
Ver 12,6.
30
Fazia-se noite. Alusão à luta final entre os poderes das trevas (Lc 22,53 nota) e a Luz verdadeira (1,5; 8,12).
31
A saída de Judas dá lugar às grandes confidências de Jesus. É o chamado discurso de adeus ou de despedida, onde abundam palavras de ânimo e consolo que não são dirigidas apenas aos Apóstolos, mas a todos os destinatários do Evangelho. A sua estrutura complexa culmina na "oração sacerdotal" (cap. 17).
31-32
Ver 12,23; 17,1-5.
33
Ver 7,33; 8,21.
34-35
A lei do amor fraterno não era uma novidade (Lv 19,17-18 nota), mas Jesus dá-lhe um novo sentido e uma medida nova: Ele próprio (como Eu vos amei), que entrega a sua vida pela redenção de todos (4,9-11; 15,12.13.17; 17,23; Mt 22,35-38 nota; Mc 12,29-33 nota; Lc 10,27 nota; Act 4,32-35 nota; 1 Pe 1,22-23 nota; 1 Jo 2,8 nota; 4,9-11). O mandamento novo sugere a Nova Aliança. Lei e Aliança consideravam-se, então, duas noções paralelas. Jesus, ao dizer, "Dou-vos…", revela que actua, não como simples intermediário de Deus, à maneira de Moisés, mas com autoridade própria e em nome próprio (Mt 5,21-48.43 nota). Sobre a Nova Aliança, ver Jr 31,31-34 nota; Ez 16,59-60 nota; 37,23-28 nota; Mt 22,2 nota; Lc 22,20 nota; Rm 11,26-27 nota; 1 Cor 11,23-25 nota; 2 Cor 3,6 nota; Gl 4,21-31 nota; Ef 5,21-33 nota; 1 Pe 1,1-2 nota.
36
Ver 21,18-19.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.