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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São João

São João 5

2. Jesus Revela a Sua Divindade<br>(5,1-47)

Cura do paralítico da piscina de Betzatá (Mt 9,1-8; Mc 2,1-12; Lc 5,17-26)

1 *Depois disto, havia uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 2 *Em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, há uma piscina, em hebraico chamada Betzatá. Tem cinco pórticos, 3 *e neles jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos. 4
5 Estava ali um homem que padecia da sua doença há trinta e oito anos. 6 Jesus, ao vê-lo prostrado e sabendo que já levava muito tempo assim, disse-lhe: «Queres ficar são?» 7 Respondeu-lhe o doente: «Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina quando se agita a água, pois, enquanto eu vou, algum outro desce antes de mim». 8 Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.» 9 E, no mesmo instante, aquele homem ficou são, agarrou na enxerga e começou a andar.
Ora, aquele dia era de sábado.
10 *Por isso os judeus diziam ao que tinha sido curado: «É sábado e não te é permitido transportar a enxerga.» 11 Ele respondeu-lhes: «Quem me curou é que me disse: 'Toma a tua enxerga e anda'.» 12 Perguntaram-lhe, então: «Quem é esse homem que te disse: 'Toma a tua enxerga e anda'?» 13 Mas o que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus se tinha afastado da multidão ali reunida.
14 Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Vê lá: ficaste curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa ainda pior.» 15 O homem foi-se embora e comunicou aos judeus que fora Jesus quem o tinha curado. 16 E foi por isto, por Jesus realizar tais coisas em dia de sábado, que os judeus começaram a persegui-lo.
17 *Naquela altura Jesus replicou-lhes: «O meu Pai continua a realizar obras até agora, e Eu também continuo!» 18 Perante isto, mais vontade tinham os judeus de o matar, pois não só anulava o Sábado, mas até chamava a Deus seu próprio Pai, fazendo-se assim igual a Deus.

Discurso apologético: o poder do Filho

19 Jesus tomou, pois, a palavra e começou a dizer-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: o Filho, por si mesmo, não pode fazer nada, senão o que vir fazer ao Pai, pois aquilo que este faz também o faz igualmente o Filho. 20 *De facto, o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que Ele mesmo faz; e há-de mostrar-lhe obras maiores do que estas, de modo que ficareis assombrados. 21 *Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer.
22 *O Pai, aliás, não julga ninguém, mas entregou ao Filho todo o julgamento, 23 *para que todos honrem - o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.
24 *Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida. 25 *Em verdade, em verdade vos digo: chega a hora - e é já - em que os mortos hão-de ouvir a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão, 26 *pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também deu ao Filho o poder de ter a vida em si mesmo; 27 *e deu-lhe o poder de fazer o julgamento, porque Ele é Filho do Homem. 28 *Não vos assombreis com isto: é chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz, 29 *e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida; e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação. 30 *Por mim mesmo, Eu não posso fazer nada: conforme ouço, assim é que julgo; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou.»

Testemunhos a favor do Filho: as credenciais de Jesus

31 *«Se Eu testemunhasse a favor de mim próprio, o meu testemunho não teria valor; 32 há outro que testemunha em favor de mim, e Eu sei que o seu testemunho, favorável a mim, é verdadeiro. 33 Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34 Não é, porém, de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para vos salvardes. 35 João era uma lâmpada ardente e luminosa, e vós, por um instante, quisestes alegrar-vos com a sua luz.
36 Mas tenho a meu favor um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai me confiou para levar a cabo, essas mesmas obras que Eu faço, dão testemunho de que o Pai me enviou. 37 *E o Pai que me enviou mantém o seu testemunho a meu favor. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu rosto, 38 nem a sua palavra permanece em vós, visto não crerdes neste que Ele enviou.
39 *Investigai as Escrituras, dado que julgais ter nelas a vida eterna: são elas que dão testemunho a meu favor. 40 *Vós, porém, não quereis vir a mim, para terdes a vida! 41 Eu não ando à procura de receber glória dos homens; 42 a vós já vos conheço, e sei que não há em vós o amor de Deus. 43 Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; se outro viesse em seu próprio nome, a esse já o receberíeis. 44 Como vos é possível acreditar, se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único?
45 Não penseis que Eu vos vou acusar diante do Pai; há quem vos acuse: é Moisés, em quem continuais a pôr a vossa esperança. 46 *De facto, se acreditásseis em Moisés, talvez acreditásseis em mim, porque ele escreveu a meu respeito. 47 Mas, se vós não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas minhas palavras?»

Notas

5, 1
Uma festa. É difícil precisar qual. Alguns manuscritos dizem a Festa, o que indicaria a Páscoa, distinta das outras três referidas em Jo (2,13; 6,4; 11,55), a não ser que esta seja a mesma de que se fala em 6,4; mas para isso teríamos de admitir que se deu uma alteração na ordem das folhas do texto. Se esta hipotética deslocação de texto se tivesse dado de entre os v.14 e 15 do cap. 7 para aqui, então seria a festa das Tendas (7,2). Como não há provas textuais de tais alterações e há pouca probabilidade de se tratar de a Festa (da Páscoa), costuma pensar-se que se tratava da festa do Pentecostes ou da festa do Ano Novo (Roch Hachaná). Sobre as festas, ver Lv 23 e notas.
2
Uma piscina. A norte do templo, junto à Porta das Ovelhas, por onde entravam as ovelhas destinadas aos sacrifícios. O nome de Betzatá está melhor documentado; também se podia chamar Betesdá (Casa da misericórdia), mas o nome de Betsaida (adoptado pela Vulgata) é destituído de probabilidade e parece dever-se a uma confusão com 1,44 (nota). Na realidade, eram duas piscinas: uma seria para lavar as ovelhas dos sacrifícios (por isso chamada também "Probática") e outra para as pessoas, sobretudo doentes. Sobre a piscina de Siloé, ver 9,7-11 nota.
3b-4
A parte final do v.3 (que esperavam...) e todo o v.4 faltam nos melhores e mais antigos manuscritos e não se usam na liturgia: seria assim: "que esperavam o movimento da água. 4porque o anjo do Senhor descia, de tempos a tempos, à piscina e agitava a água; e o primeiro que nela entrasse, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse". Parece tratar-se de duas glosas: a primeira, para justificar o que se diz no v.7 e a segunda, para referir a explicação popular do movimento das águas e das suas propriedades terapêuticas; a agitação podia ser devida simplesmente à intermitência com que a água afluía à piscina.
10
Os judeus. Em Jo, esta designação tem habitualmente uma conotação negativa: refere-se aos contemporâneos incrédulos - sobretudo os guias do povo - que deliberadamente rejeitaram Jesus como Messias (v.16). Também aparece com sentido étnico-religioso (v.1; 2,6.13; 3,1; 19,42) e até com o sentido de Povo da Aliança (Israel), em 4,22. Como este Evangelho se destina a cristãos vindos do paganismo, justifica-se uma tal generalização. Entre as 39 espécies de trabalhos proibidos pela Michná ao sábado, estava o transporte de cargas. Ver Gn 2,1-4 nota; Lv 23,1-3 nota; Jr 17,21.24; Ez 20,12 nota; Mt 12,1-8 nota; Mc 2,24 nota; Lc 6,5 nota.
17-30
A afirmação de Jesus introduz um discurso de grande densidade cristológica. O v.19 é uma forma de Jesus se apresentar ao nível da divindade. Não se limita a reivindicar o direito de trabalhar ao sábado, mas põe-se em igualdade com o Pai, reivindicando uma actividade que é própria de Deus, como dar a vida, ressuscitar os mortos e fazer o julgamento (v.19-30). Com esta cura, Jesus está a realizar uma obra específica de Deus: o doente está paralítico há 38 anos e numa situação de pecado: v.5.14). A cláusula de que o Filho, por si mesmo, não pode fazer nada (v.19.30; 8,28; 12,49; 14,10) não indica menos poder, ou inferioridade do Filho, mas que Ele não é autónomo e independente; põe em evidência a absoluta identificação da vontade de Jesus com a vontade do Pai.
20
Ver 3,35; 10,17; 15,9; 17,23-24.
21
Ver 11,25; Dt 32,39; 1 Sm 2,6; 2 Rs 5,7; Rm 4,17.
22
Ver 3,17; 5,27; 9,39; 12,47; Act 10,42; 17,31.
23
Ver Fl 2,10-11.
24
Ver 3,15.16.18; 8,51; 1 Jo 3,14.
25
Ver v.28; 11,43; Mc 5,41; Lc 7,14; 8,54.
26
Ver 1,4; 3,35.
27
Ver Dn 7,13.
28
Ver 1 Ts 4,16-17; Ap 20,13.
29
Ver 6,40; Dn 12,2; Mt 16,27; 25,46; Act 24,15.
30
Ver v.19; 4,34; 6,38; Lc 22,42.
31-40
Jesus tem consciência da sua autoridade e do valor indiscutível da sua palavra (8,13-18), mas condescende com os seus adversários; e, antecipando-se às objecções que estes possam levantar-lhe (Dt 19,15), apresenta-lhes credenciais das suas prerrogativas divinas: os testemunhos do Baptista, dos milagres (as obras), do Pai e das Escrituras. Ver Dt 17,6-7.
37
Ver 12,28; Dt 4,12; Mt 3,17 par..
39
Ver Lc 24,27.44; 2 Tm 3,15-17; 1 Pe 1,11.
40-47
O discurso de revelação termina com uma denúncia dos motivos que impedem os ouvintes de o aceitarem como Filho de Deus: a falta de amor a Deus, a busca da glória humana (12,43) e a falta de fé (7,19), para entenderem correctamente a revelação contida no AT.
46
Ver Gn 3,15; 49,10; Dt 18,15; Lc 16,31; 2 Cor 3,14-16.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.