2.º Samuel 21
VI. APÊNDICES (21,1-24,25)
Os guibeonitas contra a família de Saul (9,1-33)
1 *No tempo de David, houve uma fome que durou três anos consecutivos. David consultou o SENHOR e Ele respondeu-lhe: «É por causa de Saul e da sua casa sanguinária, pois matou os guibeonitas.» 2 *O rei chamou então os guibeonitas e falou com eles. Estes não eram filhos de Israel, mas um resto dos amorreus, aos quais os israelitas se haviam ligado com juramento. Entretanto, Saul procurou eliminá-los por zelo para com os filhos de Israel e de Judá. 3 David disse, pois, aos guibeonitas: «Que quereis que vos faça e que satisfação vos poderei dar, para que abençoeis o povo do SENHOR?» 4 Os guibeonitas responderam: «Não é uma questão de prata nem de ouro com Saul e a sua família; nem se trata de matar ninguém em Israel.» David disse-lhes: «Então, que quereis que vos faça?» 5 Eles responderam ao rei: «Aquele homem que nos quis dizimar e projectou aniquilar-nos, fazendo-nos desaparecer de Israel, 6 *entregue-nos sete dos seus descendentes, a fim de os enforcarmos diante do SENHOR, em Guibeá de Saul, o eleito do SENHOR.» Disse David: «Pois bem, eu vo-los entregarei.» 7 *O rei poupou Mefiboset, filho de Jónatas, filho de Saul, por causa do juramento feito entre ele e Jónatas, filho de Saul. 8 *Tomou, pois, os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, dera a Saul, Armoni e Mefiboset, e os cinco filhos que Mical, filha de Saul, dera a Adriel, filho de Barzilai de Meola. 9 Entregou-os aos habitantes de Guibeon, que os enforcaram no monte, diante do SENHOR. Todos os sete pereceram juntos nos primeiros dias da colheita, ao começar a ceifa das cevadas.10 Rispa, porém, filha de Aiá, tomou um saco e estendeu-o sobre a rocha, desde o princípio da colheita da cevada até ao dia em que caiu sobre os cadáveres a primeira chuva do céu, não deixando que os pássaros do céu pousassem sobre eles durante o dia, nem que as feras selvagens lhes tocassem durante a noite. 11 David, avisado do que havia feito Rispa, filha de Aiá, concubina de Saul, 12 *foi recolher os ossos de Saul e de Jónatas, seu filho, à cidade dos habitantes de Jabés de Guilead. Estes tinham-nos tirado furtivamente da praça de Bet-Chan, onde os filisteus os haviam pendurado, no dia em que mataram Saul em Guilboa. 13 Retirou, pois, de lá os ossos de Saul e de seu filho Jónatas, e mandou também recolher os ossos dos que haviam sido enforcados. 14 *Os ossos de Saul e de seu filho Jónatas foram sepultados em Cela, na terra de Benjamim, no sepulcro de Quis, pai de Saul. Fizeram tudo o que o rei lhes tinha ordenado; e Deus compadeceu-se da terra.
Guerra contra os filisteus (1 Cr 20,4-8)
15 Houve novamente guerra entre os filisteus e Israel. David saiu com os seus homens para combater os filisteus. David sentiu-se fatigado. 16 *Acamparam em Nob. Então, apresentou-se um dos filhos de Harafá, que trazia uma lança que pesava trezentos siclos de bronze e uma espada nova no cinto, e declarou que ia matar David. 17 *Mas Abisai, filho de Seruia, foi em socorro de David, feriu o filisteu e matou-o. Então, os homens de David fizeram este juramento: «Não virás mais combater connosco, para que não se apague a lâmpada de Israel.»18 *Depois disso houve outra guerra contra os filisteus, em Gob, onde Sibecai, de Hucha, matou Saf, descendente de Harafá. 19 *Houve, também uma terceira guerra contra os filisteus, em Gob, onde El-Hanan, filho de Jaaré-Oreguim, de Belém, matou Golias, de Gat, que levava uma lança cujo cabo era como um cilindro de tear. 20 Houve ainda mais uma outra guerra em Gat. Encontrava-se ali um homem de enorme estatura, que tinha seis dedos em cada mão e em cada pé, isto é, vinte e quatro dedos, também descendente de Harafá. 21 *Este insultou Israel, mas Jónatas, filho de Chamá, irmão de David, matou-o.
22 Esses quatro homens eram naturais de Gat, da estirpe de Harafá, e pereceram às mãos de David e dos seus homens.
Notas
- 21, 1
- Os cap. 21 a 24 contêm seis apêndices reagrupados, que interrompem a História da Sucessão de David e fazem de Samuel e Reis dois grupos de livros diferentes. Eles correspondem-se de dois em dois: o primeiro (21,1-14) e o último (24) tratam de duas calamidades; 21,15-22 e 23,8-39 referem pequenos factos histórico-militares; finalmente, 22 e 23,1-7 são documentos poéticos.
- 1-14
- O cap. 21 estrutura-se em duas partes: v.1-14 e v.15-22. A primeira parte narra um período de fome que, cronologicamente, deveria encontrar-se antes do cap. 9. Houve uma carnificina cometida por Saul em Guibeon (v.2). Estes proferiram uma maldição contra Israel, consumada agora através desta fome. É, pois, necessário que eles mudem a maldição em bênção (v.3; Jz 17,2; 1 Rs 2,33-34). A "vingança do sangue" é exercida sobre os descendentes de Saul (v.6). O regresso da chuva anuncia o termo da seca e da fome e, também, que a expiação foi aceite por Deus (v.10). Sobre a "vingança do sangue", ver 14,7 nota.11 nota.
- 2
- Procurou eliminá-los. A Bíblia não refere noutros lugares esta matança (Js 9,3-27).
- 6
- Uma versão grega diz: "Em Guibeon, no monte do Senhor". Ver Dt 1,28 nota.
- 7
- Ver 1 Sm 20,14-16.42. Sobre Mefiboset, ver 4,4; 9,6-13; 16,3-4; 19,25-31.
- 8
- Mical. Em algumas versões, Merab: 1 Sm 18,19.
- 12
- Ver 1 Sm 31,11-13.
- 14
- David fez as pazes com os guibeonitas no momento em que o seu poder estava debilitado. O texto grego acrescenta: "...e dos supliciados" (24,25).
- 16
- A leitura deste versículo é conjectural, devido às dificuldades que apresenta o texto hebraico. As versões introduzem notáveis variações, sem coincidir entre elas. Os descendentes de Harafá (ou Rafa) costumam identificar-se com os "refaítas", um dos povos primitivos que povoaram a Palestina, segundo a crença popular (Dt 2,10-12.20-23). Eram considerados gigantes e eram-lhes atribuídos os monumentos megalíticos existentes na Transjordânia, por exemplo, o leito de Og, rei de Basan (Dt 3,11). Por isso, algumas versões costumam designá-los por "gigantes".
- 17
- Ver 18,3; 1 Rs 11,36; 15,4; 2 Rs 8,19.
- 18
- Ver 1 Cr 20,4-8.
- 19
- El-Hanan poderá ter sido o nome próprio de David, que, etimologicamente, nas línguas semitas significa "chefe" (ver 1 Sm 17,4-7).
- 21
- Ver 1 Sm 17,10.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.