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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

2.º Samuel

2.º Samuel 15

Revolta de Absalão

1 *Depois disto, Absalão adquiriu para si um carro, cavalos e cinquenta homens para o escoltarem. 2 *Levantava-se cedo e colocava-se à beira do caminho que leva à porta da cidade, e a todos os que vinham procurar o rei para lhes fazer justiça, Absalão interpelava-os e dizia-lhes: «De que cidade és tu?» O homem respondia: «Eu, teu servo, sou de tal tribo de Israel.» 3 Dizia-lhe Absalão: «A tua pretensão é boa e justa; mas não há ninguém para te ouvir da parte do rei.» 4 *E acrescentava: «Oh, quem me dera ser juiz desta terra! Todo aquele que tivesse uma demanda ou uma questão e viesse ter comigo, eu lhe faria justiça.» 5 Se alguém se aproximava para se prostrar diante dele, Absalão estendia-lhe a mão, amparava-o e beijava-o. 6 Absalão fazia isto com todos os israelitas que vinham procurar o rei para qualquer julgamento e, desse modo, conquistou os seus corações.
7 *Ao fim de quatro anos, Absalão disse ao rei: «Deixa-me ir a Hebron cumprir um voto que fiz ao SENHOR, 8 *pois, quando o teu servo estava em Guechur, fez este voto: 'Se o SENHOR me reconduzir a Jerusalém, irei oferecer um sacrifício ao SENHOR.'» 9 Disse-lhe o rei: «Vai em paz.» E ele partiu para Hebron. 10 *Absalão enviou emissários a todas as tribos de Israel, dizendo: «Logo que ouvirdes o som da trombeta, dizei: 'Absalão é rei em Hebron!'» 11 Foram também com Absalão duzentos homens de Jerusalém, convidados por ele, que o seguiam com simplicidade de coração, sem nada suspeitar. 12 *Enquanto oferecia os sacrifícios, Absalão mandou chamar Aitofel de Guilo, conselheiro de David, à sua cidade de Guilo. A conjura era forte e o número de partidários de Absalão ia aumentando.

Fuga de David (17,14-23)

13 Foram, então, dizer a David: «O coração dos israelitas inclinou-se para Absalão!» 14 David disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: «Fujamos depressa porque, de outro modo, não podemos escapar a Absalão! Apressemo-nos a sair, não suceda que ele se apresse, nos surpreenda e se lance sobre nós, passando a cidade ao fio da espada.» 15 Os servos responderam ao rei: «Faça-se como o rei, meu senhor, ordenar. Somos teus servos.» 16 *O rei partiu a pé com toda a sua família, mas deixou as dez concubinas para guardarem o palácio. 17 O rei saiu, pois, a pé com todos os seus servos e parou junto da última casa.
18 *Todos os seus servos passavam a seu lado. À frente do rei iam os esquadrões dos cretenses, dos peleteus e todos os gatitas, em número de seiscentos homens, que o haviam acompanhado desde Gat. 19 O rei disse a Itai, de Gat: «Porque vens também connosco? Volta e fica com o rei, pois és estrangeiro e estás fora da tua pátria. 20 Chegaste ontem e já hoje vou obrigar-te a andar errante connosco, não sabendo eu mesmo para onde vou? Regressa e leva contigo os teus irmãos. O SENHOR seja misericordioso e fiel para contigo.»
21 Mas Itai respondeu ao rei: «Pela vida do SENHOR e pela vida do rei, meu senhor! Onde estiver o meu senhor e rei, aí estará também o teu servo, tanto para morrer como para viver.» 22 Disse-lhe David: «Está bem, passa e vem connosco.» E Itai, de Gat, desfilou com todos os seus homens e toda a sua família.
23 Estando o rei na torrente do Cédron, enquanto o povo seguia diante dele a caminho do deserto, toda a gente chorava em voz alta. 24 *Chegou também Sadoc com os levitas, que conduziam a Arca da aliança de Deus. Colocaram-na junto de Abiatar, enquanto passava todo o povo que havia saído da cidade.
25 Disse, então, o rei a Sadoc: «Reconduz a Arca de Deus à cidade. Se eu agradar ao SENHOR, Ele me reconduzirá e me deixará ver de novo a sua Arca e o lugar da sua habitação. 26 *Mas, se Ele disser que não quer mais saber de mim, estou à sua disposição e faça de mim o que lhe aprouver.» 27 O rei disse a Sadoc: «Olha! Volta de novo para a cidade com Abiatar e com Aimaás, teu filho, e Jónatas, filho de Abiatar. 28 Eu vou esconder-me no deserto, à espera de que me envieis notícias.» 29 Sadoc e Abiatar reconduziram, pois, a Arca de Deus para Jerusalém e ficaram lá.
30 *David, chorando, subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e descalço. Todo o povo que o acompanhava subia também, chorando, com a cabeça coberta. 31 *Disseram a David que Aitofel também estava entre os conjurados de Absalão. David exclamou: «Fazei, SENHOR, que saiam errados os conselhos de Aitofel!» 32 *Ao chegar David ao cimo do monte, no lugar onde se adora a Deus, Huchai, o erequita, veio ao seu encontro com a túnica rasgada e a cabeça coberta de pó. 33 David disse-lhe: «Se vieres comigo, serás para mim um peso; 34 *mas se voltares à cidade e disseres a Absalão: 'Quero ser, ó rei, teu servo; como servi a teu pai, assim te servirei a ti', então anularás, a meu favor, os conselhos de Aitofel. 35 Ali terás contigo os sacerdotes Sadoc e Abiatar, a quem comunicarás tudo o que souberes do palácio real. 36 *Com eles estão os seus dois filhos, Aimaás, filho de Sadoc, e Jónatas, filho de Abiatar; por eles me transmitirás tudo o que ouvires.»
37 E Huchai, amigo de David, voltou para a cidade no momento em que Absalão fazia a sua entrada em Jerusalém.

Notas

15, 1
As relações entre o Norte (Israel) e o Sul (Judá) nunca foram cordiais. Diferenças de ordem religioso-tradicional e de concepção do poder político contribuíram para criar essa tensão. Absalão aproveita-se do descontentamento do Norte e dá-lhe mais força. Sem pretendê-lo, está a preparar a rebelião de Cheba (20,1-22), que pôs em grave perigo a unidade do reino. Dotando-se de uma guarda pessoal, Absalão assume prerrogativas próprias de um rei (1 Sm 8,11-18; 1 Rs 1,5).
2
Porta da cidade. Junto à porta da cidade havia um espaço, a modo de uma praça pública, na qual se tratavam certas questões e se administrava a justiça (Sl 9,15 nota; Am 5,10 nota). Tribo de Israel refere-se às tribos do Norte, por oposição às de Judá, no Sul, como nos v.10-11; 19,10; 20,14.
4
Absalão deixa entrever que David não desempenha bem a sua função de administrador da justiça, não sendo imparcial para com as tribos do Norte.
7
Quatro anos, leitura da Setenta e da versão siríaca. O texto hebraico diz "Quarenta anos", o que é dificilmente compatível com 5,4-5 e 1 Rs 2,11.
8
Absalão escolheu Hebron, aproveitando, talvez, o descontentamento que ali deve ter originado a escolha de Jerusalém como capital do reino (13,37).
10
Som da trombeta. Era o modo de convocar para a guerra (2,28 nota) e um elemento do ritual da entronização de um rei (1 Rs 1,34).
12
Ver 16,20-23; 1 Rs 1,9.19.25.
13-14
A fuga de David é uma fuga estratégica. De facto, ele quer que fiquem em Jerusalém alguns dos seus partidários (v.27-28.34-35). A fuga é praticamente imposta pela situação em que David se encontra, pois há revoltados tanto no Norte como no Sul.
16
Ver 16,21-22; 20,3.
18
Ver 8,18.
24
O versículo foi retocado por alguém que considerou necessária a presença dos levitas como portadores da Arca. A presença de Abiatar neste relato não parece clara (v.27). A expressão Arca da aliança de Deus é excepcional (1 Sm 4,4).
26
Ver 16,10.
30
Chorando...cabeça coberta e descalço. São gestos penitenciais e de luto; ver 13,19 nota.
31
Ver 17,14.
32
Ver 1,2; 1 Sm 4,12.
34
Ver 17,15.
36
Ver 17,21.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.