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7 Sábado, 7 de novembro Novembro de 2026 Sábado da semana XXXI

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Lucas

São Lucas 19

Zaqueu, cobrador de impostos

1 *Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. 2 Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe de cobradores de impostos. 3 Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. 4 Correndo à frente, subiu a um sicómoro para o ver, porque Ele devia passar por ali. 5 Quando chegou àquele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.» 6 Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. 7 *Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador.
8 *Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: «Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais.» 9 *Jesus disse-lhe: «Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; 10 *pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

Parábola do rendimento dos dons (Mt 25,14-30)

11 Estando eles a ouvir estas coisas, Jesus acrescentou uma parábola, por estar perto de Jerusalém e por eles pensarem que o Reino de Deus ia manifestar-se imediatamente. 12 *Disse, pois:
«Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar.
13 *Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: 'Fazei render a mina até que eu volte.' 14 Mas os seus concidadãos odiavam-no e enviaram uma embaixada atrás dele, para dizer: 'Não queremos que ele seja nosso rei.'
15 *Quando voltou, depois de tomar posse do reino, mandou chamar os servos a quem entregara o dinheiro, para saber o que tinha ganho cada um deles. 16 O primeiro apresentou-se e disse: 'Senhor, a tua mina rendeu dez minas.' 17 Respondeu-lhe: 'Muito bem, bom servo; já que foste fiel no pouco, receberás o governo de dez cidades.' 18 O segundo veio e disse: 'Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.' 19 Respondeu igualmente a este: 'Recebe, também tu, o governo de cinco cidades.' 20 Veio outro e disse: 'Senhor, aqui tens a tua mina que eu tinha guardado num lenço, 21 pois tinha medo de ti, que és homem severo, levantas o que não depositaste e colhes o que não semeaste.' 22 Disse-lhe ele: 'Pela tua própria boca te condeno, mau servo! Sabias que sou um homem severo, que levanto o que não depositei e colho o que não semeei; 23 então, porque não entregaste o meu dinheiro ao banco? Ao regressar, tê-lo-ia recuperado com juros.' 24 E disse aos presentes: 'Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas.' 25 *Responderam-lhe: 'Senhor, ele já tem dez minas!'
26 *Digo-vos Eu: A todo aquele que tem, há-de ser dado, mas àquele que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado. 27 *Quanto a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os cá e degolai-os na minha presença.» 28 *Dito isto, Jesus seguiu para diante, em direcção a Jerusalém.

V. MINISTÉRIO DE JEJUS EM JERUSALÉM (19,29-21,38; ver Mt 21,1-25,46; Mc 11,1-13,37)

Entrada messiânica em Jerusalém (Mt 21,1-11; Mc 11,1-11; Jo 12,12-19)

29 Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto do chamado Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos, 30 dizendo: «Ide à aldeia em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ninguém montou ainda; soltai-o e trazei-mo. 31 *E se alguém vos perguntar: 'Porque o soltais?', respondereis assim: 'O Senhor precisa dele.'»
32 Os enviados partiram, e tudo se lhes deparou como Ele tinha dito. 33 Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos disseram-lhes: «Porque soltais o jumentinho?» 34 Responderam-lhes: «Porque o Senhor precisa dele.»
35 Levaram-no a Jesus e, deitando as capas sobre o jumentinho, ajudaram Jesus a montar. 36 Enquanto caminhava, estendiam as capas no caminho. 37 Estando já próximo da descida do Monte das Oliveiras, o grupo dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. 38 *E diziam:
«Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor!
Paz no Céu e glória nas Alturas!»
39 *Alguns fariseus disseram-lhe, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos.»
40 Jesus retorquiu: «Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras.»

Jesus chora sobre Jerusalém (13, 34-35; Mt 23,37-39)

41 Quando se aproximou, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: 42 *«Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos. 43 *Virão dias para ti, em que os teus inimigos te hão-de cercar de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; 44 hão-de esmagar-te contra o solo, assim como aos teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada.»

Purificação do templo (Mt 21,12-17; Mc 11,15-19; Jo 2,13-18)

45 Depois, entrando no templo, começou a expulsar os vendedores. 46 E dizia-lhes: «Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vós fizestes dela um covil de ladrões.» 47 *Ensinava todos os dias no templo, e os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, assim como os chefes do povo, procuravam matá-lo. 48 Não sabiam, porém, como proceder, pois todo o povo, ao ouvi-lo, ficava suspenso dos seus lábios.

Notas

19, 1-10
No fim da viagem de Jesus a Jerusalém, a conversão de um cobrador de impostos manifesta Jesus como aquele que vem procurar e salvar o que estava perdido (v.10). O episódio de Zaqueu é próprio de Lc, que é particularmente sensível ao tema da salvação (5,31-32 nota).
7
Segundo o costume judaico, comunicar com pecadores implicava impureza legal (5,30; 7,34; 15,2). Sobre a impureza ritual, ver 8,32 nota.
8
A decisão de Zaqueu exprime a sua conversão, em termos que ultrapassavam as exigências da lei judaica (Ex 22,3.6; Lv 5,21-24; Nm 5,6-7). Os seus gestos são sinal do seu amor (7,47).
9
Sobre o hoje da salvação em Lc, ver 4,21 nota. Filho de Abraão. Zaqueu é assim chamado, não obstante a sua profissão, pela qual era considerado pecador (v.7; 5,30; 7,34; 15,1).
10
A conclusão sublinha o lugar de Jesus nesta conversão (15,1-2.3-7 notas).
11-28
Esta parábola, tradicionalmente chamada das minas, corresponde à dos talentos em Mt. Lc modificou-a profundamente, colocando-a imediatamente antes da entrada real de Jesus em Jerusalém e tratando-a como uma história alegórica, a partir da história do rei judeu Arquelau. Anuncia o juízo que Jesus exercerá como Rei, por ocasião da vinda definitiva do Reino de Deus, e põe de sobreaviso contra a impaciência, resultante da expectativa do Reino de Deus para breve. Os discípulos têm pela frente uma longa actividade antes da vinda do Senhor (17,23 nota; 21,7-8.9 notas).
12
Tomar posse... Segundo o uso do Império romano, a investidura de um rei vassalo devia ser ratificada em Roma. Foi o que fez Arquelau, por morte de seu pai, Herodes, o Grande (Mt 2,22 nota). No ano 4 d.C., foi a Roma pedir a confirmação do testamento paterno. Porém, pouco depois, uma delegação de 50 judeus pediu em Roma a sua substituição (v.14). Recordando talvez este facto, Lc descreve a recusa da realeza de Jesus por parte de Israel, exactamente em Jericó, onde Arquelau tinha um grande palácio.
13
De dez servos, Lc refere apenas três que prestam contas, conforme um esquema usual nas suas parábolas (10,30 nota). A mina era uma peça monetária que valia cem dracmas ou denários (450 gr.; ver Suplemento MOEDAS, p. 2116). Segundo Lc, o depósito feito pelo pretendente real era muito menor que o referido em Mt, que fala de 5, 2 e 1 talentos (o talento = 6000 dracmas: uns 26 kg). Lc sublinha a desproporção entre o trabalho dos servos (v.17) e a sua recompensa.
15
Na prestação de contas, tanto Mt como Lc pensam no juízo final.
25
A expressão já tem dez minas não é referida por Mt, mas é bem documentada em Lc, onde se ressalta o carácter paradoxal do julgamento do Rei.
26
Esta sentença devia existir independentemente da parábola (8,18; Mt 13,12 nota; Mc 4,25). Indica o carácter provisório de todos os bens: ou se põem a render ou se perdem.
27
A conclusão indica o rigor do juízo sobre aqueles que rejeitaram a realeza do Rei. Lc deve pensar na ruína de Jerusalém, de que vai falar com insistência (v.43-44; 21,20-24; 23,28-31).
28
Jesus sobe a Jerusalém, tão decidido como no princípio (9,51 nota). Aí se desenrolará a última parte do Evangelho (Mc 10,32-33 nota).
29-30
Na entrada em Jerusalém Jesus quis cumprir o oráculo de Zc 9,9-10, único anúncio profético de um Messias humilde (Gn 49,9-12 nota; Zc 9,9 nota; Mt 21,5 nota; Mc 11,1-11 nota). Vários elementos evocam a figura de Salomão (1 Rs 1,33-40) e põem em relevo a realeza do Senhor (v.35.37.38). Betfagé: Mt 21,1 nota. Betânia, povoação na vertente oriental do Monte das Oliveiras (Mt 21,17 nota; Mc 11,11 nota).
31
Senhor. Ver 7,13 nota. Única passagem em que também Mt e Mc aplicam a Jesus este título.
38
Lc cita, como Mt e Mc, o Sl 118,26, mas evita a palavra semita Hossana e acrescenta o título de Rei (Mt 21,9 nota; Mc 11,9 nota; Jo 12,13). A aclamação evoca o canto dos anjos aos pastores (2,14 nota). A paz proclamada é um sinal messiânico (1,79 nota; 2,14 nota; 10,5-6 nota; 12,51 nota).
39
Os fariseus aparecem em Lc pela última vez, para evitar misturá-los com os autores da condenação de Jesus.
42
Sentença do Rei sobre a cidade que o vai recusar. É o primeiro de três anúncios da ruína da cidade (v.43-44; 21,20-24; 23,28-31), facto de grande importância histórica e figura do juízo escatológico. Ver Jr 13,20-27 nota; Lm 1,8 nota; Ez 11,3 nota; 26,3-5 nota; Abd 16 nota; Mq 3,12 nota; Mt 23,37-38 nota; Mc 13,2 nota.
43-44
É o cerco de Jerusalém feito pelos romanos no ano 70 (21,20-24; Sl 137,9). A visita de Deus à cidade era a chegada de Jesus como rei messiânico.
45-46
Com este episódio, Jesus completa a entrada solene na cidade e manifesta o sentido da sua realeza messiânica, assegurando ao templo um culto digno. Lc não relata pormenores e cita Is 56,7 e Jr 7,11 (Mt 21,12-14 nota; Mc 11,15-19 nota; Jo 2,13-22 nota).
47-48
O ensinamento de Jesus em Jerusalém (20,1; 21,37-38) ultrapassa os três dias de Mc 11,12.20 e os dois de Mt 21,18. Entre os responsáveis da morte de Jesus, Lc refere as três classes que faziam parte do Conselho ou Sinédrio (20,1; 23,13.35; 24,20). O povo acolhia Jesus (20,19; 21,38; 23,27.35). Sobre o Sinédrio ou Conselho, ver Mt 5,22 nota; 10,17 nota; 26,3 nota; 27,1 nota; Mc 14,53-65 nota; 15,1 nota; Act 5,21 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.