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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Lucas

São Lucas 4

Jesus tentado no deserto (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13)

1 *Cheio do Espírito Santo, Jesus retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, 2 *onde esteve durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, quando eles terminaram, sentiu fome. 3 *Disse-lhe o diabo: «Se és Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão.» Jesus respondeu-lhe: 4 «Está escrito: Nem só de pão vive o homem.»
5 Levando-o a um lugar alto, o diabo mostrou-lhe, num instante, todos os reinos do universo 6 *e disse-lhe: «Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-o a quem me aprouver. 7 *Se te prostrares diante de mim, tudo será teu.» 8 Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.»
9 *Em seguida, conduziu-o a Jerusalém, colocou-o sobre o pináculo do templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, 10 *pois está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, a fim de que eles te guardem; 11 e também: Hão-de levar-te nas suas mãos, com receio de que firas o teu pé nalguma pedra.»
12 *Disse-lhe Jesus: «Não tentarás ao Senhor, teu Deus.» 13 *Tendo esgotado toda a espécie de tentação, o diabo retirou-se de junto dele, até um certo tempo.

III. MINISTÉRIO NA GALILEIA<br>(4,14-9,50)

Início da pregação (Mt 4,12-17; Mc 1,14- 15)

14 Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. 15 Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

Jesus em Nazaré (Mt 13,54-58; Mc 6, 1-6; Jo 4,44)

16 Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler.
17 Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:
18 *«O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque me ungiu
para anunciar a Boa-Nova aos pobres;
enviou-me
a proclamar a libertação aos cativos
e, aos cegos, a recuperação da vista;
a mandar em liberdade os oprimidos,

19 a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.»
20 Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 *Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.» 22 *Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?»
23 Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: 'Médico, cura-te a ti mesmo.' Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também aqui na tua terra.»
24 *Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. 25 *Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26 contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. 27 *Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»
28 Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. 29 E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. 30 *Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.

Jesus em Cafarnaúm (Mt 7,28-29; Mc 1,21-28)

31 Desceu, depois, a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado. 32 E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.
33 *Encontrava-se na sinagoga um homem que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz: 34 *«Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!» 35 Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe fazer mal algum.
36 Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!» 37 A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.

Cura da sogra de Simão e outros milagres (Mt 8,14-17; Mc 1,29-34)

38 Deixando a sinagoga, Jesus entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com muita febre, e intercederam junto dele em seu favor. 39 *Inclinando-se sobre ela, ordenou à febre e esta deixou-a; ela erguendo-se, começou imediatamente a servi-los.
40 Ao pôr-do-sol, todos quantos tinham doentes, com diversas enfermidades, levavam-lhos; e Ele, impondo as mãos a cada um deles, curava-os. 41 Também de muitos saíam demónios, que gritavam e diziam: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Ele repreendia-os e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Messias.

Jesus deixa Cafarnaúm (Mt 4,23; Mc 1,35-39)

42 Ao romper do dia, saiu e retirou-se para um lugar solitário. As multidões procuravam-no e, ao chegarem junto dele, tentavam retê-lo, para que não se afastasse delas.
43 Mas Ele disse-lhes: «Tenho de anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.» 44 *E pregava nas sinagogas da Judeia.

Notas

4, 1-13
Nomeando Adão antes deste episódio, Lc parece evocar o Génesis (Gn 3,1-24 nota), em que o homem cedeu à tentação, e o combate vitorioso de Jesus com Satanás. Salienta, assim, a missão de Jesus sob a condução do Espírito (v.14.18; Mt 4,1 nota).
2
Nos Evangelhos, o nome de Diabo, com o de Satanás, são os mais comuns para designar o inimigo oposto a Deus e ao seu Reino. Também ocorrem Belzebu (Mc 3,22) e Belial (2 Cor 6,15). Sobre os quarenta dias, ver Mt 4,2.3 notas; Mc 1,12-13 nota.
3-4
Lc põe em relação a tentação de Jesus com a teofania baptismal: o combate tem início na afirmação divina retomada pelo diabo, como justificação da sua atitude (3,22). Nem só de pão... (Dt 8,3; Mt 4,4).
6
O diabo afirma dispor do poder político sobre o mundo e propõe-no a Jesus, como meio de realização da sua missão messiânica. A atitude de Jesus distancia-se do messianismo temporal; Lc mostra que esse poder se encontra ameaçado e que é breve a sua duração (10,18; 22,53). Jesus não confia noutro poder senão no do Pai (10,22; 22,29).
7-8
Ver Dt 6,13; Mt 4,10 nota.
9
A terceira tentação em Lc corresponde à segunda em Mt. Segundo Lc, o quadro geográfico das tentações é Jerusalém, onde acontecerá também o combate supremo da Paixão de Jesus com o diabo (v.13). Pináculo, tradução de um diminutivo grego que significa o alto de uma construção ou a cornija superior de uma das portas do templo, onde a multidão habitualmente se congregava, e donde Jesus se deveria lançar para provar o seu messianismo.
10-11
Ver Sl 91,11-12; Mt 4,6.
12
Ver Dt 6,16; Mt 4,7 nota.
13
A esta vitória inicial de Jesus sobre o demónio, Lc acrescentará outras, mediante curas e exorcismos (v.41; 6,18; 7,21; 8,2; 10,17-18). O tempo do último ataque será o da Paixão (22,3.53), que culminará com o triunfo definitivo da ressurreição.
16-28
Segundo Lc, o quadro da primeira pregação de Jesus é a sinagoga; e será também para os primeiros missionários (Act 9,20; 13,5.14.44). Nesta cena reúne vários elementos mais tardios da missão de Jesus (v.22.24; Mt 13,55.57), conferindo-lhe maior densidade. O episódio anuncia a oposição a Jesus por parte de Israel e a pregação da salvação aos pagãos (2,34 nota; Act 28,25-27 nota). A sinagoga era o lugar da reunião dos judeus. Aí se celebrava o sábado, com a leitura da Lei e dos Profetas, seguida de homilia, que era feita por adultos versados nas Escrituras. Ver Mc 1,21-34 nota; Act 13,15.16-41 nota.
18-19
O texto de Is 61,1-2 e 42,7, que evocava a consagração de um profeta, é referido por Jesus ao Espírito, que recebeu no Baptismo, apresentando-o como fonte da sua mensagem salvífica (Is 35,5; 58,6). Um ano favorável é o ano jubilar, fixado pela Lei todos os cinquenta anos (Ex 23,10-11 nota; Lv 25,2-7.8-22 notas; Nm 36,4 nota). A citação de Isaías é interrompida antes do final: "O dia da vingança da parte do nosso Deus".
21
Hoje. Jesus apresenta a sua pessoa como a chegada do tempo da graça anunciado pelo profeta. A ideia do "hoje da salvação" é acentuada muitas vezes por Lc (2,11; 5,26; 13,32; 19,9; 23,43).
22
Em seu favor, isto é, louvavam-no (Act 13,22; 14,3; 15,8; 22,5). Outra tradução possível: "contra Ele" (Mt 23,31).
24
A pátria de Jesus é Nazaré (v.23). O mau acolhimento de Jesus faz prever a rejeição por parte do povo judeu. Jesus parece utilizar um adágio popular: "Ninguém é profeta na sua terra". Não escapa à lei psicológica da rejeição, confirmada pela experiência.
25
Elias. Ver 1 Rs 17,1-24 nota; 18,1; Tg 5,17.
27
Ver 2 Rs 5,1-15.
30
Sem indicar que se trata de um facto miraculoso, Lc mostra Jesus seguindo o seu caminho, na subida para Jerusalém (13,33).
31-32
A autoridade da palavra de Jesus manifesta-se pelo seu ensinamento e pelos exorcismos que faz (v.36).
33-35
Espírito maligno, lit., "demónio impuro" (v.36; 6,18; 9,42; 11,24). Lc une esta expressão ao termo "demónio", que lhe é mais familiar (23 casos). O episódio mostra como o demónio reage perante a santidade de Jesus e perante a ameaça que ele pressente na sua intervenção salvífica (v.34; 8,28).
34
O Santo de Deus: 1,35 nota.
39
Jesus dirige-se à febre da sogra de Simão, que aparece como um poder demoníaco (v.35.41). Ao contrário de Mc, Lc classifica os possessos entre os doentes que Jesus liberta, curando-os (v.40.41; 11,14; 13,11; Act 10,38; 19,12).
42-43
A Boa-Nova do Reino de Deus, expressão que ocorre em Lc pela primeira vez (8,1; 9,2.11.60; 16,16; Act 1,3). Nas suas raízes bíblicas, a fórmula Reino de Deus (gr. basileia tou theou) exprime a realeza permanente de Deus sobre o mundo (Sl 93,1-2; 95,3; 99,1-4) e anuncia a sua manifestação triunfante no tempo da salvação (Sl 96,10; 97,1; 98,6; Is 52,7). Este segundo sentido é o que Jesus adopta habitualmente. Esse Reino, ao serviço do qual foi enviado (v.18-19; Mt 3,2 nota), é a razão pela qual Jesus se retira de Cafarnaum.
44
Judeia corresponde a todo o país dos judeus, segundo a terminologia grega, que Lc utiliza em todas as situações idênticas. Geograficamente, deveria ser "Galileia", conforme a leitura de muitos códices e o paralelo de Mc 1,39. Ver 1,5 nota; 3,3 nota; 6,17 nota; 23,5; Act 10,37.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.