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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Lucas

São Lucas 11

O Pai-Nosso (Mt 6,9-13)

1 *Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.» 2 *Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei:
Pai,
santificado seja o teu nome;
venha o teu Reino;
3 *dá-nos o nosso pão de cada dia;
4 *perdoa os nossos pecados,
pois também nós perdoamos
a todo aquele que nos ofende;
e não nos deixes cair em tentação.»

Parábola sobre a oração

5 *Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo e for ter com ele a meio da noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, 6 pois um amigo meu chegou agora de viagem e não tenho nada para lhe oferecer', 7 e se ele lhe responder lá de dentro: 'Não me incomodes, a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados; não posso levantar-me para tos dar'. 8 Eu vos digo: embora não se levante para lhos dar por ser seu amigo, ao menos, levantar-se-á, devido à impertinência dele, e dar-lhe-á tudo quanto precisar.»

Confiança na oração (Mt 7,7-11; Mc 11,22-24; Jo 14,13-14; 15,7; 16,23-24)

9 «Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; 10 porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á.
11 Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? 12 *Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
13 *Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!»

Jesus e Belzebu (Mt 9,32-34; 12,22-30; Mc 3,22-27)

14 Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. 15 *Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.» 16 *Outros, para o experimentarem, reclamavam um sinal do Céu. 17 Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes:
«Todo o reino, dividido contra si mesmo, será devastado e cairá casa sobre casa.
18 Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. 19 Se é por Belzebu que Eu expulso os demónios, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 20 *Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós.
21 Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os seus bens estão em segurança; 22 *mas se aparece um mais forte e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. 23 *Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.»

Perigo da recaída (Mt 12,43-45)

24 «Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: 'Vou voltar para minha casa, de onde saí.' 25 Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26 *Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

A verdadeira bem-aventurança

27 *Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!»
28 Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»

Sinal de Jonas (Mt 12,38-42; Mc 8,11-12)

29 Como as multidões afluíssem em massa, começou a dizer:
«Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado sinal algum, a não ser o de Jonas.
30 *Pois, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim o será também o Filho do Homem para esta geração. 31 *A rainha do Sul há-de levantar-se, na altura do juízo, contra os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; ora, aqui está quem é maior do que Salomão! 32 Os ninivitas hão-de levantar-se, na altura do juízo, contra esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; ora, aqui está quem é maior do que Jonas.»

A luz da fé (8,16; Mt 5,15; 6,22-23; Mc 4,21)

33 «Ninguém acende uma candeia, para a colocar num lugar escondido ou debaixo do alqueire; mas coloca-a no candelabro, para que vejam a luz aqueles que entram. 34 *A candeia do teu corpo são os teus olhos. Se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo estará iluminado; mas se estiverem em mau estado, o teu corpo estará em trevas.
35 *Examina, pois, se a luz que há em ti não é escuridão. 36 Se todo o teu corpo está iluminado, não tendo parte alguma tenebrosa, todo ele será luminoso, como quando a candeia te ilumina com o seu fulgor.»

Condenação do farisaísmo (Mt 23, 1-36; Mc 12,38-40)

37 Mal Jesus tinha acabado de falar, um fariseu convidou-o para almoçar na sua casa; Ele entrou e pôs-se à mesa. 38 *O fariseu admirou-se de que Ele não se tivesse lavado antes da refeição. 39 *O Senhor disse-lhe: «Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. 40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41 *Antes, dai esmola do que possuís, e para vós tudo ficará limpo.
42 *Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as plantas e descurais a justiça e o amor de Deus! Estas eram as coisas que devíeis praticar, sem omitir aquelas. 43 Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e de ser cumprimentados nas praças! 44 *Ai de vós, porque sois como os túmulos, que não se vêem e sobre os quais as pessoas passam sem se aperceberem!»
45 Um doutor da Lei tomou a palavra e disse-lhe: «Mestre, falando assim, também nos insultas a nós.» 46 *Mas Ele respondeu:
«Ai de vós, também, doutores da Lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis e nem sequer com um dedo tocais nesses fardos!
47 *Ai de vós, que edificais os túmulos dos profetas, quando os vossos pais é que os mataram! 48 Assim, dais testemunho e aprovação aos actos dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós edificais-lhes sepulcros. 49 *Por isso mesmo é que a Sabedoria de Deus disse: 'Hei-de enviar-lhes profetas e apóstolos, a alguns dos quais darão a morte e a outros perseguirão, 50 *a fim de que se peça contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51 *desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o santuário.' Sim, Eu vo-lo digo, serão pedidas contas a esta geração. 52 *Ai de vós, doutores da Lei, porque vos apoderastes da chave da ciência: vós próprios não entrastes e impedistes a entrada àqueles que queriam entrar!»
53 Quando saiu dali, os doutores da Lei e os fariseus começaram a pressioná-lo fortemente com perguntas e a fazê-lo falar sobre muitos assuntos, armando-lhe ciladas e procurando apanhar-lhe alguma palavra para o acusarem.

Notas

11, 1-13
Lc reúne vários ensinamentos de Jesus sobre a oração: o modelo da oração do discípulo (v.2-4); uma parábola que convida à perseverança (v.5-8); uma exortação a dirigirem-se ao Pai com toda a confiança (v.9-13). Parte do exemplo de Jesus em oração, assinalando o interesse dos discípulos (3,21 nota). À oração dos discípulos de João já Lc tinha aludido em 5,33. Sobre a oração, ver 3,21-22 nota; Mt 6,5-15.
2
Pai-Nosso. A versão de Lc é mais breve que a de Mt, apresentando várias diferenças. A invocação de Pai, sem adjectivo, encontra-se no início das orações de Jesus (10,21; 22,42; 23,34.46; ver Mt 6,9-13 notas; Mc 1,35 nota; 11,20-26 nota; 14,36 nota).
3
Segundo Mt, a petição do pão diz respeito a hoje; segundo Lc, o pão é pedido para cada dia. Vendo a vida cristã em toda a sua duração, o pão faz parte dos bens que o ser humano tem de pedir cada dia (Ex 16,14.31 notas; Sb 16,20-21 nota; Mt 6,11 nota).
4
Lc traduz a imagem negativa da dívida por pecados. Quanto ao perdão fraterno, Lc estende-o a toda a duração da vida, e Mt liga-o ao instante que precede a oração (Mt 5,23-24). Da última petição, Lc refere apenas a primeira parte: a tentação, que resume todos os perigos com origem em Satanás (4,2.13; 8,12-13; 22,31); para o vencer, o ser humano precisa da força de Deus (Mt 6,12.13 notas).
5-8
A parábola do "amigo importuno" e a aplicação que se lhe segue (v.9-13) constituem um convite à oração. A parábola tem traços comuns com a do juiz (18,2-5). Jesus começa com uma forma interrogativa, processo frequente nas parábolas de Lc (14,28.31; 15,4.8; 17,7) e noutros contextos (v.11; 10,26; 12,25-26; 14,5).
12
Ovo... escorpião, antítese própria de Lc, em substituição de pedra... pão (Mt 7,9).
13
O Espírito Santo é o dom por excelência que o Pai concede, e do qual Lc muito fala nos Actos. Mt 7,11 fala de coisas boas. Sobre o Espírito Santo, ver Mt 28,20 nota; Jo 14,16 nota; 16,13-15 nota; Act 1,8 nota.
14
Um demónio mudo. Lc atribui a doença ao próprio demónio (13,11.16; Mt 9,32 nota; 12,22).
15
Belzebu, um dos nomes do príncipe dos demónios (2 Rs 1,2 nota; Mt 10,25 nota; Mc 3,22 nota).
16
Para os judeus, o Céu era um modo de designar Deus, para não pronunciar o seu nome inefável (15,7.18.21; 20,4). Isto prepara já a perícope sobre o sinal do Filho do Homem (v.29-36; Mt 16,1-3 nota). Ver v.29-32.30 notas; 15,17-19 nota.
20
Mão de Deus, expressão própria de Lc, que alude a Jesus, novo Moisés, que expulsa os demónios pelo seu próprio poder. Ver 5,17 nota; 8,30.46 notas; 10,18-19 nota; Ex 8,15; Mc 3,27 nota.
22
Só Lc fala aqui de um mais forte, atributo dado pelo Baptista ao Messias (3,16 nota).
23
A sentença é severa e reflecte um contexto polémico (9,50; Mt 12,30; Mc 9,40).
24
Jesus adverte os convertidos do perigo de Satanás, que os ameaça. Mt 12,45 aplica a admoestação a esta geração má. Os lugares áridos, ou deserto, são morada dos demónios (8,29 nota).
26
Outros sete espíritos. O plural e o número sete indicam a força do ataque e a total possessão da pessoa. Sobre o número sete, ver Gn 33,3 nota; 50,1-26 nota; Ex 23,10-11 nota; Sir 37,14 nota; Dn 4,13 nota; Mt 15,32.37 ntoas; Act 6,5 nota.
27-28
A expressão da mulher é de louvor, equivalente a outras bem-aventuranças (10,23; 23,29; Mt 13,16). Em contraste com a maternidade carnal de sua mãe, Jesus faz o louvor da fé. Lc não apresenta uma crítica de Jesus à sua Mãe; antes, como exemplo do discípulo (1,45; 2,19), faz dela o maior louvor (7,9.50 notas; 8,21 nota). Sobre a família de Jesus, ver Mt 12,47-50 nota; Mc 3,31-35 nota; Jo 2,4 nota; 19,25-27 nota; Act 1,15 nota.
29-32
Esta perícope é a resposta ao sinal que os ouvintes de Jesus pediam. Jesus recusa operar prodígios semelhantes aos do Êxodo, que os judeus esperavam. Os milagres são sinais (7,22; 11,20), mas devem ser vistos à luz do sinal por excelência da pessoa do Senhor (v.30) e da sua pregação (v.32). Aos contemporâneos que recusam acolhê-lo, Jesus opõe os pagãos de outrora, que aceitaram a palavra de Salomão e de Jonas (v.20 nota; Mc 8,11-13 nota; Jo 2,4.11 notas).
30
O v.32 explica como Jonas se tornou um sinal para os ninivitas (Jn 3,1-10.5 nota). O Filho do Homem deve ser visto também como sinal para esta geração. Com o verbo no futuro - será um sinal - Lc introduz a ideia da ressurreição, sinal por excelência do Senhor. Mt 12,40 vê nos três dias de Jonas dentro do monstro marinho a prefiguração da permanência do Filho do Homem no sepulcro (Mt 12,38-42 nota).
31
Rainha do Sul. Este versículo sobre a rainha de Sabá e Salomão (1 Rs 10,1-10) é colocado por Mt 12,42 a seguir ao exemplo de Jonas. Salomão é o rei sábio por excelência da Bíblia (1 Rs 3,5-14; 5,9-14). Mas Lc nota que Jesus é maior do que ele (2,40.52; 21,15). Ver 1 Rs 3,16-28 nota; 5,1-8 nota; 10,1-29.1 notas; Ez 27,22 nota.
33
Alqueire (grego, "módio") é uma medida de uns 9 litros (8,16; Suplemento MEDIDAS, p. 2116).
34
Olhos sãos: Mt 6,22 nota.
35-36
Lc pensa nas trevas da incredulidade que impediram esta geração de reconhecer Jesus como o grande sinal de salvação (v.29-32 nota).
37
Lc distingue o ataque contra os fariseus (v.39-44) do ataque contra os doutores da Lei (v.45-52). Em Mt 23, o discurso dirige-se contra os doutores da Lei e os fariseus. A refeição em casa do fariseu manifesta as boas relações de Jesus com os fariseus (7,36 nota).
38
Os fariseus davam grande relevo às purificações rituais. Jesus e os dicípulos não as observavam (Mt 15,2 nota.20; Mc 7,2-5.3 nota).
39-40
Na linha dos profetas, Jesus opõe a religião formalista dos fariseus à religião interior do coração, que é a exigência primeira de Deus (v.40; 16,15). Sobre o coração, ver 1,66 nota; 6,45; 10,27; 12,34; 21,34; 24,32.
41
O tema da esmola é particularmente caro a Lc, e é o único a apresentá-lo neste contexto (12,33; 16,9; 18,22; 19,8; Act 9,36 nota; 10,2.4.31; 11,29; 24,17).
42
Só Lc refere a arruda, sobre a qual se discutia o pagamento do dízimo (Dt 14,22-23). Amor (Mt 23,23 nota: misericórdia).
44
Como os túmulos. Mt 23,27 opõe a sua beleza exterior à impureza interior. Lc visa a dissimulação dos fariseus; mas Deus conhece os seus corações (16,15).
46
Fardos insuportáveis. Ver Mt 23,4 nota; Mc 7,3 nota.
47
A partir de Herodes, o Grande, foram construídos na Palestina grandes túmulos aos profetas, como a arqueologia o tem mostrado (7,30; 13,33; 20,1-8).
49
Segundo Mt 23,34, é o próprio Jesus quem anuncia o envio de profetas. Com base numa fórmula judaica, Lc fala da Sabedoria de Deus, isto é, o próprio Deus (7,35 nota). Apóstolos. Ver 6,13.23 notas. Mt 23,34 fala de sábios e doutores da Lei.
50
Peça contas. Quem pede contas é Deus, segundo uma expressão típica do AT grego (Gn 4,9-16; 9,5; Ez 33,6.8).
51
As mortes de Abel e de Zacarias são a primeira e a última da Bíblia hebraica (Gn 4,8-10; 2 Cr 24,20-22; Mt 23,34-35 nota), isto é, a totalidade dos crimes da História santa.
52
Lc condena os doutores da Lei por se terem apoderado da chave da ciência, via de acesso ao Reino de Deus (Mt 23,13 nota).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.