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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Lucas

São Lucas 23

Jesus no tribunal romano: Pilatos (Mt 27,1-2.11-14; Mc 15,1-5; Jo 18,28-38)

1 Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos 2 *e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o Messias-Rei.»
3 Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» 4 *Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de culpável neste homem.» 5 Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui.»

Jesus perante Herodes

6 Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; 7 *e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também se encontrava em Jerusalém nesses dias. 8 Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. 9 Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.
10 Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com veemência. 11 *Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. 12 Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro.

Jesus e Barrabás (Mt 27,15-26; Mc 15, 6-15; Jo 18,39-40; 19,4-16)

13 Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, 14 e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais. 15 Herodes tão-pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte. 16 *Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.»
17 *Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. 18 E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» 19 Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio.
20 De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. 21 Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!» 22 Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o castigar.» 23 Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência.
24 Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam. 25 *Libertou o que fora preso por sedição e homicídio, que eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.

A caminho do Calvário (Mt 27,32; Mc 15,20-21; Jo 19,16-17)

26 Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus.
27 *Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. 28 Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; 29 pois virão dias em que se dirá: 'Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram.' 30 *Hão-de, então, dizer aos montes: 'Caí sobre nós!' E às colinas: 'Cobri-nos!' 31 *Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?» 32 *E levavam também dois malfeitores, para serem executados com Ele.

Jesus crucificado e escarnecido (Mt 27,35-44; Mc 15,23-32; Jo 19,18-24)

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34 *Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.»
Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes.
35 *O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.» 36 *Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, 37 *diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» 38 *E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.»
39 Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.»
40 *Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41 Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» 42 *E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.»
43 *Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»

Morte de Jesus (Mt 27,45-56; Mc 15,33-41; Jo 19,28-30)

44 Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. 45 *O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio.
46 *Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou.
47 *Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» 48 *E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito.
49 *Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas.

Sepultura de Jesus (Mt 27,57-61; Mc 15,42-47; Jo 19,38-42)

50 Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo, 51 não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus. 52 Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 53 Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
54 *Era o dia da Preparação e já começava o sábado. 55 Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia acompanharam José, observaram o túmulo e viram como o corpo de Jesus fora depositado. 56 Ao regressar, prepararam aromas e perfumes; e, durante o sábado, observaram o descanso, conforme o preceito.

Notas

23, 2
A acusação sobre o pagamento do tributo a César refere-se a 20,20-26. A realeza messiânica de Jesus é vista pelos adversários em sentido político, o que atentava contra a autoridade romana, representada por Pilatos. Esse será o motivo jurídico da condenação de Jesus (v.3.38).
4
Desde o princípio do processo, Pilatos reconhece a inocência de Jesus (v.14.22; Jo 18,38; 19,4.6; Act 3,13; 13,28).
7
Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, filho de Herodes, o Grande, estava em Jerusalém na peregrinação da Páscoa. Lc é o único a referir a sua intervenção na Paixão de Jesus (Act 4,27). Já tinha preparado antes esse encontro (3,1 nota; 9,7 nota).
11
Com a capa vistosa ou de gala, usada pelos príncipes, Herodes pretendia zombar de Jesus, pelas pretensões à realeza de que era acusado (v.3). A cena corresponde à que Mt 27,31 e Mc 15,20 colocam no pretório (Mt 27,27 nota; Mc 15,15 nota; Jo 19,1-7 nota).
13
Os chefes e o povo. A responsabilidade da condenação de Jesus recai sobre as autoridades judaicas, que são quem intervém a seguir (v.18.21.23). Isso corresponde melhor à perspectiva de Lc, para o qual o povo não participa no crime da morte de Jesus (v.27.35; 24,19-20).
16
Castigar. Trata-se de uma flagelação (v.22), desligada da pena capital (Jo 19,1-7 nota), para depois libertar Jesus. Mt 27,26 e Mc 15,15 empregam o termo técnico flagelar, em conexão com a sentença de morte (Mt 27,26 nota).
17
Este versículo falta nos códices mais importantes.
25
Depois de assinalar a tríplice tentativa de Pilatos para libertar Jesus (v.14-24), Lc sublinha a responsabilidade das autoridades judaicas na morte de Jesus, a cuja vontade Pilatos cedeu.
26
Acrescentando que Simão carregou com a cruz atrás de Jesus, Lc apresenta-o como modelo de discípulo (5,1-11 nota; 9,23-25 nota; 14,27; Mt 4,19-20 nota; Mc 1,16-20 nota; 3,13-19 nota; 8,34-38 nota).
27-31
Próprio de Lc, o episódio evoca Zc 12,10-14 e sublinha as boas disposições do povo a respeito de Jesus (v.13.48).
30
Ver Os 10,8.
31
Árvore verde é a que dá frutos; árvore seca é a estéril, e que deve ser cortada e lançada ao fogo (3,9; 13,6-9). É mais um anúncio da destruição de Jerusalém (19,41-44.42 nota; 21,20-23).
32
Dois malfeitores. Lc sublinha a realização da Escritura (22,37; Is 53,12) citada por Jesus. Mt e Mc falam de ladrões.
33
Calvário. Ver Mt 27,33 nota; Mc 15,22 nota; Jo 19,17-18 nota.
34
A oração de Jesus no supremo momento da sua vida corresponde à sua consciência filial e à sua missão de misericórdia. É assim que Lc apresenta também Estêvão no momento da sua morte (Mc 15,34 nota; Act 7,59-60 nota). Deitaram sortes. Ver Sl 22,19. A seguir, encontram-se outras referências ao AT, com as quais Lc visa mostrar o cumprimento das Escrituras na Paixão de Jesus: aos Salmos (v.35.36.46.49), ao Êxodo (v.44) e a Zacarias (v.48). Ver 24,25-27.44-46.
35
Ao respeito do povo, Lc contrapõe a mofa incrédula dos chefes (Sl 3,3; 22,8 nota; Mt 27,29 nota; Mc 15,29 nota; Jo 19,1-7 nota). Messias de Deus, o mesmo título pronunciado por Pedro (9,20 nota). O Eleito é um dos nomes do Messias, pronunciado pelo Pai (3,22 nota; 9,35 nota; Mt 3,17 nota): evoca o oráculo do Servo do Senhor (Is 49,7).
36
Vinagre. Ver Sl 69,22; Mt 27,48 nota; Jo 19,28-30 nota.
37
Os v.37.38.42 reúnem vários traços da realeza de Jesus.
38
Uma inscrição. Ver Jo 19,19-22 nota.
40-43
O episódio, próprio de Lc, mostra o interesse do Evangelista pelas cenas de conversão (7,36-50; 19,1-10; Act 9,1-25; 10; 16,14-15.29-34).
42
Dignidade real com que Jesus aparecerá revestido, como fruto do seu mistério pascal (24,26). Lc põe na boca do malfeitor arrependido uma oração de verdadeiro discípulo.
43
Paraíso. Para os judeus, tratava-se do lugar onde os justos aguardavam a ressurreição (16,22-31.22 nota).
44
A expressão trevas sobre toda a região evoca a praga das trevas no Egipto, antes da morte dos primogénitos e da Páscoa (Ex 10,21 nota).
45
Sol eclipsado, expressão da linguagem apocalíptica (Is 13,10). Outro sinal da importância da morte de Jesus na História da Salvação foi o rasgar do véu do templo, que separava o Santo dos Santos do resto do santuário (Ex 26,33.36-37); era presságio do fim do templo e anúncio da entrada dos pagãos na salvação (1,9 nota; Mt 27,51; Mc 15,38 nota).
46
Jesus ora com palavras do Sl 31,6 e introduz a oração com a invocação do Pai (v.34; 10,21; 22,42). É ao Pai que se dirige a última palavra de Jesus, como também fora a primeira (2,49). Ver Mc 15,34 nota.
47
Homem justo. O centurião romano confessa a inocência de Jesus, como o fizera Pilatos (v.4.14.22). Mt e Mc referem a expressão Filho de Deus, própria do contexto bíblico.
48
Ver Zc 12,10.
49
Ver Sl 38,12; Mt 27,55-56; Mc 15,40-41; Jo 19,25-27 nota.
54
Dia da Preparação do sábado, isto é, sexta-feira (Mt 27,62 nota; Mc 15,42 nota). O sábado começava com o surgir da estrela da tarde (6,5 nota).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.