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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Lucas

São Lucas 21

Oferta da viúva pobre (Mc 12,41-44)

1 Levantando os olhos, Jesus viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas. 2 *Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas 3 e disse:
«Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros;
4 pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.»

Anúncio da destruição do templo (Mt 24,1-2; Mc 13,1-2)

5 *Como alguns falassem do templo, dizendo que estava adornado de belas pedras e de ofertas votivas, respondeu:
6 «Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.»

Sinais precursores (Mt 24,3-8; Mc 13, 3-8)

7 *Perguntaram-lhe, então: «Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer?» 8 Ele respondeu: «Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu'; e ainda: 'O tempo está próximo.' Não os sigais. 9 *Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis; é necessário que estas coisas sucedam primeiro, mas não será logo o fim.»
10 *Disse-lhes depois: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. 11 Haverá grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenómenos apavorantes e grandes sinais no céu.»

Perseguição aos discípulos (Mt 10, 16-23; 24,9-14; Mc 13,9-13)

12 «Mas, antes de tudo, vão deitar-vos as mãos e perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e metendo-vos nas prisões; hão-de conduzir-vos perante reis e governadores, por causa do meu nome. 13 *Assim, tereis ocasião de dar testemunho. 14 Gravai, pois, no vosso coração, que não vos deveis preocupar com a vossa defesa, 15 *porque Eu próprio vos darei palavras de sabedoria, a que não poderão resistir ou contradizer os vossos adversários.
16 *Sereis entregues até pelos pais, irmãos, parentes e amigos. Hão-de causar a morte a alguns de vós 17 e sereis odiados por todos, por causa do meu nome. 18 Mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. 19 Pela vossa constância é que sereis salvos.»

Destruição de Jerusalém (Mt 24, 15-22; Mc 13,14-20)

20 «Mas, quando virdes Jerusalém sitiada por exércitos, ficai sabendo que a sua ruína está próxima. 21 Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade retirem-se; e os que estiverem no campo não voltem para a cidade, 22 *pois esses dias serão de punição, a fim de se cumprir tudo quanto está escrito.
23 Ai das que estiverem grávidas e das que estiverem a amamentar naqueles dias, porque haverá uma terrível angústia no país e um castigo contra este povo. 24 *Serão passados a fio de espada, serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completar o tempo dos pagãos.»

Vinda do Filho do Homem (Mt 24, 29-31; Mc 13,24-27)

25 Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre os povos, aterrados com o bramido e a agitação do mar; 26 *os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai acontecer ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. 27 *Então, hão-de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória.
28 *Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima.»

Sinal da figueira (Mt 24,32-35; Mc 13, 28-32)

29 E disse-lhes uma comparação:
«Reparai na figueira e nas restantes árvores.
30 Quando começam a deitar rebentos, ao vê-los, ficais a saber que o Verão está próximo.
31 *Assim também, quando virdes essas coisas, conhecereis que o Reino de Deus está próximo. 32 *Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo se cumpra. 33 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar.»

Vigilância (Mt 24,36-44; 25,1-13; Mc 13, 33-37)

34 «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, 35 como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira. 36 *Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem.»

Últimos dias de Jesus no templo

Últimos dias de Jesus no templo

37 *Durante o dia, Jesus estava no templo a ensinar; mas saía para passar a noite no Monte das Oliveiras. 38 E todo o povo, de madrugada, ia ter com Ele ao templo, para o escutar.

Notas

21, 2
Duas moedinhas, lit., "duas leptas" (12,59; Mc 12,42).
5-6
A majestosa construção do templo tinha sido iniciada por Herodes, o Grande, por volta do ano 19 a.C. (Jo 2,20 nota). O anúncio da ruína do templo (v.6) é ocasião do último discurso de Jesus, onde prediz as tribulações do fim dos tempos e o seu regresso em glória. O discurso dirige-se ao povo no templo (Lc) ou então aos discípulos no Monte das Oliveiras (Mt e Mc). Lc distingue os anúncios do fim do mundo (v.10-11.25.27) dos acontecimentos que o precedem: perseguição dos discípulos (v.12-19), ruína de Jerusalém (v.20-24), e conclui com exortações à esperança e à vigilância (v.28-36). Os profetas suscitaram grande escândalo, anunciando a ruína do templo (Jr 7,1-15; 13,20-27 nota; 26; Ez 8,1-11,3 nota; Mq 3,12 nota), assim como também Jesus (Mt 26,61 nota; 27,40; Mc 13,2 nota; Act 6,14).
7-8
Segundo Lc e Mc, da questão fazem parte a data e o sinal da ruína do templo. A resposta de Jesus concentra-se nos sinais do fim e da vinda do Filho do Homem. Lc distingue-os da ruína de Jerusalém (19,27.43-44 notas). Sobre os falsos messias, que anunciam a iminência do fim, ver 17,23 nota; 19,11-28 nota; Mt 24,3 nota.
9
É necessário que estas coisas sucedam. Linguagem da apocalíptica, para afirmar a realidade de tais acontecimentos (Dn 2,28.29.45). Lc, porém, afirma que todas estas coisas podem acontecer como fenómenos históricos e não como sinal do fim dos tempos. Poderá pensar-se nas perturbações militares e políticas por ocasião da morte de Nero em 68.
10-11
Reino contra reino. Lc inspira-se no oráculo de Is 19,2 e em 2 Cr 15,6. Esta introdução serve para distinguir os sinais do fim (v.10-11.25-27) e os acontecimentos históricos que o devem preceder (v.12-19.20-24). Mt e Mc não fazem tal distinção. O v.15 evoca os grandes sinais expressos nos textos apocalípticos do AT (Is 24,19-20; Jr 14,12; Ez 6,11-12; Zc 14,4-5). Ver 3,17 nota.
12
Lc apresenta aqui a vida da Igreja, caracterizando-a pela perseguição. Tendo parte na rejeição de Cristo, a Igreja perseguida é sinal da chegada do Reino de Deus. Os Actos testemunham que a Igreja é, como Jesus, "sinal de contradição", tanto entre judeus (sinagogas) como entre pagãos (reis e governadores).
13
O testemunho (em grego, martys, mártir), em Lc, define a função essencial dos Doze e dos outros discípulos (24,48; Act 1,8.22; 2,32; 3,15...) e consiste em proclamar a ressurreição de Jesus, a sua realeza.
15
Jesus promete assistência às suas testemunhas. Noutros lugares, é a intervenção do Espírito Santo que é prometida (12,11-12; Mt 10,19-20; Mc 13,11-12).
16-19
Oposição na própria família (12,51-53). Nem todos os discípulos serão mortos (11,49). Ver diferença de Mt 10,21 e Mc 13,11. É necessária a confiança (v.18; 12,7) e a constância (8,15 nota).
20
Jesus fala claramente da ruína de Jerusalém, facto histórico de relevo nos Evangelhos. Nesse facto, Lc vê já um anúncio do juízo final (19,42 nota). Nesse sentido vai a aplicação do oráculo de Dn 9,27 (Mt 24,15; Mc 13,14) e dos convites a fugir, próprios dos oráculos sobre o juízo final (v.21; 17,31). Os paralelos de Mt e Mc falam da grande tribulação escatológica com linguagem apocalíptica.
22-23
Ver Sl 79,1-4; Jr 39,2-10; Dn 9,26-27; Os 9,7.
24
O tempo dos pagãos, com incidência especial em Jerusalém (Zc 12,3), é o tempo da evangelização dos não-judeus (24,47). Como Paulo (Rm 11,25-27), Lc espera a conversão de Israel (13,35 nota).
26
As forças celestes. Ver Sir 16,18; Jl 4,16; Ag 2,6; Mt 24,29 nota.
27
Citando Dn 7,13-14, Lc refere-se à vinda triunfal de Cristo, deixando de mencionar a reunião dos eleitos (13,28-29; 14,15-24; 22,30; Mt 24,31; Mc 13,27).
28
Redenção ("apolutrôsis"): 1,68 nota; 2,38 nota; 24,21 nota.
31
Lc aplica ao Reino de Deus o que os outros Sinópticos dizem do evento escatológico (Mt 24,33; Mc 13,29).
32-33
Lc nada diz da ignorância de Jesus quanto a esse dia e hora, de que falam Mt 24,36; Mc 13,32 (Act 1,7). Com categorias proféticas e apocalípticas, Jesus faz o discípulo mergulhar na esperança.
34
Estas atitudes são sinal de vigilância (Rm 13,13; 1 Ts 5,3), perante o imprevisto e a certeza do fim (v.35; 12,35-48 nota; Is 24,17-19).
36
O convite a orar sempre tem um sabor escatológico (18,1 nota): é espaço de vigilância, condição para o discípulo ser julgado digno (20,35; Act 5,41).
37-38
Ver 19,47 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.