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7 Sábado, 7 de novembro Novembro de 2026 Sábado da semana XXXI

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Lucas

São Lucas 18

Parábola do juiz e da viúva

1 *Depois, disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer:
2 «Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3 Naquela cidade vivia também uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: 'Faz-me justiça contra o meu adversário.' 4 *Durante muito tempo, o juiz recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: 'Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, 5 contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me.'»
6 *E o Senhor continuou: «Reparai no que diz este juiz iníquo. 7 E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e há-de fazê-los esperar? 8 *Eu vos digo que lhes vai fazer justiça prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?»

O fariseu e o cobrador de impostos

9 *Disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais:
10 «Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, cobrador de impostos. 11 O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: 'Ó Deus, dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. 12 *Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.'
13 *O cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: 'Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.' 14 *Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»

Jesus e os pequeninos (Mt 19,13-15; Mc 10,13-16)

15 Apresentavam-lhe também as criancinhas, para que Ele lhes tocasse. Vendo isso, os discípulos repreenderam-nos. 16 Mas Jesus chamou-os a si, dizendo: «Deixai vir a mim os pequeninos; não os impeçais, pois deles é o Reino de Deus. 17 *Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.»

O homem rico (10,25-28; Mt 19,16-26; Mc 10,17-27)

18 Certo chefe perguntou-lhe, então: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» 19 Respondeu-lhe Jesus: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. 20 *Tu sabes os mandamentos: Não cometerás adultério, não matarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe.» 21 Ele retorquiu: «Tudo isso tenho cumprido desde a minha juventude.» 22 *Ouvindo isto, Jesus disse-lhe: «Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, distribui o dinheiro pelos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me.»
23 Quando isto ouviu, ele entristeceu-se, pois era muito rico.
24 Vendo-o assim, Jesus exclamou: «Como é difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus! 25 *Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!» 26 Os que o ouviram disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 27 *Jesus respondeu: «O que é impossível aos homens é possível a Deus.»

Recompensa do desprendimento (Mt 19,27-30; Mc 10,28-31)

28 Disse-lhe Pedro: «Nós deixámos os próprios bens e seguimos-te.» 29 *Ele disse-lhes:
«Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do Reino de Deus,
30 *que não receba muito mais no tempo presente e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.»

Terceiro anúncio da Paixão (Mt 20,17-19; Mc 10,32-34)

31 Tomando os Doze consigo, Jesus disse-lhes: «Olhai, subimos agora a Jerusalém e vai cumprir-se tudo o que foi escrito pelos profetas acerca do Filho do Homem: 32 vai ser entregue aos gentios, vai ser escarnecido, maltratado e coberto de escarros; 33 e, depois de o açoitarem, vão dar-lhe a morte. Mas, ao terceiro dia, ressuscitará.»
34 *Eles, porém, nada disto entenderam. Aquela linguagem era incompreensível para eles, e não entendiam o que lhes dizia.

Cura do cego de Jericó (Mt 9,27-31; 20,29-34; Mc 8,22-26; 10,46-52; Jo 9,1-41)

35 Quando se aproximavam de Jericó, estava um cego sentado a pedir esmola à beira do caminho. 36 Ouvindo a multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37 *Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que ia a passar. 38 *Então, bradou: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» 39 Os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!»
40 Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Quando o cego se aproximou, perguntou-lhe: 41 «Que queres que te faça?» Respondeu: «Senhor, que eu veja!» 42 *Jesus disse-lhe: «Vê. A tua fé te salvou.» 43 *Naquele mesmo instante, recobrou a vista e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, ao ver isto, deu louvores a Deus.

Notas

18, 1
A parábola do "juiz iníquo" (v.2-5) poderá ter formado um binómio com a do "amigo importuno" (11,5-8) e está centrada na oração sobre a vinda escatológica de Jesus (21,36 nota). O sentido da oração é formulado com expressões características de Paulo: orar sempre (Rm 1,10; Fl 1,4; Cl 1,3; 2 Ts 1,11), orar sem desfalecer (2 Cor 4,1.16; Gl 6,9; Ef 3,13; 2 Ts 3,13).
4
Ver 12,17 nota.
6-7
O Senhor é Jesus, que faz a aplicação da parábola (7,13 nota). A interrogação sobre a espera está envolvida de obscuridade (2 Pe 3,9; Ap 6,9-11). Na oração está a chave de compreensão do silêncio de Deus, motivo de escândalo, já no AT (Sl 44,24; Zc 1,12).
8
Jesus anuncia um juízo dentro de pouco tempo (Mc 9,1; 13,30) e projecta os ouvintes para o fim dos tempos, referindo-se ao tema apocalíptico da apostasia (Mt 24,10-12; 2 Ts 2,3).
9-14
O tema da oração dos v.2-5 recebe aqui uma ilustração com uma parábola, cuja lição central é a humildade (v.14). Ao mesmo tempo, Lc visa uma crítica dos fariseus, que se tinham por justos (5,32; 10,29; 15,7; 16,15).
12
O fariseu cumpre as práticas piedosas do seu grupo e encontra aí a segurança da sua justiça (5,33; 11,42).
13
O cobrador de impostos confessa aquilo que é diante de Deus: um pecador; e essa confissão sincera abre-o ao perdão de Deus.
14
Voltou justificado. A justiça, que o fariseu procurava conquistar com as suas obras, é um dom que só Deus pode dar e deu ao cobrador de impostos (Fl 3,9; ver 3,4 nota; 14,8-11 nota).
15
Lc retoma a narração do Evangelho, comum a Mt e Mc, que tinha interrompido em 9,50.
17
Sendo um dom, o Reino de Deus deve ser acolhido com a simplicidade e gratidão da criança. Tal é a atitude de Jesus para com o Pai (10,21 nota; 22,42).
18
Este chefe era, segundo Mt 19,20 "um jovem". Esta questão já tinha sido posta por um doutor da Lei (10,25). A resposta de Jesus trata da riqueza (v.22-27) e da renúncia dos discípulos (v.28-30), tendo como quadro o tema da vida eterna (v.18.30). Ver 16,9-13.13 notas.
20
Ver Ex 20,12-17; Dt 5,16-18.
22
Ver 5,10-11 nota; 11,41 nota.
25
A afirmação de Jesus encerra um paradoxo, e, para o rico como para o pobre, a salvação é obra de Deus (v.27). A afirmação incide na maior dificuldade de o rico chegar à salvação.
27
Ver 1,37 nota.
28
Ao contrário de Mt e Mc, Lc omite aqui a palavra "tudo" (5,10-11 nota). Mas, com a expressão os próprios bens, evoca a condição dos discípulos da comunidade de Jerusalém, que colocavam os bens em comum (Act 2,44 nota; 4,32-35 nota).
29
Lc é o único a mencionar a renúncia à mulher: nada nem ninguém deveria interferir na prioridade absoluta do amor a Deus (14,26-27 nota; 1 Cor 7,25-28 nota).
30
A oposição entre tempo presente e tempo que há-de-vir é uma ideia corrente na apocalíptica judaica (Mt 12,32), que Lc apresenta sob diversas formas (16,8 nota; 20,34-35). A resposta de Jesus à questão do chefe (v.18) indica a vida eterna como prémio.
31
Este anúncio da Paixão corresponde ao terceiro em Mt e Mc. Só Lc refere os escritos dos profetas neste anúncio da Paixão (24,25-27.45-46). Além dos dois primeiros anúncios (9,22.44), Lc refere-se outras três vezes à Paixão (12,50 nota; 13,32-33 nota; 17,25).
34
Sobre a incompreensão dos Doze quanto à Paixão, ver 9,45 e par..
35
Jericó; Mt 20,29 e Mc 10,46 referem o milagre quando Jesus saía da cidade. Lc situa-o à entrada, porque quer apresentar em seguida a conversão de Zaqueu e a parábola da investidura de um rei vassalo.
37
Jesus de Nazaré. Esta forma semita (nazoreu) é rara nos Sinópticos (Mt 2,23; 26,71); nos Actos aparece oito vezes. Ver Ex 20,25 nota; Nm 6,2 nota; Jz 13,5 nota; 1 Sm 1,11 nota; Am 2,9-11 nota; Mt 2,23 nota; 27,71 nota; Act 2,22 nota.
38
Filho de David, aclamação messiânica que prepara a cena da entrada em Jerusalém (19,29-40; Mt 9,27 nota).
42
Ver 7,50 nota.
43
Conclusão usual nos milagres, que prepara a aclamação messiânica de 19,37-38 (2,20 nota).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.