Êxodo 1
I. OPRESSÃO E LIBERTAÇÃO<br /> (1,1-15,21)<br /><br /> Os Filhos de Israel no Egipto<br /> (Gn 46,1-27; Act 7,14-17)
1 *Estes são os nomes dos filhos de Israel, e as respectivas famílias, que foram com Jacob para o Egipto: 2 Rúben, Simeão, Levi, Judá, 3 Issacar, Zabulão, Benjamim, 4 Dan, Neftali, Gad e Aser. 5 *Os descendentes de Jacob perfaziam um total de setenta pessoas. José encontrava-se já no Egipto. 6 Depois, José morreu, bem como todos os seus irmãos e toda aquela geração. 7 *Os filhos de Israel foram fecundos e multiplicaram-se; tornaram-se tão numerosos e poderosos que encheram o país.Opressão dos filhos de Israel (Sl 105,25; Act 7,18-19)
8 *Subiu então ao trono do Egipto um novo rei que não conhecera José. 9 E ele disse ao seu povo: «Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e poderoso do que nós. 10 Temos de proceder astuciosamente contra ele, a fim de impedirmos que se desenvolva ainda mais. Em caso de guerra, juntar-se-ia também aos nossos inimigos, lutaria contra nós, e sairia deste país.» 11 *Impuseram-lhe então chefes de trabalhos forçados para o oprimirem com carregamentos. E construiu para o faraó as cidades-armazém de Pitom e Ramessés. 12 Todavia, quanto mais o oprimiam, mais ele se multiplicava e aumentava; e os egípcios estavam preocupados com os filhos de Israel, 13 e reduziram-nos a uma dura servidão. 14 Tornaram-lhes a vida amarga com uma pesada servidão: barro, tijolos, toda a espécie de trabalhos no campo, tudo uma dura servidão.15 O rei do Egipto disse às parteiras dos hebreus, das quais uma se chamava Chifra e outra Pua: 16 *«Quando assistirdes aos partos das mulheres dos hebreus, reparai na criança: se for um menino, matai-o; se for uma menina, deixai-a viver.» 17 Mas as parteiras temeram a Deus: não fizeram como lhes tinha falado o rei do Egipto, e deixaram viver os meninos. 18 Então, o rei do Egipto chamou-as e disse-lhes: «Porque fizestes dessa maneira e deixastes viver os meninos?»
19 As parteiras disseram ao faraó: «As mulheres dos hebreus não são como as egípcias; elas são fortes: antes de chegar a parteira, já elas deram à luz.» 20 Deus retribuiu o bem às parteiras, e o povo multiplicou-se e tornou-se muito poderoso.
21 Como as parteiras temeram a Deus, e Ele lhes concedeu uma descendência, 22 *o faraó ordenou a todo o seu povo: «Atirai ao rio os meninos recém-nascidos; as meninas, porém, deixai-as viver todas.»
Notas
- 1, 1-4
- A lista dos onze filhos de Israel que desceram ao Egipto - José já lá estava - segue a ordem de Gn 35,23-26 e 46,8-27, em que os filhos estão agrupados segundo as suas mães (Lia: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zabulão; Raquel: Benjamim [José não é mencionado, pois já estava no Egipto: v.5]; Bila, escrava de Raquel: Dan e Neftali; Zilpa, escrava de Lia: Gad e Aser), e não segundo a ordem do seu nascimento, como sucede em Gn 29,31-35; 30,22-24. Outras listas podem ver-se em 6,14-27 (parcial); Gn 46,19-20; 49,3-27; Nm 26,5-51; Dt 33,6-29; Jz 5,14-18.
- 5
- Setenta pessoas. Não estão incluídas as esposas de Jacob, nem "as mulheres dos filhos de Jacob" (Gn 46,26-27 nota), nem a descendência feminina. Trata-se, portanto, mais de pessoas jurídicas do que físicas. Setenta é o número da totalidade (= 7 x 10); 70 é também o número das nações que descendem de Noé (Gn 10), talvez num paralelismo propositadamente procurado. Totalidade mais simbólica do que histórica. É a maneira de dizer que é todo o Israel que está implicado no acontecimento fundante da sua história: a descida ao Egipto (Gn 12,10-20 nota; 39,1-23 nota; 46,2-4 nota. 27; 47,1-31 nota; Dt 10,22) e a subida do Egipto. Os Setenta, que acrescentam os netos de José (Gn 46,20), dão o número 75, seguido por Act 7,14. Pretendem certamente ser mais exactos, mas perdem o valor simbólico do número 70.
- 7
- É o cumprimento das bênçãos da criação (Gn 1,28), da nova criação após o dilúvio (Gn 9,7) e das promessas aos patriarcas (Gn 12,2; 13,16; 15,5; 17,5-6; 18,18; 26,4.24; 28,14; 35,11). Ver também 5,5 e Act 7,17.
- 8
- Parece provável que José possa estar no Egipto como vizir nos últimos anos de Amenófis I (1527-1506) e nos primeiros anos de Tutmósis I (1506-1494), da XVIII dinastia. A carestia referida em Gn 41,53-57 parece remontar a esta época. O novo rei, que não conhecera José, e que exerce a opressão, é, sem dúvida, Ramessés II (1290-1224), da XIX dinastia.
- 11
- Carregamentos. Semelhantes aos que Issacar fazia na planície de Esdrelon ao serviço dos cananeus (2,11; 5,4-5; 6,6-7; Gn 49,14-15) e aos que Salomão impôs para a construção do templo (1 Rs 5,20-32; 11,28). Pitom e Ramessés são cidades situadas na fronteira oriental do Delta, construídas nos primeiros anos de Ramessés II (1290-1224), para servir de base de apoio às campanhas asiáticas deste faraó. De notar a facilidade com que o discurso passa de "rei do Egipto" para "faraó" e de "filhos de Israel" para "hebreus".
- 16
- Reparai na criança. O texto hebraico tem: "olhareis as duas pedras", certamente duas pedras concretas e bem conhecidas, sobre as quais as mulheres davam à luz (costume egípcio). Na escrita hieroglífica, o ideograma do verbo "dar à luz" são dois grandes ladrilhos.
- 22
- O rio é o Nilo.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.