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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Sabedoria

Sabedoria 17

5.° Contraste: Trevas para os egípcios e coluna de fogo para Israel (Ex 10,21-23; 13,21-22; Rm 11,33-35)

1 Grandes e impenetráveis são os teus juízos.
Por isso, as almas ignorantes se extraviam.
2 *Os ímpios, pensando que podiam oprimir o teu povo santo,
ficaram prisioneiros das trevas e encarcerados numa longa noite,
encerrados sob os seus tectos e excluídos da eterna providência.
3 Pensavam ficar ocultos com os seus pecados secretos,
sob o sombrio véu do esquecimento,
mas foram dispersos, possuídos de terrível espanto,
e apavorados por fantasmas.
4 Nem o esconderijo em que se refugiavam os preservava do medo;
ruídos aterradores ressoavam à sua volta
e lúgubres espectros de pálidos rostos lhes apareciam.
5 Nenhuma chama tinha força bastante para os alumiar,
nem os fulgores cintilantes dos astros
conseguiam iluminar aquela horrorosa noite.
6 Somente brilhava para eles
um clarão aceso por si mesmo e que os apavorava;
mas, logo que desaparecia a visão, ficavam aterrados
e consideravam ainda pior o que viam.
7 Os artifícios da magia mostravam a sua impotência,
e a sua pretensão de inteligência conhecia um fracasso humilhante,
8 pois os que prometiam afugentar os medos
e as perturbações da alma doente,
esses mesmos eram vítimas de um pânico ridículo.
9 Mesmo que nada de mais grave os perturbasse,
a passagem de animais e os sibilos das serpentes os sobressaltavam
e morriam de medo,
recusando-se até a olhar à sua volta, o que não se pode evitar.
10 *Com efeito, a maldade é cobarde e por seu próprio testemunho se condena;
pressionada pela consciência, sempre imagina o pior,
11 porque o medo não é outra coisa
senão a renúncia aos auxílios da razão.
12 Quanto menor é a segurança interior
tanto mais se sente a ignorância da causa do tormento.
13 Eles, porém, durante aquela noite verdadeiramente insuportável,
saída das profundezas do impotente Abismo,
dormiam o mesmo sono:
14 eram perturbados por espectros monstruosos,
pelo abatimento da alma,
pois um súbito e inesperado terror os invadira.
15 E também todo aquele, fosse quem fosse, que lá estivesse caía,
ficava preso e encarcerado e numa prisão sem trancas.
16 De facto, se o agricultor ou o pastor,
ou o trabalhador do campo
fosse surpreendido pelo flagelo,
deveria suportar a necessidade inelutável,
pois todos estavam acorrentados à mesma cadeia de trevas.
17 O vento que assobiava,
o canto melodioso dos pássaros na ramagem frondosa,
o murmúrio das águas correndo impetuosas
ou o estrondo das rochas que se desprendiam,
18 a carreira invisível de animais saltitantes,
o forte rugido dos animais mais selvagens
ou o eco que se repercutia nos vales das montanhas,
tudo os fazia estarrecer de pavor.
19 Pois o mundo inteiro estava iluminado por uma luz esplendorosa
e cada um prosseguia, sem obstáculos, os seus trabalhos.
20 Somente sobre eles se tinha estendido uma densa noite,
imagem das trevas que os esperavam.
Mas, para si mesmos, eles eram mais insuportáveis do que as trevas.

Notas

17, 2-6
A praga das trevas (Ex 10,21-23 nota; 14,20 nota), amplamente alegorizada (v.3-10.14), serve para pôr em relevo o castigo infligido aos egípcios e para sublinhar a protecção dispensada ao povo eleito, através da coluna de fogo (18,3). As trevas materiais são entendidas como sinal das trevas do espírito (v.20), que não permitiam reconhecer os desígnios de Deus (v.1) nos acontecimentos. Por isso é que os egípcios entram em pânico (v.3-4.6.8.15.18-20) e desesperam (v.10-11.20).
10
O termo consciência aparece aqui pela primeira vez em toda a Bíblia, com o sentido de reprovação interior dos pecados cometidos (Act 23,1).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.