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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Sabedoria

Sabedoria 2

1 *Dizem, com efeito, nos seus falsos raciocínios:
«Breve e triste é a nossa vida,
não há remédio algum quando chega a morte.
E também não se conhece ninguém
que tenha regressado do mundo dos mortos.
2 Foi por acaso que viemos à existência
e, depois, será como se não tivéssemos existido!
A respiração das nossas narinas é apenas fumo,
e o pensamento, uma centelha do bater do coração!
3 Quando ela se apaga, o nosso corpo voltará ao pó,
e o nosso espírito se dissolverá como o ar subtil.
4 Com o tempo, o nosso nome cairá no esquecimento,
e ninguém se lembrará das nossas obras.
A nossa vida é como uma nuvem que passa sem deixar rasto,
há-de dissipar-se como bruma,
ferida pelos raios de sol
e abatida pelo seu calor.
5 O tempo da nossa vida é como sombra que passa,
e o nosso fim não se pode adiar,
pois a vida está selada e ninguém pode voltar atrás.
6 Vinde, pois! Gozemos dos bens presentes,
tiremos prazer das criaturas com o ardor da nossa juventude!
7 Inebriemo-nos do melhor vinho e de perfumes,
e não deixemos passar as primeiras flores da Primavera!
8 *Coroemo-nos de botões de rosas, antes que murchem!
9 Nenhum de nós falte às nossas orgias;
deixemos em toda a parte sinais da nossa alegria,
pois esta é a nossa parte e a nossa herança.»

Atitude dos ímpios para com o justo (Jr 20,10-13)

10 «Oprimamos o justo na sua pobreza,
não poupemos a viúva
nem respeitemos os cabelos brancos do ancião!
11 Seja a nossa força a norma da justiça
porque o que é fraco para nada serve.
12 *Armemos laços ao justo porque nos incomoda,
e se opõe à nossa forma de actuar.
Censura-nos as transgressões da Lei,
acusa-nos de sermos infiéis à nossa educação.
13 Ele afirma ter o conhecimento de Deus
e chama-se a si mesmo filho do Senhor!
14 Ele tornou-se uma viva censura para os nossos pensamentos;
só o acto de o vermos nos incomoda,
15 pois a sua vida não é semelhante à dos outros
e os seus caminhos são muito diferentes.
16 *Ele considera-nos como escória
e afasta-se dos nossos caminhos como de imundícies.
Declara feliz a sorte final do justo
e gloria-se de ter a Deus por pai.
17 Vejamos, pois, se as suas palavras são verdadeiras,
e que lhe acontecerá no fim da vida.
18 Porque, se o justo é filho de Deus,
Deus há-de ampará-lo e tirá-lo das mãos dos seus adversários.
19 Provemo-lo com ultrajes e torturas
para avaliar da sua paciência
e comprovar a sua resistência.
20 Condenemo-lo a uma morte infame,
pois, segundo ele diz, Deus o protegerá.»

Os critérios errados dos ímpios

21 Estes são os seus pensamentos, mas enganam-se
porque os cega a sua malícia.
22 *Ignoram os desígnios secretos de Deus,
não esperam a recompensa da piedade
e não acreditam no prémio reservado às almas simples.
23 Com efeito, Deus criou o homem para a incorruptibilidade
e fê-lo à imagem do seu próprio ser.
24 *Por inveja do diabo é que a morte entrou no mundo,
e hão-de prová-la os que pertencem ao diabo.

Notas

2, 1
Gn 47,9; Jb 14,1-2; Sl 39,5-7; 90,9-10; Ecl 2,23; Sir 40,1-2.
8
Os gregos e os romanos, durante as refeições solenes, ungiam-se com perfumes e coroavam as cabeças com os botões primaveris das flores (Horácio, em Od 1, IV, 9-10; Lucrécio, em De natura rerum, III, 912-915).
10
O justo na sua pobreza. Trata-se do judeu fiel que não aceitou a helenização ou secularização promovidas pelos ímpios. Segundo a Escritura, os justos medem-se pelas obras de amor para com as viúvas, os órfãos e os anciãos, desprezados pelos ímpios (Is 1,17 nota).
12
Ver Jr 11,19; 20,10-13.
16
A conduta dos justos fiéis, isto é, os seus caminhos, incomodam fortemente os ímpios. Estes, não satisfeitos com as leviandades da sua vida, ainda criticavam os justos e os débeis, cuja fé, expressa na vida, falava mais alto que as próprias palavras (v.16-17). Estes justos assemelhavam-se ao servo sofredor do Dêutero-Isaías (Is 42,1-4 nota; 50,4-11; 52,13 nota; 53,7; Mt 8,16-17 nota; Jo 19,31-36), e ao justo dos Sl 22 e 69. Por seu lado, os ímpios, nos seus critérios (v.18-20), mais parecem os judeus e os pagãos que escarnecem da paixão de Cristo (Mt 27,12.39-43).
22-23
Os ímpios, em virtude do teor materialista da sua vida, não chegam ao conhecimento da verdade (Rm 1,21; 1 Jo 3,19), pois o seu espírito está cego pelas coisas do mundo. O autor, porém, apresenta as razões da sua forma de viver e a esperança dos justos (v.23-24), fundamentando-as na natureza imortal com que Deus criou o ser humano (Gn 1,27), ou na imagem do próprio Deus (v.23) e, como diria o autor de 2 Pe (1,4), na participação da natureza divina.
24
Ver Gn 3,1-19; Rm 5,12.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.