Sabedoria 6
II. ELOGIO DA SABEDORIA<br>(6,1 - 9,18)
Os governantes e a sabedoria (Pr 8,15-16; Rm 13,1-7)
1 Ouvi, pois, ó reis, e entendei;aprendei, ó vós que governais em toda a terra!
2 *Prestai ouvidos, vós que reinais sobre as multidões
e vos gloriais do número dos vossos povos!
3 Porque do Senhor recebestes o poder,
e a soberania vem do Altíssimo,
que julgará as vossas obras
e examinará os vossos pensamentos.
4 Pois, sendo ministros do reino, não governastes com rectidão
nem respeitastes a Lei,
nem seguistes a vontade de Deus.
5 De modo terrível e inesperado,
Ele vos aparecerá,
pois um julgamento rigoroso será feito aos grandes.
6 O pequeno, com efeito, encontrará misericórdia,
mas os poderosos serão examinados com rigor.
7 O Senhor de todos não temerá ninguém
nem se intimidará com a grandeza,
pois Ele criou o pequeno e o grande
e de todos cuida igualmente.
8 Mas, para os poderosos, o julgamento será severo.
9 A vós, pois, ó reis, se dirigem as minhas palavras
para que aprendais a sabedoria e não pequeis.
10 Aqueles que se conduzem segundo as leis santas
serão reconhecidos como santos,
e os que se deixam instruir por elas, nelas encontrarão a sua defesa.
11 Ansiai, pois, pelas minhas palavras,
desejai-as ardentemente e sereis instruídos.
A sabedoria deixa-se encontrar (Pr 1,20-21; 8,1-21; Sir 6,26-29)
12 Radiante e inalterável é a sabedoria;facilmente se deixa ver por aqueles que a amam,
e encontrar por aqueles que a buscam.
13 Antecipa-se a manifestar-se aos que a desejam.
14 Quem por ela madruga não se cansará:
há-de encontrá-la sentada à sua porta.
15 Meditar nela é prudência consumada,
e aquele que não dorme por causa dela
depressa estará livre de inquietação.
16 *Pois ela própria vai à procura dos que são dignos dela,
pelos caminhos lhes aparece com benevolência
e vai ao encontro deles, em cada um dos seus pensamentos.
17 O princípio da sabedoria é o sincero desejo de ser instruído por ela,
e desejar instruir-se é já amá-la.
18 Mas amá-la é obedecer às suas leis,
e obedecer às suas leis é garantia de incorruptibilidade.
19 E a incorruptibilidade aproxima-nos de Deus.
20 Desta forma, o desejo da sabedoria conduz à realeza!
21 Portanto, ó senhores dos povos, se quereis tronos e ceptros,
honrai a sabedoria e reinareis para sempre.
Elogio da sabedoria (Jb 10,8-12; Sl 139,13-16; Sir 10,1-5)
22 Eu vou anunciar-vos o que é a sabedoria e qual a sua origem,sem vos esconder os seus segredos.
Desde a sua origem mais remota a investigarei
e porei a claro o seu conhecimento,
sem me afastar da verdade.
23 Não caminharei com aquele que se consome de inveja,
pois esta nada tem a ver com a sabedoria.
24 A multidão dos sábios é a salvação do mundo
e um rei sábio é o bem-estar do povo.
25 Deixai-vos, pois, instruir pelas minhas palavras
e delas tirareis grande proveito.
Notas
- 6, 2-11
- Uma exortação calorosa, expressa no imperativo (v.1-2), é dirigida a todos quantos exercem o poder, para que tomem consciência de que hão-de dar contas do exercício da justiça ao justo soberano (Pr 8,15-16; Sir 10,4; Dn 2,37-45; 5,18-19; Jo 19,1; Rm 13,1). Ele será, no seu julgamento, mais condescendente com os pequenos, isto é, com as pessoas comuns e simples, do que com os poderosos.
- 12-21
- Inicia-se com o v.12 o elogio da sabedoria, que vai terminar em 9,18. Tal como se faz com uma personagem ou com uma cidade importante, assim o autor traça o elogio da sabedoria, sublinhando a sua origem (7,25-26; 8,3), a sua natureza e qualidades (7,22-30), os seus dons (7,11-12; 8,5.8.10-16) e a sua acção cósmica. Nesta unidade dos v.12-21, a sabedoria é como uma pessoa que se põe em movimento, tendo como referência o movimento das pessoas que vêm na sua direcção. É ela, porém, quem está no princípio e no fim de todo este movimento; é ela quem toma a iniciativa e se adianta à acção do próprio ser humano, preocupada em elevá-lo (Pr 1,20-21; 8,1-3; 14,6; Sir 15,2; Jr 29,13; Jo 14,21). É de notar que aqui se aplica à sabedoria o que se dissera de Deus no início (1,2).
- 16
- Ver Is 65,1.
- 22
- O autor opõe-se aos filósofos, que guardavam para os seus discípulos uma doutrina superior, e às religiões mistéricas, que guardavam os seus segredos só para os iniciados. A sabedoria que é elogiada é, pelo contrário, pública, anda na rua (Pr 8,9) e, inclusivamente, quer revelar os seus segredos.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.