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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Sabedoria

Sabedoria 7

Salomão, um simples homem

1 *Também eu sou um homem mortal como todos os homens,
descendente do primeiro que foi formado da terra,
e no ventre de uma mãe fui feito carne.
2 *Durante dez meses fui ganhando corpo no sangue,
a partir do sémen do homem e do prazer conjugal.
3 Também eu, ao nascer, respirei o ar comum
e, como todos, caí sobre uma terra de sofrimento
e, como todos, a primeira coisa que fiz foi chorar.
4 Criaram-me com mimos entre cueiros.
5 Nenhum rei começou de outro modo a sua existência,
6 pois, para todos, é igual o começo e o fim da vida.

Estima da sabedoria (9; 1 Rs 3,6-12; 5,9-14; Sir 47,12-17)

7 *Por isso pedi, e foi-me dada a inteligência;
supliquei, e veio a mim o espírito de sabedoria.
8 Preferi-a aos ceptros e aos tronos,
e, em comparação com ela, vi que não eram nada as riquezas.
9 Nem sequer a comparei às pedras preciosas,
pois o ouro todo, diante dela, é um pouco de areia,
e a prata, perante ela, será como lodo.
10 *Amei-a mais que a saúde e a beleza,
e antes a quis ter a ela que a luz,
pois a sua claridade jamais tem ocaso.
11 *Com ela me vieram todos os bens,
e nas suas mãos está uma riqueza incalculável.
12 Deliciei-me com todos estes bens,
pois é a sabedoria quem os conduz,
mas eu ignorava que ela fosse a sua mãe.
13 Aprendi-a com simplicidade, reparto-a sem reservas
e não escondo a sua riqueza,
14 *porque ela é para os homens um tesouro inesgotável;
os que a adquirem tornam-se agradáveis a Deus,
e recomendáveis a Ele pelos dons da instrução.

Salomão pede a Deus a sabedoria (1 Rs 5,9-14)

15 Que Deus me permita falar com inteligência
e ter pensamentos dignos dos dons concedidos,
pois é Ele quem guia a sabedoria
e quem dirige os sábios.
16 *Em suas mãos estamos nós e as nossas palavras,
toda a inteligência e toda a habilidade.
17 *Foi Ele quem me deu a verdadeira ciência das coisas
para conhecer a estrutura do universo e a propriedade dos elementos:
18 o princípio, o fim e o meio dos tempos,
a alternância dos solstícios e a sucessão das estações,
19 os ciclos do ano e as posições dos astros,
20 a natureza dos animais e os instintos das feras,
o poder dos espíritos e os pensamentos dos homens,
a variedade das plantas e as virtudes das raízes.
21 *Conheci tudo o que está oculto ou manifesto,
pois a sabedoria, artífice de tudo, mo ensinou.

Natureza e propriedades da sabedoria

22 *Com efeito, há nela um espírito inteligente e santo,
único, múltiplo e subtil,
ágil, penetrante e puro,
límpido, invulnerável, amigo do bem e perspicaz,
23 livre, benéfico e amigo dos homens,
estável, firme e sereno,
que tudo pode e tudo vê,
que penetra todos os espíritos,
os inteligentes, os puros e os mais subtis.
24 A sabedoria é mais ágil que todo o movimento
e por sua pureza tudo atravessa e penetra.
25 Ela é um sopro do poder de Deus,
uma irradiação pura da glória do Omnipotente,
pelo que nada de impuro entra nela.
26 *Ela é um reflexo da luz eterna,
um espelho imaculado da actividade de Deus
e uma imagem da sua bondade.
27 Sendo uma só, tudo pode;
permanecendo em si mesma, tudo renova;
e, derramando-se nas almas santas de cada geração,
ela forma amigos de Deus e profetas,
28 pois Deus só ama quem vive com a sabedoria.
29 Ela é mais radiante que o sol,
e supera todas as constelações;
comparada com a luz, sai vencedora,
30 pois a luz dá lugar à noite,
mas sobre a sabedoria não prevalece o mal.

Notas

7, 1
O autor, que se identifica com Salomão, tem consciência da sua condição (Gn 2,7; Jb 33,6; Sir 17,1; 1 Cor 15,47); não tem pretensões divinas, como os reis orientais que reivindicavam para si uma origem divina; nem foi por nascimento ou pela sua dignidade que obteve a sabedoria.
2-6
Os dez meses explicam-se pelo uso de contar por inteiro o décimo mês, apenas começado. Compare-se o modo de referir o nascimento com Jb 10,10-11. Enquanto aqui, nos v.1-3, a forma-ção do embrião humano é entendido como um processo natural, descrevendo-se mesmo o seu processo fisiológico de formação segundo os conhecimentos comuns na época, em Job esse processo é atribuído directamente à acção de Deus.
7
A oração é o meio para alcançar a sabedoria (inteligência), e o Senhor concede-a àqueles que a imploram. Concedeu-a a Salomão, para que fosse para ele como que o princípio de uma vida nova (ver 9; 1 Rs 3,6-9.12; 5,9-14; Sir 39,1-11).
10
A sabedoria é, para Salomão, mais valiosa que todos os bens que entre os gregos eram apreciados. É mesmo mais que a própria luz do dia, que se extingue todos os dias, ao pôr do sol. Da sabedoria incarnada, dirá S. João que é a luz do mundo (Jo 8,12) e que ilumina toda a humanidade (Jo 1,9; Ap 22,5).
11
Alusão ao sonho de Salomão (1 Rs 3,5-15), em que ele pede a sabedoria. O Senhor não só lha concede, como até lhe concede aquilo que ele não havia pedido: a fama e a riqueza.
14
A instrução de que se fala aqui é a educação que regula a vida inteira segundo os critérios da sabedoria. Com esta educação se agrada a Deus e se entra na sua amizade. Isto é, ela torna-se como que um presente ou um conjunto de presentes que agradam a Deus.
16
Ver Jb 12,10; Sl 31,16; Sir 10,5.
17
Apesar de os seus vastos conhecimentos (v.18-20) terem sido adquiridos pela actividade do seu espírito, Salomão reconhece que mesmo neles Deus interveio.
21
Ver 8,2-4.8; 9,9; Pr 8,22-31.
22-26
Com vinte e um atributos, tomados quer da tradição bíblica, quer da filosofia grega, o autor pretende exaltar a suma perfeição da sabedoria, pois o número 21 é um múltiplo de 3 por 7, dois números sagrados por excelência. Os mesmos atributos são também próprios de Deus e, pelo modo como são aqui aplicados à sabedoria, oferecem-nos indícios para nela antever a sabedoria incarnada, Jesus Cristo (Jo 1,3.10; 5,19; Cl 1,15-20; Heb 1,3; 1 Jo 1,5). Trata-se da revelação mais elevada da sabedoria que se encontra nos livros sapienciais (Pr 8,1-36; Sir 24), e acaba por ver-se identificada com a Providência divina (8,4).
26
Ver Is 2,5; 60,1.19-20; Br 5,9; Hab 3,4; 1 Jo 1,5.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.