Saltar para o conteúdo
26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Sabedoria

Sabedoria 11

Meditação sobre o Êxodo<br>(11,1 - 19,21)

1 *Fez prosperar as suas obras pelas mãos de um santo profeta.
2 Atravessaram um deserto desabitado
e montaram as suas tendas em lugares intransitáveis.
3 Resistiram aos inimigos
e repeliram os seus adversários.

1.° Contraste: A sabedoria acompanha Israel e castiga o Egipto (Ex 17,1-7; Nm 20,2-13; Dt 8,2-5)

4 *Tiveram sede e invocaram-te;
deste-lhes, então, água de uma rocha dura,
e numa dura pedra encontrou remédio a sua sede.
5 Assim, isso mesmo que tinha servido de castigo aos seus inimigos
tornou-se para eles benefício nas suas provações.
6 Em lugar da água corrente do rio
turvada de sangue e lama,
7 em castigo pelo decreto infanticida,
deste-lhes, inesperadamente, água abundante,
8 depois de lhes teres mostrado, pela sede que então sofreram,
como castigaste os inimigos.
9 Quando, pois, foram provados,
embora corrigidos com amor,
compreenderam como deviam ter sofrido os ímpios,
julgados com ira,
10 pois a eles os provaste como pai que corrige,
mas a estes os castigaste como rei severo que condena.
11 Tanto quando estavam presentes como ausentes,
foram igualmente atormentados,
12 *pois uma dupla pena os atingiu,
gemendo com a lembrança dos males passados:
13 quando compreenderam que o seu próprio castigo
era um bem para os outros, reconheceram que era o Senhor;
14 *pois aquele que outrora tinham rejeitado, expondo-o,
ao fim dos acontecimentos o admiraram,
quando sentiram uma sede diferente da dos justos.

Moderação do castigo divino para com os egípcios

15 Por causa dos pensamentos estúpidos,
inspirados na sua maldade,
que os extraviaram ao ponto de prestar culto
a répteis irracionais e animais desprezíveis,
enviaste-lhes, como castigo, uma multidão de animais irracionais,
16 *para que compreendessem que,
conforme o pecado, assim é o castigo.
17 Pois não teria sido difícil à tua mão poderosa,
que criara o mundo de matéria informe,
enviar contra eles uma multidão de ursos e leões ferozes
18 ou animais de espécies novas, recém-criadas, ferocíssimos,
que exalassem um sopro de fogo,
que expelissem fumo intoxicante
ou lançassem dos olhos relâmpagos terríveis,
19 capazes não só de os exterminarem com as suas mordeduras,
mas até de os fazerem morrer de terror, pelo seu aspecto repelente.
20 Mas, mesmo sem isso, eles poderiam morrer com um sopro,
perseguidos pela justiça
e dispersos pelo teu sopro poderoso.
Tu, porém, regulaste tudo com medida, número e peso.
21 O teu grande poder está sempre ao teu serviço;
quem poderá resistir à força do teu braço?
22 Pois diante de ti, o mundo inteiro é como um grão de areia na balança,
como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra.
23 Mas Tu tens compaixão de todos, pois tudo podes
e desvias os olhos dos pecados dos homens, a fim de os levar à conversão.
24 *Tu amas tudo quanto existe
e não detestas nada do que fizeste;
pois, se odiasses alguma coisa, não a terias criado.
25 E como subsistiria uma coisa, se Tu a não quisesses?
Ou como se conservaria, se não tivesse sido chamada por ti?
26 *Mas Tu poupas a todos, porque todos são teus,
ó Senhor, que amas a vida!

Notas

11, 1
Com o capítulo 11, o autor oferece-nos uma bela meditação sobre o Êxodo. Moisés é o grande profeta, modelo de todos os profetas (Dt 18,15.18; 34,10), graças à sabedoria (7,27).
4
A água de uma rocha, que fez parte da primeira praga (Ex 7,14-21), pela acção da sabedoria tem um duplo efeito (Sir 39,27): serve a Deus para proteger os israelitas e para castigar os egípcios. S. Paulo vê na rocha de onde brotou a água para matar a sede (v.4) o próprio Cristo (1 Cor 10,3-4 nota), que mata a sede a quem se abeira dele (Jo 4,1-15; 7,37-39 nota). Os israelitas, ao sofrer também a sede no deserto (Ex 17,1-7; Nm 20,2-5.8-11), foram provados, a fim de compreenderem a dureza do castigo infligido aos seus inimigos (v.12).
12-13
A dupla pena é uma referência à sede sofrida pelos egípcios e ao facto de saberem que Deus proporcionava água abundante aos israelitas no deserto. É, pois, o sofrimento e o bem alheio, proporcionado pela água, que lhes faz descobrir o Senhor. A água e a sede funcionam como um sinal em que se descobre a intervenção de Deus.
14
Expondo-o. Os acontecimentos relativos à água fizeram os egípcios pensar que Deus estava com Moisés; este tinha sido lançado à água do Nilo em atitude de desprezo, mas Deus salvou-o (Ex 2,1-10).
16-24
O tema do pecado e correspondente castigo, que aqui é enunciado para ser em seguida desenvolvido, tem como base jurídica a lei de Talião, usada frequentemente pelos profetas e que faz corresponder a cada pecado uma pena proporcional. Em questão está agora aqui o pecado da zoolatria ou adoração de animais (v.15), que fazia parte da religião egípcia. Mas o inesperado acontece. A misericórdia divina vai ultrapassar a lei de talião (v.23-24; Gn 9,1-17 nota; Ex 21,23-25 nota; 2 Sm 14,7 nota; Mt 5,38-39 nota). Deus vai castigar mas não vai destruir nada nem ninguém, mesmo os egípcios, pois criou tudo e todos por amor (v.24.26; 12,1). Nem Platão nem os filósofos do tempo tinham descoberto uma doutrina tão maravilhosa. O autor de 2 Pe 3,9 irá dizer, mais tarde, que Deus é paciente para com os pecadores, a fim de lhes dar tempo para a conversão.
24
Tu amas tudo quanto existe. Ver 1,13-14; 2,23-24; Gn 1,31; Sl 145,9.
26
Ver 18,23; Ez 33,11.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.