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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Sabedoria

Sabedoria 8

1 Ela estende-se com vigor de uma extremidade à outra
e tudo governa com bondade.

A sabedoria, esposa ideal

2 *Eu a amei e busquei desde a minha juventude,
procurei tomá-la por esposa
e enamorei-me da sua formosura.
3 A sua intimidade com Deus proclama a nobreza da sua origem,
pois o Senhor do universo a amou.
4 *É que ela está iniciada na ciência de Deus
e é ela quem escolhe as suas obras.
5 E se a riqueza é um bem desejável na vida,
que há de mais rico que a sabedoria, que tudo pode?
6 E se é a inteligência que opera,
quem mais que ela é artífice de todas as coisas?
7 *E se alguém ama a justiça
tem como seus frutos as virtudes,
pois ela ensina temperança e prudência,
justiça e fortaleza.
E nada há mais útil que isto para os homens.
8 *Se alguém deseja uma vasta experiência,
ela conhece o passado e adivinha o futuro,
penetra as subtilezas da linguagem e a chave dos enigmas,
prevê sinais e prodígios
e o desfecho das idades e dos tempos.
9 Por isso, resolvi tomá-la por companheira da minha vida,
sabendo que ela será para mim conselheira do bem
e consolação nas preocupações e nas tristezas.
10 Graças a ela, alcançarei glória entre as multidões
e, embora jovem, gozarei do respeito dos anciãos.
11 *Ser-me-á reconhecida perspicácia nos julgamentos,
e farei a admiração dos poderosos.
12 *Se me calar, esperarão que fale;
se falar, escutar-me-ão atentamente;
se me alargar no discurso,
ficarão cheios de admiração.
13 Graças a ela, alcançarei a imortalidade
e deixarei para a posteridade uma memória eterna.
14 Governarei povos, e as nações me serão submetidas.
15 Os tiranos temíveis, ao ouvir-me, assustar-se-ão.
Com o povo, mostrar-me-ei amável e corajoso na guerra.
16 Ao regressar a casa, repousarei ao lado dela,
pois o seu convívio não tem nada de desagradável
nem a sua intimidade é aborrecida,
mas apenas deleite e alegria.

A sabedoria é puro dom de Deus

17 Reflectindo eu sobre estas coisas
e meditando em meu coração
que a imortalidade está em união com a sabedoria;
18 que na sua amizade existe um nobre prazer;
que na obra das suas mãos há uma riqueza inesgotável;
que há inteligência na assiduidade da sua companhia
e celebridade no diálogo com ela,
ia por toda a parte procurando possuí-la.
19 *Eu era um jovem de boas qualidades,
que tinha recebido uma alma boa;
20 ou melhor, como era bom, vim para um corpo sem mancha.
21 Sabendo, porém, que não a alcançaria,
se Deus não ma concedesse,
- e já era inteligência saber de quem vinha o dom -
dirigi-me ao Senhor e rezei,
dizendo de todo o coração:

Notas

8, 2-3
Se era preciso arte para escolher uma boa esposa (Pr 31,10-31; Sir 25,26), a sabedoria é essa boa esposa (Sir 15,1-10), por quem Salomão se enamora e que desposa (v.9). Graças a esta união, Salomão familiariza-se com Deus (v.3) e torna-se imortal (v.17). Com frequência, a Sagrada Escritura utiliza esta imagem esponsal para pôr em relevo o amor de Deus para com o seu povo (Jr 2,2.20 nota; Os 2,2-25).
4
Ver Pr 8,27-31.
7
Estas quatro virtudes, conhecidas por virtudes cardeais, e que são como que a expressão da perfeição ética, faziam já parte da sabedoria grega, embora também tenham antecedentes bíblicos (Pr 8,14-15). Na perspectiva do autor, para se atingir esta perfeição, é precisa a sabedoria, que é um dom de Deus.
8
A experiência é um conhecimento que emerge da vida, feito da cultura e da observação atenta das situações humanas. É uma ciência que brota da sabedoria e que permite um conhecimento do passado, do presente e do futuro (v.8), porque convive com Deus (v.2).
11
Com o dom da sabedoria concedida por Deus, Salomão impôs-se na vida pública, tanto pela difícil arte de falar (Jb 29,7-11.21-23; Pr 22,20-21), que tanto apreciavam gregos e romanos (Pr 29,20; Ecl 5,1; Sir 19,16.20), como pela seriedade das suas decisões (1 Rs 3,28).
12
Ficarão cheios de admiração. Lit., "levarão a mão à boca"; é gesto de admiração (Jb 29,9).
19-20
Servindo-se da concepção platónica do ser humano - divisão em corpo e alma, mas sem tomar posição pela preexistência da alma e pela ideia de que a alma é superior ao corpo (v.19-20) - o autor realça as suas potencialidades naturais para poder acolher a sabedoria. Contudo, está consciente de que, pela sua condição natural, não lhe assiste direito algum a exigi-la. Esta é um puro dom de Deus (v.21).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.