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30 Sexta-feira, 30 de outubro Outubro de 2026 Sexta-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Êxodo

Êxodo 20

Decálogo moral (v.1-17; Dt 5,6-21; Mt 5,17-48)

1 *Deus pronunciou todas estas palavras, dizendo: 2 *«Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão.
3 *Não haverá para ti outros deuses na minha presença.
4 *Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas. 5 *Não te prostrarás diante dessas coisas e não as servirás, porque Eu, o SENHOR, teu Deus, sou um Deus zeloso, que castigo o pecado dos pais nos filhos até à terceira e à quarta geração, para aqueles que me odeiam, 6 mas que trato com bondade até à milésima geração aqueles que amam e guardam os meus mandamentos.
7 Não usarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não deixa impune aquele que usa o seu nome em vão.
8 Recorda-te do dia de sábado, para o santificar. 9 Trabalharás durante seis dias e farás todo o teu trabalho. 10 *Mas o sétimo dia é o sábado consagrado ao SENHOR, teu Deus. Não farás trabalho algum, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva, os teus animais, o estrangeiro que está dentro das tuas portas. 11 Porque em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que está neles, mas descansou no sétimo dia. Por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e santificou-o.
12 Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
13 Não matarás.
14 Não cometerás adultério.
15 Não roubarás.
16 *Não responderás contra o teu próximo como testemunha mentirosa.
17 Não desejarás a casa do teu próximo. Não desejarás a mulher do teu próximo, o seu servo, a sua serva, o seu boi, o seu burro, e tudo o que é do teu próximo.»
18 *Perante o espectáculo dos trovões, dos relâmpagos, do som da trombeta e da montanha fumegante, o povo tremia e mantinha-se à distância. 19 Disseram a Moisés: «Fala tu connosco, que nós escutaremos; mas que não fale Deus connosco, para que não morramos.» 20 Moisés disse ao povo: «Não temais, pois foi para vos pôr à prova que Deus veio, e para que o seu temor esteja diante de vós, de modo que não pequeis.»
21 O povo manteve-se à distância e Moisés aproximou-se da nuvem escura, onde estava Deus.

CÓDIGO DA ALIANÇA<br>(20,22-23,19)

Lei do altar (Dt 27,5-7)

22 SENHOR disse a Moisés: «Assim dirás aos filhos de Israel: Vós mesmos vistes que foi dos céus que Eu falei convosco. 23 Não fareis ao lado de mim deuses de prata e deuses de ouro; não fareis isso para vós.
24 *Farás para mim um altar de terra e oferecerás sobre ele os teus holocaustos, os teus sacrifícios de comunhão, as tuas ovelhas e os teus bois. Em todo o lugar em que Eu fizer recordar o meu nome, virei a ti e te abençoarei. 25 *Se fizeres para mim um altar de pedras, não o construirás com pedras lavradas, porque ao vibrares o teu cinzel sobre elas, profaná-las-ias. 26 Não subirás por degraus ao meu altar, para que não seja descoberta a tua nudez sobre ele.

Notas

20, 1
O quadro redaccional formado pelos v.1.18-21 mostra que o Decálogo provém de outra tradição, certamente sapiencial, mas que foi inserido no relato da teofania de que actualmente constitui o coração. Os elementos redaccionais vinculam o Decálogo e a teofania como duas partes de um único acontecimento. O termo "Decálogo" provém da expressão "dez palavras", que só encontramos em 34,28; Dt 4,13; 10,4. Entrou na tradição cristã através de Clemente de Alexandria e de Ireneu. Deste "Decálogo" temos duas recensões que apresentam ligeiras diferenças: v.1-17 e Dt 5,6-21.
2
Casa da servidão. O nome hebraico plural 'abadîm equivale a um aumentativo. Ver Gn 15,7.
3
Presença. Trata-se da presença divina no santuário, evocada pelo termo hebraico panay em 23,15 e 34,20.
4
Imagem esculpida. O termo hebraico pésel evoca uma escultura rudimentar em madeira (2 Rs 21,7), e não uma imagem de metal fundido (massekah), como a que existia no santuário danita de Laís-Dan, e que é combatida pelo autor de Jz 17-18, acostando-a, para o efeito, a uma "imagem esculpida" de madeira. O texto do Decálogo não faz nenhuma referência negativa à massekah. Céus, terra, debaixo da terra. Influência da velha cosmologia bíblica que divide o espaço em três regiões: céus, terra, região inferior (Cl 1,16 nota).
5
Zeloso. O termo hebraico qanna' contém a ideia de rubor, de calor, que se manifesta no rosto daquele que está animado por uma grande paixão ou por uma emoção forte. Os paralelos mostram que a fórmula el qanna está em conexão com o culto de falsos deuses (34,14; Dt 4,24; 5,9; 6,15). Em Js 24,19 encontra-se a forma rara e solene el qannô. Castiga. Lit., "visita" (paqad). Deus pode visitar, quer para salvar (3,16-17; 4,31; 13,19), quer para punir.
10
Dentro das tuas portas. Pode entender-se "dentro da tua casa", mas sobretudo "dentro da tua cidade", pois as portas são muitas vezes as da cidade.
16
Responder. Este mandamento devia ter, na origem, um significado essencialmente jurídico. O verbo 'anah (= responder) com a preposição be (em, contra) é empregado o mais das vezes para indicar um depoimento num tribunal. A pessoa que depõe nessas circunstâncias é uma testemunha ('ed), como vemos no texto hebraico da segunda metade do versículo. As antigas versões grega e latina preferiram, porém, o "testemunho" à "testemunha".
18-21
Retomam-se as imagens, os temas e a linguagem da teofania de 19,16-25. Fica claro que o "Decálogo" foi introduzido para ser o coração da própria teofania.
22
Chama-se "Código da Aliança" ou "Livro da Aliança" ao corpo textual contido em 20,22-23,19. O nome advém-lhe de 24,7, em que se encontra precisamente a expressão "Livro da Aliança", embora aí se refira primeiramente ao Decálogo (v.1-17). O Livro da Aliança compõe-se de leis formuladas de forma casuística (21,1-22,16), no modo condicional, conhecidas por mishpatîm, e de leis apodícticas, no modo imperativo, conhecidas por debarîm (22,17-29). Tal como o Decálogo, também este bloco de leis foi enxertado nas tradições do Sinai, não tendo aqui a sua situação vital original.
24-26
São as primeiras leis sobre "altares" que encontramos no Livro do Êxodo. O facto de serem construídos de "terra arável" ('adamah) e perto do chão, sem degraus, e de pedras não trabalhadas denota a sua função transitória, talvez em referência a um tipo de vida semi-nómada. É o tipo de altar que convém às práticas patriarcais (Gn 12,8; 35,3; 1 Sm 14,35, com Saul). Holocaustos, sacrifícios em que o animal era inteiramente consumido pelo fogo. Sacrifícios de comunhão. Só era queimada uma parte do animal, sendo o restante partilhado convivialmente (Introd. ao Levítico). Em todo o lugar. Supõe múltiplos lugares de culto: legislação certamente anterior à centralização do culto em Jerusalém de acordo com a lei do Deuteronómio (Dt 12,5-7.11.14). Foi aplicada estritamente por Josias (2 Rs 23,13.19), embora o movimento que lhe está na origem possa remontar já a Ezequias (2 Rs 18,1-6), após a queda da Samaria e dos santuários do Norte. Recordar o meu nome. Única vez no AT em que o verbo desta expressão tem Deus por sujeito.
25
Os objectos adscritos ao culto devem estar o mais possível no seu estado natural, não tocados pela mão humana (Dt 27,5-7 nota; 1 Sm 6,7; 2 Rs 2,20). E, tal como os objectos, também as pessoas. A propósito do "nazirato", ver Nm 6,1-21.2 nota; Jz 13,5 nota; Am 2,9-11 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.