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8 Domingo, 8 de novembro Novembro de 2026 Domingo XXXII do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Êxodo

Êxodo 19

III. ALIANÇA NO SINAI<br>(19,1-24,18)

Chegada ao Sinai

1 *Na terceira Lua-nova depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egipto, naquele mesmo dia, chegaram ao deserto do Sinai.
2 Partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto. Israel acampou lá, diante da montanha.

Proposição da aliança

3 *Moisés subiu até junto de Deus. Da montanha o SENHOR chamou-o, dizendo: «Assim dirás à casa de Jacob e declararás aos filhos de Israel: 4 *'Vós vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe até mim. 5 E agora, se escutardes bem a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade particular entre todos os povos, porque é minha a terra inteira. 6 *Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.' Estas são as palavras que transmitirás aos filhos de Israel.»
7 Moisés veio e chamou os anciãos do povo e pôs diante deles todas estas palavras, como o SENHOR lhe tinha ordenado. 8 Todo o povo, unânime, respondeu, dizendo: «Tudo o que o SENHOR disse, nós o faremos.» E Moisés transmitiu ao SENHOR as palavras do povo.

Preparação da aliança

9 *O SENHOR disse a Moisés: «Eis que Eu venho ter contigo no coração da nuvem, para que o povo oiça quando Eu falar contigo e também acredite em ti para sempre.» E Moisés transmitiu ao SENHOR as palavras do povo.
10 O SENHOR disse a Moisés: «Vai ter com o povo, e fá-los santificar hoje e amanhã; que eles lavem as suas roupas. 11 Que estejam prontos para o terceiro dia, porque no terceiro dia o SENHOR descerá aos olhos de todo o povo sobre a montanha do Sinai. 12 Põe limites ao redor do povo, dizendo: 'Guardai-vos de subir à montanha e de tocar os seus limites. Todo aquele que tocar na montanha morrerá. 13 *Ninguém tocará nela, pois será apedrejado ou atravessado de flechas: seja animal ou seja homem, não viverá. Quando soar longamente o chifre de carneiro, eles subirão à montanha.'»
14 Moisés desceu da montanha ao encontro do povo. Ele santificou o povo, e eles lavaram as suas roupas. 15 *E disse ao povo: «Estai prontos para o terceiro dia. Não vos aproximeis de mulher alguma.»

Teofania do Sinai (Dt 4,10-14; 5,1-5)

16 E eis que, no terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos e uma nuvem pesada sobre a montanha, e um som muito forte de trombeta, e todo o povo que estava no acampamento tremia.
17 *Moisés fez sair o povo do acampamento ao encontro de Deus, e colocaram-se no sopé da montanha. 18 *A montanha do Sinai estava toda coberta de fumo, porque o SENHOR tinha descido sobre ela no fogo; e o seu fumo subia como o fumo de um forno, e toda a montanha tremia muito. 19 *O som da trombeta era cada vez mais forte. Moisés falava, e Deus respondia-lhe no trovão.
20 O SENHOR desceu sobre a montanha do Sinai, no cimo da montanha. O SENHOR chamou Moisés ao cimo da montanha, e Moisés subiu.
21 *O SENHOR disse a Moisés: «Desce e adverte solenemente o povo para que não se precipite, a fim de ver o SENHOR; muitos deles morreriam. 22 *E que também os sacerdotes que se aproximam do SENHOR se santifiquem, para que o SENHOR não os fira.»
23 Moisés disse ao SENHOR: «O povo não pode subir à montanha do Sinai, pois Tu advertiste-nos solenemente, dizendo: 'Põe limites à montanha e santifica-a.'»
24 O SENHOR disse-lhe: «Vai, desce; depois subirás tu e Aarão contigo; os sacerdotes e o povo, porém, que não se precipitem em subir para o SENHOR, para que Ele não os fira.»
25 *Moisés desceu ao encontro do povo e comunicou-lhes tudo isto.

Notas

19, 1-2
Sinai (montanha). Geograficamente igual ao Horeb (montanha) e à montanha de Deus. A localizar na área de Cadés e deserto circundante, como indicam os testemunhos antigos de Dt 33,2 e Jz 5,4-5, que colocam em paralelismo Sinai/ Seir/ Paran/ Cadés, e Seir/ Edom/ Sinai, respectivamente. Tudo topónimos a situar no nordeste da Península do Sinai, e não no sul da mesma Península (3,1 nota; 17,1.7). Foi a tradição cristã que veio a consagrar a localização da montanha do Sinai no sul da Península sinaítica, pois é aí que se encontram as três mais altas montanhas dessa Península: o djebel Musa (= montanha de Moisés) com 2224 metros, o djebel Catherina com 2.602 metros, e o djebel Serbal com 2052 metros. A tradição cristã consagrou o djebel Musa, sobretudo a partir da peregrinação de Egéria, que esteve lá em Novembro de 383. É sabido que, por volta de 550, o Imperador Justiniano contribuiu para a fixação da tradição, ao construir aos pés do djebel Musa o Mosteiro de Sta. Catarina. As alturas traduzem a inacessibilidade de Deus. Curiosamente, também as tradições bíblicas mais recentes vão já no mesmo sentido, distanciando o lugar no espaço e no tempo: Dt 1,2 coloca o Horeb/Sinai a 11 dias de caminho para sul de Cadés, o equivalente a uma distância entre 375 a 400 km, e 1 Rs 19,8 coloca-o a 40 dias e 40 noites de caminho para sul de Cadés (ou de Bercheba). É a maneira de dizer que se trata de um lugar celeste, fora do alcance de um simples mortal, e que só Deus pode conduzir o homem até lá.
3
Moisés subiu. É uma constante da tradição, nas ideologias dos escritores sagrados, que só Moisés sobe à montanha do Deus santo, inacessível e incontrolável. 24,1.9, em que sobem Moisés, Aarão, Nadab, Abiú e os 70 anciãos de Israel, representa uma fase mais antiga da tradição e traduz outra ideologia.
4
Asas de águia. Ver Dt 32,11 nota; Ap 12,14 nota.
6
Ver Is 61,6; 1 Pe 2,9 nota; Ap 1,6 nota; 5,10.
9
Coração da nuvem. A expressão literal seria talvez "a névoa da nuvem".
13
Ninguém, lit., "Nenhuma mão". Aquele que entrou no espaço reservado a Deus, de alguma maneira, fica sacralizado, pelo que não se lhe pode tocar. Mesmo a morte tem de ser provocada à distância (pedras, flechas). Chifre de carneiro. Em hebraico, yôbel, que deu o nome ao ano do Jubileu (Lv 25,9-10). Eles subirão. Ver v.3 nota.
15
Aproximar-se de mulher. Eufemismo para dizer relações sexuais. A abstinência sexual era requerida quer para a participação num acto cultual, quer para a participação numa acção considerada sagrada, como, por exemplo, a guerra (Lv 15; 22,3-7; 1 Sm 21,5-6).
16-18
O texto entretece duas imagens, para mostrar a grandeza de Deus que se manifesta de uma forma não controlável pelo homem; a tempestade (trovões, relâmpagos, nuvens escuras) e o vulcão (forno, fogo, fumo). Ver 1 Rs 8,10 nota; 19,11-13 nota.
17
Colocaram-se. O verbo aqui usado faz pensar numa colocação ordenada semelhante a uma parada militar.
18
Tremer. O verbo harad apenas se usa para pessoas. Talvez por isso, alguns manuscritos hebraicos, bem como os Setenta, tenham optado pela versão "o povo" em vez de "a montanha" tremia.
19
Trovão. O mesmo vocábulo hebraico que significa "trovão" (qol) significa igualmente "som" e "voz". No contexto da teofania, o "trovão" é também a "voz" de Deus. Antes falava-se do chifre do carneiro (yôbel: v.13). Agora fala-se da trombeta. É som do chifre do cabrito montês (shôphar), que é menos fundo e mais nítido. São sons que acompanham a teofania.
21
Adverte solenemente, como uma testemunha num tribunal.
22
Não os fira. Lit, "abrir brecha". Implica a acção de irromper contra eles como contra os muros de uma cidade (v.24).
25
O discurso de Moisés parece cortado para dar lugar ao discurso de Deus, que pronuncia o Decálogo (20,1-17) em primeira pessoa. Caso único em todos os corpos de leis do AT.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.