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Conclusões do Seminário Internacional «Tempo para o Trabalho e para a FamÃlia» 2011-06-16 10:11:05 Realizou-se, entre os dias 9 e 12 de Junho, na cidade de Torres Novas, Portugal, um Seminário Internacional, promovido pela LOC/MTC sobre o tema: Tempo para o trabalho e para a FamÃlia.
A LOC/MTC teve como parceiro neste Seminário o EZA, com o patrocÃnio da Câmara Municipal de Torres Novas.
Participaram neste evento, para além dos membros da LOC/MTC, diversos Movimentos de Trabalhadores Cristãos Europeus de Espanha, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, República Checa e Eslovénia, assim como a Pastoral Operária, a Base-Fut, o Fidestra e o Cifotie de Portugal, que partilharam as suas experiências, realidades e práticas. Estiveram ainda presentes D. Manuel Pelino, Bispo da diocese de Santarém e o Presidente da Câmara de Torres Novas, António Rodrigues.
Das várias intervenções realizadas ao longo do Seminário, segundo o método da Revisão de Vida, constatamos algumas realidades:
A famÃlia e o trabalho são duas realidades intimamente ligadas, conciliar as duas é um desafio atual e uma tarefa difÃcil, sobretudo no contexto da sociedade atual
As famÃlias operárias vivem tempos difÃceis, que resultam do sistema capitalista neoliberal disseminado à escala global e que coloca os trabalhadores numa posição fragilizada perante as novas exigências do mercado de trabalho. A prática de horários dilatados, o desemprego e os baixos salários, aumentam exponencialmente o perigo de exclusão social.
Os trabalhadores portugueses são os que mais se referem aos problemas da insegurança no trabalho, talvez porque não sentem as suas necessidades primárias cumpridas que passam pelo pagamento de um salário digno. Uma sociedade que nega o acesso ao trabalho é uma sociedade deprimida, sem expectativas, onde impera o medo. A gravidade da situação aumenta quando aplicamos esta realidade, às mulheres e aos trabalhadores imigrantes menos qualificados, bem como, às crianças e jovens, que direta ou indiretamente são afetados pela situação laboral dos seus pais e avós.
Como indicador desta realidade constatamos, ainda, as dificuldades sentidas pela comunidade escolar, em responder à exigência de conciliar a sua função formativa natural, com a intervenção social cada vez mais emergente, considerando, o aumento da pobreza infantil e a crescente dificuldade em estabelecer uma relação estável entre a Escola e a famÃlia.
A solução para os problemas especÃficos que afectam as crianças, os jovens e as mulheres, são mais difÃceis de encontrar, pois estão muito dependentes de factores externos, à sua própria vontade e capacidade de mudança. Temos uma dÃvida para com os nossos filhos e netos de lhes deixar uma sociedade mais humanizada.
Torna-se importante consolidar polÃticas e regulamentação comuns, sobretudo quando discutimos e avaliamos a realidade Europeia. Essas polÃticas devem ser direcionadas para a defesa e promoção da conciliação do trabalho e da famÃlia, para a promoção da natalidade, para a integração dos trabalhadores imigrantes e das suas famÃlias. A Diretiva da U.E. de Tempo de trabalho de 2003, que está a ser revista neste momento, diz essencialmente que o tempo de trabalho tem de ser controlado, no entanto, na prática o poder simbólico do empregador é francamente superior ao do trabalhador, por isso, a uso da Diretiva tem penalizado os trabalhadores.
Na etapa do Julgar foi referenciado que o trabalho é essencial, porque é condição para a formação da famÃlia. O papa Bento XVI relembra a importância da conciliação entre a famÃlia, o trabalho e a festa (tempo para o lazer). A “festa†está intimamente relacionada com a vida da famÃlia. O tempo destinado ao descanso necessita de ser cultivado. Para a Igreja, o trabalho significa muito mais do que o trabalho assalariado nascido da revolução industrial, é também o de cuidar da vida, da construção social, criativa e contemplativa.
A pessoa não se pode desenvolver sem a famÃlia e, sem os outros. Por outro lado a famÃlia necessita de uma sociedade que a compreenda, que a acolha e que cuide dela.
A pessoa precisa de ser chamada a ser feliz a tomar parte da vida e das decisões. Para ser feliz precisa da famÃlia. A famÃlia é uma expressão de comunidade, é o lugar mais privilegiado para a socialização. A cultura e os sistemas de proteção social são fatores importantes para o desenvolvimento da famÃlia.
Na etapa do agir foram vários os desafios lançados e que constituem um princÃpio para um compromisso coletivo de todos, para sermos uma voz em defesa de uma maior conciliação entre a vida profissional e a vida familiar.
É imperativo um compromisso de toda a sociedade, da Igreja e de cada um de nós, uma vez que para alterar comportamentos discriminatórios e violentos é necessário mudar as mentalidades. Neste contexto, exige-se uma forte intervenção da Igreja e dos cristãos;
É importante alertar os responsáveis empresariais e institucionais para a dimensão humana do trabalho;
É necessário perceber a importância de continuar a proteger o elo mais fraco – os trabalhadores, e estes devem reorganizar-se no sentido de reconquistar o seu poder negocial;
Que os Estados implementem critérios de bem comum, de equilÃbrio entre a pessoa, a famÃlia e a sociedade, na sua dimensão material, social, cultural e polÃtica.
O Movimento Europeu redigiu uma carta sobre os direitos sociais da famÃlia, debatida e assumida pelos participantes, que juntamos a estas conclusões, onde está presente esta visão de equilÃbrio. Por isso é de todo importante que o seu conteúdo seja conhecido pelas instâncias europeias e pelas comunidades e estruturas eclesiais;
Um apelo forte a que os trabalhadores e suas organizações se impliquem na revisão da Diretiva de trabalho para aà ser incluÃdo uma maior defesa dos direitos dos trabalhadores.
À luz da fé cristã temos de começar a romper, através do nosso testemunho e do compromisso cÃvico, com a normalidade e a lógica com que é entendida a famÃlia, o trabalho e o descanso nos nossos ambientes.
Torres Novas, 12 de junho de 2011
LOC/MTC
Fonte Ecclesia
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