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Bíblia: Cristianismo nasceu à refeição
2011-03-17 16:39:01

O padre e biblista José Tolentino Mendonça considera que as origens do cristianismo estão intimamente ligadas aos alimentos e à relação que se estabelece em torno da refeição.

Os quatro evangelhos, livros que na Bíblia narram as palavras e actos de Jesus, “são muito contados à mesa†porque ela é “a estrutura comunitária por excelência em todas as culturasâ€, afirma o tradutor de grego e hebraico em entrevista transmitida hoje no programa ECCLESIA na Antena 1.

“O grande símbolo cristão, a eucaristia, que começa com a última ceia, é alguma coisa que se faz à volta da mesaâ€, sublinha o responsável pela relação da Igreja católica portuguesa com o mundo da cultura.

Tolentino Mendonça assinala o resultado das interacções estabelecidas à volta da refeição: “À mesa alimentamo-nos do mesmo alimento, mas sobretudo, e é essa a força dela, alimentamo-nos uns dos outrosâ€.

As implicações da refeição na narrativa bíblica ultrapassam as questões ligadas à nutrição, tornando-se imagem de um novo sistema de relações: “Não é por acaso que a mensagem cristã se vai alojar nessa plataforma de intimidade que é a mesaâ€, refere o poeta madeirense.

“É belo ver que Jesus rompe com a ritualidade estabelecida e instaura uma nova, em que os últimos serão os primeiros, em que há espaço para todosâ€, salienta.

O biblista lembra que “o cristianismo é a única religião em que se pode comer de tudo, com todosâ€, depois de Jesus ter tornado a “mesa o grande ícone do reino de Deusâ€.

O estilo de Jesus, “aberto†e “inclusivoâ€, manifestou-se também nas “suas acções e palavrasâ€, que “não tinham uma interpretação única†e que ainda hoje continuam a suscitar questionamentos.

“Dizem-se, em todos os tempos, coisas muito diferentes sobre Jesus, porque acerca dele, e nele, nós reflectimos as perguntas do próprio coração humanoâ€, assinala Tolentino Mendonça.

Para o professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, “Jesus é uma pergunta, mais do que uma respostaâ€, pelo que “nunca nada é imediato†em relação a ele.

“Jesus utiliza uma linguagem que não é fechada nem de sentido únicoâ€, o que “dá à sua palavra uma riqueza enorme†e solicita uma leitura que não seja passiva.

O intérprete da Bíblia fala da “responsabilidade de apropriação†que cada leitor e ouvinte é chamado a realizar “de forma originalâ€, ao mesmo tempo que acompanha essa reflexão com o “exercício do compromisso†e “discipulato†em relação a Jesus.

O director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura destaca também a “curiosidade enorme†sobre Cristo e a forma “secular†e “laica†como ele passou do “vitral†das igrejas para a “montra†das livrarias.

Para o sacerdote, “a quantidade de publicações, filmes, conversas e as tentativas – muitas vezes tentações – de entrar por veredas um pouco estranhas representam o desejo de tocar Jesusâ€.

“Aquela imagem que os evangelistas nos dão, da multidão que se acotovelava em torno a ele para o tocar, continua a ser a situação do homem contemporâneo†diz o sacerdote.

Fonte Ecclesia

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