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O vestuário de Bento XVI 2008-07-31 05:14:47 Desde o inÃcio de seu pontificado, Bento XVI tem usado algumas peças de vestuário litúrgico e não litúrgico que têm gerado curiosidades por parte da mÃdia.
Para falar sobre as vestes do Papa, Zenit entrevistou o monsenhor Elia Volpi, liturgista, pároco da Igreja da Candelária no Rio de Janeiro.
—Que vestes e acessórios litúrgicos e não litúrgicos Bento XVI tem procurado resgatar desde o inÃcio de seu pontificado?
—Mons. Elia Volpi: O Papa Bento XVI, no “InÃcio do Ministério Petrinoâ€, isto é, no inÃcio do seu pontificado, resgatou o Pálio do primeiro Milênio e o Anel “Piscatórioâ€, o anel de ouro com que os Papas selam os documentos mais solenes, mas que não colocavam no dedo. Este anel é chamado “piscatório†por ser caracterizado pela figura de Pedro pescador que puxa as redes para o barco.
O Pálio do primeiro Milênio foi confeccionado baseando-se em estudos históricos e, sobretudo, nos famosos mosaicos das basÃlicas de Roma, Ravena e outros antigos achados. Consiste num “cachecol†de lã branca, de 4 metros de comprimento e 10 centÃmetros de largura, com 5 cruzes vermelhas, fixado com 3 grandes alfinetes em forma de prego. Esse ornamento representa a ovelha perdida, ferida, procurada e encontrada, que o Bom Pastor leva ao pescoço e, ao mesmo tempo, o próprio Pastor, que se fez Cordeiro, ferido e morto, para salvar as ovelhas. As 5 cruzes vermelhas representam as 5 chagas do Crucificado, e os três grandes alfinetes-broches, os pregos com que foi cravado na Cruz.
O Pálio do primeiro milênio, amplo e solene, expressivo na sua visibilidade, que o Papa Bento tinha aprovado e resgatado depois de mil anos, foi usado até junho passado, mas a partir do dia 29, festa de S. Pedro e S. Paulo, se voltou a um modelo mais reduzido e semelhante ao da época barroca.
Ocasionalmente, usam-se paramentos de cunho barroco, como as casulas, preciosas pelos bordados, mas de gosto discutÃvel (na parte anterior têm a forma de um violão), por isso são chamadas “casulas-violãoâ€, bem como capas de asperges, mitras e rendas tradicionais.
O Báculo, a partir de Paulo VI, terminava com um Crucifixo do artista Scorzelli. Recentemente, o Papa Bento começou a usar uma Cruz maior, de forma não moderna.
O Papa não levava o báculo, como os bispos e os Abades, porque na antiguidade trazia o Livro dos Evangelhos, apoiado ao braço esquerdo. Quando os paramentos papais se tornaram vestuários complicados e exorbitantes, perdeu-se a expressiva imagem do Papa que caminhava como que conduzido pelo Evangelho.
Paulo VI achou belo apoiar-se no Crucifixo, mas a coisa não era totalmente certa, pelo fato que o Crucifixo não é apropriado ao papel de Báculo, apesar do significado bonito e inédito dado por Paulo VI.
Fora da Liturgia, o Papa Bento XVI, para defender-se do sol, voltou a usar o chapéu vermelho, chamado de “Saturnoâ€.
Também os sapatos, que até Paulo VI eram de seda vermelha bordada com uma cruz em ouro (que se deveria beijar), com João Paulo II passaram a ser de couro escuro, enquanto que o Papa Bento XVI usa de couro bem vermelho.
Para defender-se do frio, deram ao Papa Bento XVI, anos atrás, o “Camauroâ€, espécie de touca de veludo, do mesmo tecido da murça, com as bordas de arminho. Usou-a uma só vez porque não ficou bem.
—Que significado tem o resgate dessas vestes e acessórios antigos?
—Mons. Elia Volpi: O porta-voz autorizado do vaticano explicou que o Papa Bento XVI deseja demonstrar, com estes resgates de vestuário, também exteriormente, continuidade em relação a seus antecessores: os papas passam, mas a tradição ultrapassa suas pessoas.
—Qual o senhor pensa ser a intenção do Papa com essa demonstração de um novo cuidado com as vestes litúrgicas e não litúrgicas?
—Mons. Elia Volpi: Pessoalmente, acho que o Papa quer facilitar ao máximo a plena comunhão com os Tradicionalistas que, a partir de Dom Lefebvre, criaram um cisma dentro do catolicismo, mas também valorizar o que geralmente é negligenciado pelo clero. Todavia, duvido que os tradicionalistas revoltados se rendam, pois suas contestações são mais complexas do que aparentam suas palavras.
A história do seu mal-estar explodiu com o Vaticano II, e os insensatos abusos litúrgicos favoreceram as contestações tradicionalistas, mas suas origens remontam à revolução francesa. Já tinham-se manifestado de várias formas e em tempos diferentes: na década de 20, Pio XI destituiu do cardinalato o famoso cardeal Billot por não renunciar ao integralismo tradicionalista.
Para terminar, permita-me um esclarecimento sobre a terminologia “vestes e acessórios antigosâ€: é bom distinguir antigo e velho. Os barrocos e pós-barrocos não são “antigosâ€.
Fonte Zenit
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