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Celebrar a famÃlia 2008-05-18 11:02:31 A famÃlia merece ser festejada, apoiada, promovida, acarinhada todo o ano, como «estrutura que constitui a base da nossa sociedade»
Hoje damos vivas à famÃlia! É claro que a famÃlia merece ser festejada, apoiada, promovida, acarinhada, os restantes trezentos e sessenta e quatro dias do ano. É que não estamos a falar de uma instituição qualquer.
Falamos de uma estrutura que constitui a base da nossa sociedade. É nesta pequena célula que aprendemos a ser filhos e irmãos, a ser pai e a ser mãe; que aprendemos a comer, a chorar, sorrir, a amar, a “serâ€; que aprendemos a gatinhar, a falar, a andar, a brincar; que aprendemos a relacionarmo-nos, isto é, a “criar laços†uns com os outros, mesmo descobrindo que os outros são diferentes de nós; que aprendemos a crescer em todas as dimensões; que aprendemos a distinguir o bem e o mal; que aprendemos a ouvir “sim†e ouvir “nãoâ€; que aprendemos a ajudar os pais, os avós, os outros; que aprendemos a realizar pequenas tarefas rotineiras; que aprendemos a conviver com a renúncia, o sacrifÃcio, o trabalho; que aprendemos a levantar cedo, vestir e comer rapidamente, sair de casa e ver partir o pai e a mãe; que aprendemos a chegar a casa e ver os pais exaustos de mais uma jornada de trabalho e canseiras; que aprendemos a partilhar as alegrias e tristezas de cada dia; que aprendemos a ouvir regras, conselhos, “ralhetesâ€; que aprendemos a gerir os conflitos internos (e externos); que aprendemos a gerir as nossas “mesadasâ€; que aprendemos a ser progressivamente autónomos e responsáveis; que aprendemos, um dia, a desinstalar-nos, a deixarmos o nosso quarto e… quiçá, ajudarmos outros a crescer.
Mas também é em células destas que muitas vezes aprendemos, desde cedo, a sentir o rosto deprimente da mãe, os berros do pai, a assistir a zangas permanentes, a sermos mal alimentados, a ficarmos depositados numa creche ou numa escola, a sentirmos que os pais não têm tempo para nós (quando, afinal, não pedimos para nascer), a ficarmos fechados na rua, entregues a nós mesmos, a sentirmo-nos órfãos de pais vivos, a sentirmo-nos “não amadosâ€, a sentirmo-nos a mais nesta vida.
Mas também é na famÃlia que tantas vezes aprendemos a ser o alvo permanente de todas as atenções, a ter sempre alguém que faça as coisas por nós e a dar-nos muitas coisas para nos entretermos, a ficarmos, desde tenra idade, com muitas actividades e com o tempo muito preenchido para sermos muito cultos, a só ouvirmos a palavra “simâ€, a fazermos o que nos apetece, a termos os pais com a grande preocupação de nos libertar das preocupações…
Mas também é nesta célula básica da sociedade que aprendemos, muitas vezes, a ver o pai separado da mãe, a conviver com outros “paisâ€, outras “mães†e outros “irmãosâ€, a passar fins-de-semana e férias, ora com uns, ora com outros.
Mas hoje é o Dia Internacional de todas as famÃlias. E todas devem estar incluÃdas nesta homenagem. Viva a FamÃlia!
E que tal pensarmos em alguns “presentesâ€, para marcar a nossa “presençaâ€?
Que tal os pais oferecerem aos filhos mais tempo, mais atenção, mais responsabilização, mais firmeza, mais “nãosâ€, mais testemunho de vida, mais “amorâ€?
Que tal os filhos oferecerem aos pais mais “boas acções†(estudo, colaboração nas lidas da casa, simpatia, cordialidade, afecto, …)?
Que tal a escola envolver cada vez mais a famÃlia no processo educativo, de forma a tornar-se sua colaboradora credÃvel no acto fantástico da educação? E se responsabilizasse mais os alunos?
Que tal a comunidade (as empresas, a comunicação social, as pessoas em geral) não contribuir para a destruição da famÃlia, e, ao invés, inventar formas de consolidar este núcleo tão fundamental para o crescimento saudável e equilibrado de todos os seus membros?
Que tal o Estado, os governantes, os legisladores, promoverem polÃticas de famÃlia que ajudem os casais novos a terem uma casa digna e alguma estabilidade no emprego; que ajudem os agregados mais carenciados; que estimulem a natalidade; que não penalizem (bem pelo contrário!), em termos fiscais, quem é casado ou tem mais filhos; que não aprovem leis facilitadoras do divórcio, mas, ao invés, criem condições e estruturas que promovam a concórdia, a reconciliação?
Que tal a Igreja não se cansar de ajudar os jovens a crescer no amor e na sexualidade responsável; não se cansar de preparar bem os noivos para o matrimónio e, depois, de os ir acompanhando “na prosperidade e nas provaçõesâ€; não se cansar de criar centros de apoio à s famÃlias em dificuldade; não se cansar de recomendar aos casais para que rezem, rezem muito; com não se cansar de gritar bem alto que defende a união entre homem e mulher, num compromisso fiel, estável e duradoiro porque é bom para o casal, para os filhos e para a sociedade (excepto para os advogados)?
Acredito que a FamÃlia agradece este “mimosâ€. Ela merece. Viva a FamÃlia, sempre!
Jorge Cotovio, Secretariado da Pastoral Familiar da Diocese de Coimbra
Fonte Ecclesia
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